O Pastor que não foge
Estudo organizado para preparar a sua pregação com clareza.
Jesus é o bom Pastor que não abandona o rebanho quando o perigo chega: Ele conhece cada ovelha pessoalmente e dá a própria vida por ela.
"Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas. O assalariado não é o pastor a quem as ovelhas pertencem. Assim, quando vê que o lobo vem, abandona as ovelhas e foge. Então o lobo ataca o rebanho e o dispersa. Ele foge porque é assalariado e não se importa com as ovelhas.
Pergunte a alguém quem esteve junto dele no pior dia da vida, e a resposta costuma ser um nome só, não uma lista. Em dia bom, muita gente está por perto; o nome que sobra é o de quem não saiu quando a coisa apertou. Em João 10, Jesus fala de dois homens que estão diante do mesmo rebanho e parecem iguais, até o lobo aparecer. Um corre. O outro dá a própria vida.
No capítulo anterior, Jesus curou um homem que era cego de nascença, e os líderes religiosos acabaram expulsando esse homem da sinagoga. É logo depois disso que vem a comparação do aprisco, da porta e do pastor. Pela ligação com o capítulo 9, quem ouve "Eu sou o bom pastor" são os mesmos fariseus que tinham acabado de jogar um homem fora do rebanho. Dentro do capítulo 10, os ouvintes só são nomeados no versículo 19, como "os judeus". O próprio João escreve qual foi a reação deles: "Jesus usou essa comparação, mas eles não compreenderam o que lhes estava falando." Mais adiante João escreve também: "Diante dessas palavras, os judeus ficaram outra vez divididos." E os profetas já tinham denunciado pastores de Israel que cuidavam de si mesmos e deixavam o rebanho largado (Ezequiel 34). Então "bom pastor" não é elogio genérico sobre cuidado em geral: é palavra dita na frente de gente que estava fazendo o contrário.
"Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas." Jesus se apresenta pelo que entrega, não pelo cargo que ocupa. Na boca Dele, cuidar do rebanho chega a incluir morrer pelas ovelhas. O que marca o bom Pastor é a disposição de dar a própria vida por elas.
Entregando à morte o corpo que tinha assumido, Ele o ofereceu como sacrifício e vítima puríssima.
"O assalariado não é o pastor a quem as ovelhas pertencem." A palavra grega traduzida aqui por "assalariado" é misthotós, formada a partir de misthós, que é o pagamento do trabalho. O nome desse homem no texto já é o vínculo dele: ele está ali pelo que recebe. Jesus não o chama de cruel nem de preguiçoso; aponta o que o segurava no lugar. E "bom", em "Eu sou o bom pastor", traduz kalós, palavra que diz mais do que correto: descreve o que é nobre, exemplar, bonito de ver. Entre os estudiosos há mais de uma leitura: uns entendem o pastor verdadeiro, o genuíno; outros, o pastor nobre. Nas duas, o contraste do versículo continua de pé: de um lado o homem do salário, do outro o pastor a quem as ovelhas pertencem.
"O assalariado não é o pastor a quem as ovelhas pertencem. Assim, quando vê que o lobo vem, abandona as ovelhas e foge." Em dia calmo, o assalariado e o Pastor parecem iguais diante do rebanho. A diferença aparece quando o lobo chega. Jesus liga a fuga à falta de vínculo: as ovelhas não pertencem ao assalariado, e por isso ele corre.
Continua: o restante dos pontos, conclusão e apelo.