Jó 16
O quinto discurso de Jó: resposta a Elifaz
1Então Jó falou novamente:
ENTÃO respondeu Jó, e disse:
“Já ouvi tudo isso antes; que péssimos consoladores são vocês!
Tenho ouvido muitas cousas como estas; todos vós sois consoladores molestos.
Será que nunca vão parar de tagarelar? Que perturbação os faz continuar falando?
Porventura não terão fim estas palavras de vento? Ou que te irrita, para assim responderes?
Eu poderia dizer as mesmas coisas se estivessem em meu lugar, poderia berrar críticas e balançar a cabeça contra vocês.
Falaria eu também como vós falais, se a vossa alma estivesse em lugar da minha alma? Ou amontoaria palavras contra vós, e menearia contra vós a minha cabeça?
Mas eu faria diferente: eu lhes daria ânimo e tentaria aliviar seu sofrimento.
Antes vos fortaleceria com a minha boca, e a consolação dos meus lábios abrandaria a vossa dor.
Em vez disso, sofro se me defendo, e sofro igualmente se me recuso a falar.
Se eu falar, a minha dor não cessa, e, calando-me, qual é o meu alívio?
“Ó Deus, tu me esgotaste e destruíste toda a minha família!
Na verdade, agora me molestou; tu assolaste toda a minha companhia.
Reduziste-me a pele e osso, como para provar que pequei; minha magreza depõe contra mim.
Testemunha disto é que já me fizeste enrugado, e a minha magreza já se levanta contra mim e no meu rosto testifica contra mim.
Deus me odeia e, em sua ira, me despedaçou; range os dentes contra mim e me transpassa com seu olhar.
Na sua ira me despedaçou, e ele me perseguiu; rangeu os seus dentes contra mim; aguça o meu adversário os seus olhos contra mim.
As pessoas zombam e riem de mim e, com desprezo, me dão tapas no rosto; sim, uma multidão se junta contra mim.
Abrem a sua boca contra mim; com desprezo me feriram nos queixos, e contra mim se ajuntam todos.
Deus me entregou aos pecadores, atirou-me nas mãos dos perversos.
Entrega-me Deus ao perverso, e nas mãos dos ímpios me faz cair.
“Eu vivia tranquilo, até que ele me despedaçou; pelo pescoço me agarrou e me quebrou ao meio. Fez de mim seu alvo,
Descansado estava eu, porém ele me quebrantou; e pegou-me pelo pescoço, e me despedaçou; também me pôs por seu alvo.
e agora seus arqueiros me cercam. Suas flechas me perfuram sem misericórdia, e meu sangue molha o chão.
Cercam-me os seus frecheiros; atravessa-me os rins, e não me poupa; e o meu fel derrama pela terra.
Repetidamente, ele se lança contra mim e me ataca como um guerreiro.
Quebranta-me com quebranto sobre quebranto; arremete contra mim como um valente.
Em minha tristeza, visto pano de saco; meu orgulho se revolve no pó.
Cosi sobre a minha pele o saco, e revolvi a minha cabeça no pó.
Meu rosto está vermelho de tanto chorar, e sombras escuras me circundam os olhos.
O meu rosto todo está descorado de chorar, e sobre as minhas pálpebras está a sombra da morte,
No entanto, nada fiz de errado, e minha oração é pura.
Apesar de não haver violência nas minhas mãos, e de ser pura a minha oração.
“Ó terra, não esconda meu sangue! Não permita que meu clamor permaneça oculto.
Ah! terra, não cubras o meu sangue; e não haja lugar para o meu clamor!
Agora mesmo, minha testemunha está nos céus, meu advogado está nas alturas.
Eis que também agora está a minha testemunha no céu, e o meu fiador nas alturas.
Meus amigos me desprezam, mas derramo minhas lágrimas diante de Deus.
Os meus amigos são os que zombam de mim; os meus olhos se desfazem em lágrimas diante de Deus.
Preciso de um mediador entre mim e Deus, como alguém que intercede por seu amigo.
Ah! Se alguém pudesse contender com Deus pelo homem, como o filho do homem pelo seu amigo!
Pois em breve seguirei pelo caminho do qual jamais voltarei.”
Porque decorridos poucos anos, eu seguirei o caminho por onde não tornarei.
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