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Atos dos Apóstolos na Bíblia. Significado e Versículos sobre Atos dos Apóstolos

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Título e Plano. O titulo do livro nos mais antigos MSS é simplesmente Atos, ou ‘Atos dos Apóstolos’. Esta indeterminação é própria da natureza seletiva dos fatos narrados. As primeiras palavras estabelecem a ligação entre o que se lê no Evangelho e o que o livro dos Atos expõe.

Não se sabe se a expressão ‘todas as coisas que Jesus fez e ensinou’ quer significar que a intenção do autor era escrever uma continuação da obra de Jesus realizada por meio dos apóstolos. Talvez a frase signifique, na sua simplicidade, ‘o que fez Jesus primeiramente’, sendo a obra dos apóstolos que ele tinha escolhido, distinta da de Jesus.

O tema dos Atos vem apontado em 1.8: ‘Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra.’ Este plano, irregularmente traçado, facilmente se reconhece na estrutura da obra.

Ao milagre de Pentecoste segue-se o testemunho dos apóstolos e o aumento da igreja, nas três fases – Jerusalém (caps. 2 a 7), Judéia e Samaria (caps. 8 a 12), e até aos confins da terra (caps. 13 a 28).

O progresso exterior da igreja acompanha o crescimento interior, especialmente na gradual emancipação do Judaísmo. A terceira fase acha-se quase inteiramente identificada com os trabalhos de S. Paulo. O autor.

O testemunho externo desde ireneu é unânime em atribuir a Lucas tanto os Atos como o terceiro Evangelho. É universalmente admitido que a primeira pessoa ‘nós’, no cap. 16, v. 10, significa que as linhas descritivas da viagem são traçadas por um companheiro de Paulo.

A única explicação razoável é que em Trôade o autor se juntou a Paulo, acompanhou-o até Filipos, ficando nesta cidade durante a sua ausência, e daí para o futuro andou sempre com o Apóstolo até que este chegou a Roma.

Fontes. O ‘documento de viagem’ se nos mostra como sendo as próprias notas de Lucas, completadas com casos de memória e naturais investigações. E com respeito às outras partes do livro podemos supor que Lucas seguiu o método indicado em Lucas 1.1 a 4.

Devia ter aproveitado com maior descanso a companhia de Paulo em Cesaréia, em Malta, e em Roma, onde, talvez, encontrasse mais tarde o Apóstolo S. Pedro. Tenha havido tal encontro, ou não, é certo que Marcos ‘o intérprete de Pedro’ esteve com ele em Roma (Colossenses 4.10Colossenses 4.14 – Filemon 24) – e podia, sem dúvida, fornecer-lhe boas informações acerca dos primitivos acontecimentos em Jerusalém, dos quais foi centro a casa que sua mãe habitava.

Em Cesaréia permaneceu Lucas com Filipe, o evangelista (21.8), e em Jerusalém encontrou-se com Tiago e os anciãos (21.18). Data. As últimas palavras (28.30,31) permitem-nos dizer que a história dos Atos vai até ao ano 62.

Têm alguns sustentado que a maneira abrupta como termina o livro indica o limite do conhecimento do escritor, sendo provável que fosse escrito cerca do ano 63. É muito pouco provável que o Evangelho de Lucas fosse escrito antes do ano 70, e o livro dos Atos é posterior.

Estas e outras leves indicações de caráter externo e interno, levam-nos a fixar o ano 80, pouco mais ou menos, como sendo a mais provável data. Valor histórico. A impressão geral que recebemos na leitura do livro é a de ser uma narrativa verdadeira, feita por um historiador consciencioso, guiado pelo Espírito Santo.

Já, em 1790, Paley traçou no seu livro, Horae Paulinae, ‘as coincidências naturais’ entre os Atos e as epístolas paulinas com argumentos que ainda de forma alguma perderam o seu valor. A suma do que trata o livro é como se segue: i.

A primeira parte da história, consagrada inteiramente à igreja de Jerusalém, narra o preenchimento do corpo apostólico (1): a primeira manifestação do Espírito Santo, segundo a promessa (2) e o aumento e prosperidade da igreja, entre amarguras e perturbações de dentro e de fora, até à perseguição e dispersão dos seus membros (3 a 7).

Neste período é dada especial proeminência aos primeiros discursos de Pedro, que apresenta o Evangelho como o cumprimento das profecias e a realização completa do ‘pacto feito com os pais’ – e à oração histórica de Estêvão, mostrando que o tratamento da parte de Deus com o antigo povo de israel era progressivo, e que a relação do privilégio religioso com o lugar e circunstâncias exteriores era apenas temporária.

Ii. Segue-se uma narração sobre o progresso da obra evangelizadora, sendo levado o Evangelho a Samaria, e convertido um prosélito da Etiópia (8) – depois disto, como introdução à história missionária da igreja, dá-se a conversão e a chamada daquele que havia de ser ‘o Apóstolo dos gentios’ (9) – abre-se a porta da fé em Cesaréia aos incircuncisos pela pregação de S.

Pedro, e começa a evangelização dos pagãos em Antioquia, onde Paulo exerce primeiramente a sua especial missão (10,11) – e, finalmente, a morte de um e o livramento de outro dos dirigentes da igreja-mãe de Jerusalém, que deixa de ser então o principal assunto da história (12).

Iii. A terceira parte, que começa com a obra de Antioquia, o grande centro da igreja gentílica, marca outra interposição do Espírito Santo, narrando as viagens de S. Paulo, constituindo elas três grandes circuitos missionários.

O Apóstolo, em cada lugar onde evangeliza, dirige-se primeiramente aos judeus, mas é rejeitado e perseguido por eles, ao passo que os gentios acodem a ouvir a Palavra, de forma que numerosas igrejas se fundaram pelo seu ministério nas principais cidades da civilização pagã (13 a 20).

Por fim, quando visita Jerusalém em circunstâncias especiais para conciliar os seus compatriotas, ele é atacado, preso, e depois de uma notável série de falas, em que se defende a si próprio e às suas doutrinas, é mandado para a capital do mundo gentílico a fim de ser julgado no tribunal de César.

Já em Roma, ele mais uma vez apela para os seus compatriotas, e lembra-lhes a antiga lamentação profética sobre a sua obstinada cegueira, e declara-lhes que a ‘salvação de Deus foi enviada aos gentios.

E eles a ouvirão’ (21 a 28). Alguns dos seus numerosos discursos, proferidos nas viagens missionárias, são amostras de argumentação na maneira de dirigir-se a diversas classes de ou.

Atos dos Apóstolos – Dicionário Bíblico de Easton

Atos dos Apóstolos

O título agora dado ao quinto e último dos livros históricos do Novo Testamento. O autor o estiliza como um “tratado” (1 Samuel 1.1). Era chamado inicialmente de “Os Atos”, “O Evangelho do Espírito Santo” e “O Evangelho da Ressurreição”.

Contém propriamente nenhum relato de qualquer um dos apóstolos exceto Pedro e Paulo. João é mencionado apenas três vezes; e tudo que é registrado de Tiago, filho de Zebedeu, é sua execução por Herodes. É corretamente, portanto, não a história dos “Atos dos Apóstolos”, um título que foi dado ao livro em uma data posterior, mas de “Atos de Apóstolos”, ou mais corretamente, de “Alguns Atos de Certos Apóstolos”.

Quanto à autoria, foi certamente a obra de Lucas, o “médico amado” (Compare Lucas 1.1-4; Atos 1.1). Esta é a tradição uniforme da antiguidade, embora o escritor em nenhum lugar faça menção de si mesmo pelo nome.

O estilo e idioma do Evangelho de Lucas e dos Atos, e o uso de palavras e frases comuns a ambos, reforçam essa opinião. O escritor aparece pela primeira vez na narrativa em Atos 16.11, e então desaparece até o retorno de Paulo a Filipos dois anos depois, quando ele e Paulo deixaram aquele lugar juntos (Atos 20.6), e os dois parecem desde então ter sido companheiros constantes até o fim.

Ele estava certamente com Paulo em Roma (28; Colossenses 4.14). Assim, ele escreveu uma grande parte dessa história a partir de observação pessoal. Para o que estava além de sua própria experiência ele tinha a instrução de Paulo.

Se, como é muito provável, 2 Timóteo foi escrito durante o segundo aprisionamento de Paulo em Roma, Lucas estava com ele então como seu fiel companheiro até o último (2 Timóteo 4.11). Não temos informações certas sobre sua história subsequente.

O objetivo do Evangelho de Lucas era apresentar uma exposição do caráter e trabalho de Cristo visto em sua história até que ele foi elevado aos céus de seus discípulos; e dos Atos, como sua sequência, para dar uma ilustração do poder e funcionamento do evangelho quando pregado entre todas as nações, “começando por Jerusalém”.

As primeiras frases dos Atos são apenas uma expansão e explicação das últimas palavras do Evangelho. Neste livro temos apenas uma continuação da história da igreja após a ascensão de Cristo. Lucas aqui continua a história no mesmo espírito em que a havia começado. É apenas um livro de começos, uma história da fundação de igrejas, os passos iniciais na formação da sociedade cristã nos diferentes lugares visitados pelos apóstolos.

Registra um ciclo de “eventos representativos”.

Por toda a narrativa vemos o poder sempre presente e todo controlador do Salvador eternamente vivo. Ele trabalha tudo e em todos na disseminação de sua verdade entre os homens por seu Espírito e através da instrumentalidade de seus apóstolos.

O tempo da escrita desta história pode ser deduzido do fato de que a narrativa se estende até o final do segundo ano do primeiro aprisionamento de Paulo em Roma. Portanto, não poderia ter sido escrito antes de 61 ou 62 d.

C., nem mais tarde do que cerca de final de 63 d. C. Paulo provavelmente foi executado durante seu segundo aprisionamento, cerca de 64 d. C., ou, como alguns pensam – 2 Timóteo 66 d. C.

O local onde o livro foi escrito foi provavelmente Roma, para onde Lucas acompanhou Paulo.

A chave para o conteúdo do livro está em Atos 1.8, “Ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém, como em toda a Judeia e Samaria, e até aos confins da terra.” Após referir-se ao que foi registrado em um “tratado anterior” dos ditos e feitos de Jesus Cristo antes de sua ascensão, o autor prossegue para dar um relato das circunstâncias relacionadas com esse evento e, em seguida, registra os principais fatos com referência à propagação e triunfos do cristianismo pelo mundo durante um período de cerca de trinta anos.

O registro começa com o Pentecostes (33 d.C.) e termina com o primeiro aprisionamento de Paulo (63 ou 64 d.C.). Todo o conteúdo do livro pode ser dividido nestas três partes:

  • Capítulos 1-12, descrevendo os primeiros doze anos da igreja cristã. Esta seção foi intitulada “De Jerusalém a Antioquia”. Contém a história do plantio e extensão da igreja entre os judeus pelo ministério de Pedro.
  • Capítulos 13-21, as viagens missionárias de Paulo, dando a história da extensão e plantio da igreja entre os gentios.
  • Capítulos 21-28, Paulo em Roma, e os eventos que levaram a isso. Capítulos 13-28 foram intitulados “De Antioquia a Roma”.

Easton, Matthew George. “Entrada para Atos dos Apóstolos”. “Dicionário Bíblico de Easton”.

Atos dos Apóstolos – Dicionário Bíblico de Smith

Atos dos Apóstolos,

O quinto livro do Novo Testamento e o segundo tratado do autor do terceiro Evangelho, tradicionalmente conhecido como Lucas. O livro começa com uma inscrição para um certo Teófilo, que provavelmente era um homem de nascimento e posição.Os leitores eram evidentemente destinados a ser os membros da Igreja Cristã, sejam judeus ou gentios; pois seu conteúdo é de extrema importância para toda a Igreja. Eles são a realização da promessa do Pai pelo descer do Espírito Santo, e os resultados desse derramamento pela dispersão do evangelho entre judeus e gentios.Sob esses principais tópicos, todos os detalhes pessoais e subordinados podem ser organizados. Primeiramente São Pedro se torna o ator principal sob Deus na fundação da Igreja. Ele é o centro do primeiro grupo de ditos e feitos.A abertura da porta para judeus, cap. 2, e gentios, cap. 10, é seu ofício, e por ele, em boa hora, é cumprida. Então a preparação de Saulo de Tarso para o trabalho a ser feito, o progresso, em suas mãos, desse trabalho, suas viagens, pregações e perigos, seus açoites e prisões, seu testemunho em Jerusalém e sendo levado para testemunhar em Roma, –estes são os assuntos da segunda metade do livro, do qual a grande figura central é o apóstolo Paulo.A história apresentada em Atos abrange cerca de 33 anos, e os reinados dos imperadores romanos Tibério, Calígula, Cláudio e Nero. Parece mais provável que o local da escrita foi Roma, e o tempo cerca de dois anos a partir da data da chegada de São Paulo lá, conforme relatado em (Atos 28.30) Isso nos daria para a publicação cerca de 63 d.C.

Smith, William, Dr. “Entrada para ‘Atos dos Apóstolos’”. “Dicionário Bíblico de Smith”. 1901.

Atos dos Apóstolos – 1.7

A obra originalmente pode não ter tido título. Os manuscritos apresentam o título em várias formas. Aleph (na inscrição) tem apenas “Atos” (Praxeis). Assim Tischendorf, enquanto Orígenes, Dídimo e Eusébio citam de “Os Atos”.

Mas BD Aleph (na subscrição) têm “Atos dos Apóstolos” ou “Os Atos dos Apóstolos” (Praxeis Apostolon). Ligeiramente diferente é o título em 31,61, e muitos outros cursivos (Praxeis ton Apostolon). Alguns pais da igreja (Clemente de Alexandria, Orígenes, Dionísio de Alexandria, Cirilo de Jerusalém, Crisóstomo) citam como “Os Atos dos Apóstolos” (Hai Praxeis ton Apostolon).

Finalmente A2 EGH o dão na forma “Atos dos Santos Apóstolos” (Praxeis ton Hagion Apostolon). A versão Memphítica tem “Os Atos dos Santos Apóstolos”. Claramente, então, não havia um único título que obtivesse aceitação geral.

Texto.

  1. Os principais documentos são os Unciais Primários (Códice Sinaiticus, Códice Alexandrinus, Códice Vaticanus, Códice Ephraemi Rescriptus, Códice Bezae), Códice Laudianus (E) que é um Uncial bilíngue confinado aos Atos, Unciais posteriores como Códice Modena, Códice Regius, Códice do Código Sacerdotal (P), os Cursivos, a Vulgata, a Peshitta e o Siríaco Harclean e citações dos Pais da Igreja.

    Sentimos falta do Curetoniano e do Sinaiticus Siríaco, e temos apenas testemunho fragmentário do Latim Antigo.
  2. As edições modernas dos Atos apresentam os tipos de texto (Textus Receptus; a Versão Revisada (Britânica e Americana); o texto crítico como o de Westcott e Hort, O Novo Testamento em Grego ou Nestle ou Weiss ou von Soden).

    Esses três tipos não correspondem com as quatro classes de texto (Sírio, Ocidental, Alexandrino, Neutro) delineadas por Hort em sua Introdução ao Novo Testamento em Grego (1882). As quatro classes estão amplamente representadas nos documentos que nos dão Atos.

    Nenhum editor moderno do Novo Testamento grego nos deu o tipo textual Ocidental ou Alexandrino, embora Bornemann tenha argumentado pela originalidade do tipo Ocidental em Atos. Mas o Textus Receptus do Novo Testamento (3ª edição de Stephanus em 1550) foi a base da Versão King James de 1611.

    Esta edição do Novo Testamento grego fez uso de muito poucos manuscritos, e todos eles tardios, exceto o Códice Bezae, que foi considerado muito excêntrico para seguir. Portanto, a Versão King James representa o tipo de texto Sírio que pode ter sido editado em Antioquia no século IV.

    Vários erros menores podem ter se infiltrado desde aquela data, mas substancialmente a recensão Síria é o texto da Versão King James hoje. Onde este texto está sozinho, é considerado por quase todos os estudiosos modernos como errôneo, embora o Deão Burgon tenha lutado arduamente pela originalidade do texto Sírio (The Revision Revised – 1882).

    O texto de Westcott e Hort, O Novo Testamento em Grego é praticamente o de Códice Vaticanus, que é considerado o tipo Neutro de texto. Nestle, von Soden, Weiss não diferem muito do texto de Westcott e Hort, embora von Soden e Weiss ataquem o problema por linhas independentes.

    O texto da Versão Revisada (Britânica e Americana) é, em certo sentido, um compromisso entre o da Versão King James e o texto crítico, embora se aproxime bastante do texto crítico.
  3. O tipo de texto Ocidental tem sua principal significância em Atos. É o mérito do falecido Friedrich Blass, o famoso classicista da Alemanha, ter mostrado que nos escritos de Lucas (Evangelho e Atos) a classe Ocidental (especialmente D) tem suas características mais marcantes.

    Este fato é totalmente independente da teoria avançada por Blass que será discutida diretamente. O principal interesse moderno contra as teorias de Westcott e Hort é o novo interesse sentido no valor do tipo de texto Ocidental.

    Em particular, o Códice Bezae veio à frente no Livro de Atos. O fraco apoio que o Códice Bezae tem em suas leituras peculiares em Atos (devido à ausência do Curetoniano Sírio e do Latim Antigo) torna difícil sempre avaliar o valor deste documento.

    Mas certamente essas leituras merecem consideração cuidadosa, e algumas delas podem ser corretas, independentemente da visão que se tenha do texto do Códice Bezae.
  4. Bornemann em 1848 argumentou que o Códice Bezae em Atos representava o texto original. Mas ele teve muito poucos seguidores.
  5. J. Rendel Harris (1891) procurou mostrar que o Códice Bezae (ele mesmo um manuscrito bilíngue) havia sido latinizado. Ele argumentou que já em 150 d. C. um manuscrito bilíngue existia. Mas esta teoria não ganhou um forte seguimento.
  6. Chase (1893) procurou mostrar que as peculiaridades eram devidas à tradução do siríaco.
  7. Blass em 1895 criou sensação ao argumentar em seu Comentário sobre Atos (Acta Apostolorum – 24) que Lucas havia emitido duas edições dos Atos, como ele mais tarde defendeu sobre o Evangelho de Lucas (Filologia dos Evangelhos – 1898).

    Em 1896 Blass publicou esta forma romana do texto de Atos (Acta Apostolorum, secundum Formam quae videtur Romanam). Blass chama esta primeira cópia bruta e não abreviada de Atos (beta) e considera que foi emitida em Roma.

    A edição posterior, abreviada e revisada, ele chama de alfa. Curiosamente, em Atos 11.28, o Códice Bezae tem “quando nos reunimos”, fazendo Lucas presente em Antioquia. A ideia de duas edições não é totalmente original com Blass.

    Leclerc, um filólogo holandês, havia sugerido a noção já no início do século XVIII. Bispo Lightfoot também a mencionou (Em uma Nova Revisão do Novo Testamento – Atos 29). Mas Blass trabalhou a questão e desafiou o mundo acadêmico com seu conjunto de argumentos.

    Ele não conquistou seu ponto com todos, embora tenha conquistado um seguimento respeitável.
  8. Hilgenfeld (Acta Apostolorum, etc. – Atos 1899) aceita a noção de duas edições, mas nega a identidade de autoria.
  9. Schmiedel (Enciclopédia Bíblica) ataca vigorosamente e longamente a posição de Blass, caso contrário “as conclusões alcançadas nas seções anteriores teriam que ser retiradas.” Ele chega às suas conclusões e depois demole Blass!

    Ele encontra pontos fracos na armadura de Blass, como outros fizeram (B. Weiss, Der Codex D in der Apostelgeschichte – Atos 1897 Page, Class. Rev. – Atos 1897 Harnack, The Acts of the Apostles – Atos 1909 45).
  10. Harnack (The Acts of the Apostles – Atos 48) duvida que Lucas tenha publicado formalmente o livro. Ele pensa que provavelmente não deu ao livro uma revisão final, e que amigos emitiram duas ou mais edições. Ele considera que a chamada recensão beta tem uma “série de interpolações” e, portanto, é posterior ao texto alfa.
  11. Ramsay (A Igreja no Império Romano – Atos 150 Paulo o Viajante – Atos 27 O Expositor – Atos 1895) considera o texto beta como uma revisão do século II por um copista que preservou algum testemunho muito valioso do texto do século II.
  12. Headlam (HDB) não acredita que o problema tenha sido cientificamente atacado ainda, mas que a solução reside na licença textual dos escribas do tipo Ocidental. Mas Headlam ainda é cauteloso com leituras “Ocidentais”.

    O fato é que as leituras ocidentais às vezes estão corretas contra as neutras. Não é necessário em Atos 11.20 dizer que Hellenas está nas autoridades ocidentais (AD, etc.) mas não é uma leitura ocidental.

    De qualquer forma, é cedo demais para dizer a palavra final sobre o texto de Atos, embora no geral o texto alfa ainda mantenha o campo contra o texto beta. O texto sírio é, claro, posterior e fora de questão.

Unidade do Livro. Não é fácil discutir essa questão, à parte da autoria. Mas elas não são exatamente as mesmas. Alguém pode estar convencido da unidade do livro e ainda não creditá-lo a Lucas, ou, de fato, a ninguém no primeiro século.

Claro, se Lucas for admitido como o autor do livro, todo o assunto é simplificado. Sua mão está em tudo, quaisquer que sejam as fontes que utilizou. Se Lucas não é o autor, ainda pode ter havido um historiador competente trabalhando, ou o livro pode ser uma mera compilação.

O primeiro passo, portanto, é atacar o problema da unidade. Holtzmann (Einl – Atos 383) considera Lucas como o autor das seções “nós” apenas. Schmiedel nega que os Atos sejam escritos por um companheiro de Paulo, embora seja pelo mesmo autor que o Evangelho que leva o nome de Lucas.

Em 1845 Schleiermacher creditou as seções “nós” a Timóteo, não a Lucas. Para um bom esboço das teorias de “fontes”, veja Knowling em Atos – Atos 25 Van Manen (1890) resolveu o livro em duas partes, Acta Petri e Acta Pauli, combinadas por um redator.

Sorof (1890) atribui uma fonte a Lucas, uma a Timóteo. Spitta também tem duas fontes (uma Paulino-Lucana e uma Judaico-Cristã) trabalhadas por um redator. Clemen (1905) tem quatro fontes (História dos Helenistas, História de Pedro, História de Paulo e uma Viagem de Paulo), todas trabalhadas por uma série de editores.

Hilgenfeld (1895) tem três fontes (Atos de Pedro, Atos dos Sete, Atos de Paulo). Jungst (1895) tem uma fonte paulina e uma fonte petrina. J. Weiss (1893) admite fontes, mas afirma que o livro tem unidade e um objetivo definido.

B. Weiss (1902) concebe uma fonte inicial para a primeira parte do livro. Harnack (The Acts of the Apostles – Atos 1909 41 f) tem pouca paciência com toda essa crítica cega: “Com eles o livro passa como uma compilação tardia de remendos, na qual a parte assumida pelo editor é insignificante, mas em todos os casos prejudicial; as seções ‘nós’ não são propriedade do autor, mas um extrato de uma fonte, ou mesmo uma ficção literária.” Ele acusa os críticos de “presunção aérea e desprezo altivo”.

Harnack fez um grande serviço ao peneirar cuidadosamente a questão em seu Lucas o Médico (1907). Ele fornece provas detalhadas de que as seções “nós” estão no mesmo estilo e pelo mesmo autor que o resto do livro (26-120).

Harnack não reivindica originalidade nesta linha de argumento: “Foi frequentemente afirmado e frequentemente provado que as seções ‘nós’ em vocabulário, sintaxe e estilo estão intimamente ligadas a todo o trabalho, e que esse trabalho, incluindo o Evangelho, apesar de toda diversidade em suas partes, é distinguido por uma grande unidade de forma literária” (Lucas o Médico – Atos 26).

Ele se refere à “demonstração esplêndida desta unidade” por Klostermann (Vindiciae Lucanae – Atos 1866), a B. Weiss, que “fez o melhor trabalho em demonstrar a unidade literária de todo o trabalho”, às “admiráveis contribuições” de Vogel (Zur Charakteristik des Lukas, etc. – 2 Aufl – Atos 1899) às “investigações ainda mais cuidadosas e minuciosas” de Hawkins (Horae Synopticae – Atos 1899 2ª edição – Atos 1909), ao trabalho de Hobart (A Linguagem Médica de Lucas – 1882), que “provou demais” (Lucas o Médico – Atos 175), mas “a evidência é de força esmagadora” (198).

Harnack só reivindica para si que fez o trabalho com mais detalhes e com mais precisão sem reivindicar demais (27). Mas a conversão de Harnack para esta visão de Atos é extremamente significativa. Não deveria ser mais necessário refutar as teorias de partição do livro, ou apresentar em detalhes as provas para a unidade do livro.

O Autor. Assumindo a unidade do livro, o argumento segue assim: O autor era um companheiro de Paulo. As seções “nós” provam isso (Atos 16.10-1 – Atos 20.6-16 – Atos 21 2 – Atos 28). Estas seções têm a plenitude de detalhes e descrição vívida natural a um testemunho ocular.

Este companheiro estava com Paulo na segunda viagem missionária em Troas e em Filipos, juntou-se novamente ao grupo de Paulo em Filipos no retorno a Jerusalém durante a terceira turnê, e provavelmente permaneceu com Paulo até que ele foi para Roma.

Alguns dos companheiros de Paulo vieram a ele em Roma: outros são tão descritos no livro a ponto de precluir a autoria. Aristarco, Áquila e Priscila, Erasto, Gaio, Marcos, Silas, Timóteo, Trófimo, Tíquico e outros mais ou menos insignificantes do ponto de vista da conexão com Paulo (como Crescente, Demas, Justo, Lino, Pudens, Sópater, etc.) são facilmente eliminados.

Curiosamente, Lucas e Tito não são mencionados em Atos pelo nome. Eles são pessoas distintas como é declarado em 2 Timóteo 4.10 f. Tito estava com Paulo em Jerusalém na conferência (Gálatas 2.1) e foi seu enviado especial a Corinto durante o tempo de problemas lá (2 Coríntios 2 – 2 Coríntios 12.18.) Ele estava mais tarde com Paulo em Creta (Tito 1.5).

Mas a ausência de menção de Tito em Atos pode ser devido ao fato de que ele era irmão de Lucas (compare 2 Coríntios 8.1 – 2 Coríntios 12.18). Então A. Souter em DCG, artigo “Lucas”. Se Lucas é o autor, é fácil entender por que seu nome não aparece.

Se Tito é seu irmão, a mesma explicação ocorre. Entre Lucas e Tito a linguagem médica de Atos argumenta por Lucas. O escritor era um médico. Este fato Hobart (A Linguagem Médica de Lucas – 1882) demonstrou.

Agora Lucas foi um companheiro de Paulo durante seu ministério posterior e era um médico. (Colossenses 4.14). Portanto, ele cumpre todos os requisitos do caso. O argumento até agora é apenas provável, é verdade; mas há a acrescentar o fato indubitável de que o mesmo escritor escreveu tanto o Evangelho quanto Atos (Atos 1.1).

A alusão direta ao Evangelho é reforçada pela identidade de estilo e método nos dois livros.

A evidência externa é clara sobre o assunto. Tanto o Evangelho quanto Atos são atribuídos a Lucas, o médico. O cânon Muratório atribui Atos a Lucas. No final do século II, a autoridade de Atos está tão estabelecida quanto a do Evangelho.

Ireneu, Tertuliano, Clemente de Alexandria, todos chamam Lucas de autor do livro. O argumento é completo. É ainda mais fortalecido pelo fato de que o ponto de vista do livro é Paulino e pela ausência de referências às epístolas de Paulo.

Se alguém que não fosse companheiro de Paulo tivesse escrito Atos, certamente teria feito algum uso delas. Incidentalmente, isso também é um argumento para a datação precoce de Atos. A prova que convenceu Harnack, líder da esquerda na Alemanha, a reconhecer a autoria Lucana de Atos deve convencer a todos dessa posição.Canonicidade.

O uso de Atos não aparece tão cedo ou tão frequentemente quanto é verdadeiro para os evangelhos e as epístolas paulinas. A razão é óbvia. As epístolas tinham um campo especial e os evangelhos apelavam a todos.

Somente gradualmente Atos circularia. A princípio encontramos alusões literárias sem o nome do livro ou autor. Mas Holtzmann admite o uso de Atos por Inácio, Justino Mártir, Policarpo. O uso do Evangelho segundo Lucas por Taciano e Marcião realmente revela conhecimento de Atos.

Mas em Ireneu frequentemente (Adv. Haer., i. 2 – Atos 1 etc.) Atos é creditado a Lucas e considerado Escritura. O Cânon de Muratori lista como Escritura. Tertuliano e Clemente de Alexandria atribuem o livro a Lucas e o tratam como Escritura.

Pelos tempos de Eusébio, o livro é geralmente reconhecido como parte do cânon. Certos partidos heréticos o rejeitam (como os ebionitas, marcionitas, maniqueístas). Mas a essa altura os cristãos passaram a dar ênfase à história, e o lugar de Atos agora está seguro no cânon.Data.

  1. Relações de Lucas com Josefo. A aceitação da autoria lucana resolve a questão de algumas das datas apresentadas pelos críticos. Schmiedel coloca a data de Atos entre 105 – Atos 130 d. C. Ele assume como provado que Lucas fez uso dos escritos de Josefo.Nunca foi possível levar muito a sério a alegação de que Atos mostra conhecimento de Josefo. As palavras citadas para provar isso são, em sua maioria, palavras não técnicas de uso comum. A única questão séria é a menção de Teudas e Judas, o Galileu em Atos 5.36 e Josefo (Ant., XX, v – 1 f).Em Josefo, os nomes ocorrem cerca de vinte linhas separadas e a semelhança é apenas leve. O uso de peitho em conexão com Teudas e apostesai sobre Judas é tudo o que requer atenção. Certamente, então, duas palavras comuns para “persuadir” e “revoltar” não são suficientes para convencer do uso de Josefo pelo escritor.A questão é mais do que compensada pelas diferenças nos dois relatos da morte de Herodes Agripa (Atos 12.19-23; Josefo, Ant, XVIII, vi – Atos 7 XIX, viii – 2). O argumento sobre Josefo pode ser definitivamente descartado do campo.Com isso, toda a base para uma data do século II desaparece. Outros argumentos foram aduzidos, como o uso das epístolas de Paulo, conhecimento de Plutarco, Arriano e Pausânias, por causa da imitação no método de trabalho (ou seja, vidas paralelas de Pedro e Paulo, períodos da história, etc.), correção de Ga em Atos (por exemplo, Gálatas 1.17-24 e Atos 9.26-30Gálatas 2.1-10 e Atos 15.1-33).O paralelo com Plutarco é fantasioso, enquanto o uso das epístolas de Paulo não é nada claro, a ausência de tal uso, de fato, sendo uma das características do livro. A variação de Gálatas é muito melhor explicada na suposição de que Lucas não viu as epístolas.
  2. 80 d. C. é o limite se o livro for creditado a Lucas. A maioria dos críticos modernos que aceitam a autoria lucana o colocam entre 70 – Atos 80 d. C. Assim Harnack, Lechler, Meyer, Ramsay, Sanday, Zahn. Esta opinião repousa principalmente na ideia de que o Evangelho segundo Lucas foi escrito após a destruição de Jerusalém em 70 d.C. Alega-se que Lucas 21.20 mostra que essa tragédia já havia ocorrido, em comparação com Marcos 13.14 e Mateus 24.15. Mas a menção de exércitos é muito geral, com certeza. A atenção também é chamada para a ausência do aviso em Lucas.Harnack admite que os argumentos a favor da data de 70 a 80 não são de forma alguma conclusivos. Ele escreve “para advertir os críticos contra um fechamento muito precipitado da questão cronológica.” Em seu novo livro, Harnack definitivamente aceita a data antes da destruição de Jerusalém.Lightfoot não daria data a Atos por causa da incerteza sobre a data do Evangelho.
  3. Antes de 70 d. C. Esta data é apoiada por Blass, Headlam, Maclean, Rackham, Salmon. Harnack, de fato, considera que “considerações muito importantes” argumentam pela data precoce. Ele agora defende a data precoce. É obviamente a maneira mais simples de entender o término de Atos por Lucas devido ao fato de Paulo ainda estar na prisão.Harnack argumenta que os esforços para explicar essa situação não são “totalmente satisfatórios ou muito esclarecedores”. Ele não menciona a morte de Paulo porque ele ainda estava vivo. O propósito dramático de levar Paulo a Roma é artificial.A suposição de um terceiro livro pelo uso de proton em Atos 1.1 é bastante gratuita, pois no Koiné, para não dizer o grego anterior, “primeiro” era frequentemente usado quando apenas dois eram mencionados (compare “nossa primeira história” e “segunda história”, “primeira esposa” e “segunda esposa”).O tom geral do livro é aquele que se teria naturalmente antes de 64 d. C. Após o incêndio de Roma e a destruição de Jerusalém, a atitude mantida no livro em relação aos romanos e judeus teria sido muito difícil, a menos que a data fosse muito tempo depois.Harnack deseja “ajudar uma dúvida a receber seus merecidos créditos.” Essa “dúvida” de Harnack está destinada a se tornar a certeza do futuro. O livro será, eu acho, finalmente creditado ao tempo de 63 d.C. em Roma. O Evangelho de Lucas pertencerá então naturalmente ao período do aprisionamento de Paulo em Cesaréia. O julgamento de Moffatt de que “não pode ser anterior a 80 d. C.” é completamente abalado pelo poderoso ataque de Harnack à sua própria posição anterior.

Fontes usadas por Lucas.

Se agora assumimos que Lucas é o autor de Atos, resta a questão sobre o caráter das fontes utilizadas por ele. Pode-se recorrer a Lucas 1.1-4 para o método geral do autor. Ele usou fontes orais e escritas.

Em Atos, a questão é um tanto simplificada pelo fato de Lucas ter sido companheiro de Paulo por uma parte considerável da narrativa (as seções “nós”, Atos 16.11-1 – Atos 20.5 – Atos 21.18 – Atos 27 – Atos 28). É mais do que provável que Lucas estava com Paulo também durante sua última estadia em Jerusalém e durante o aprisionamento em Cesaréia.

Não há razão para pensar que Lucas deixou Paulo repentinamente em Jerusalém e retornou a Cesaréia apenas quando começou a ir para Roma (Atos 27.1). A ausência de “nós” é natural aqui, já que não é uma narrativa de viagem, mas um esboço da prisão de Paulo e série de defesas.

A abundância de material aqui, como em Atos 20 – Atos 21 argumenta pela presença de Lucas. Mas de qualquer forma, Lucas teve acesso a Paulo mesmo para informações sobre esse período, como foi verdadeiro do segundo, de Atos 13 até o final do livro.

Lucas estava presente ou poderia ter aprendido com Paulo os fatos usados. Ele pode ter mantido um diário de viagem, que foi usado quando necessário. Lucas poderia ter feito anotações dos discursos de Paulo em Jerusalém (Atos 22) e Cesaréia (Atos 24.26).

Dessas, com a ajuda de Paulo, ele provavelmente compôs o relato da conversão de Paulo (Atos 9.1-30). Se, como eu acho que é verdade, o livro foi escrito durante o primeiro aprisionamento romano de Paulo, Lucas teve o benefício de apelar a Paulo em todos os pontos.

Mas, se assim for, ele foi completamente independente em estilo e assimilou seus materiais como um verdadeiro historiador. Paulo (e também Filipe para parte dele) foi uma testemunha das hostes sobre os eventos relativos a Estêvão em Atos 6.8-8:1 e um participante do trabalho em Antioquia (11:19-30).

Filipe, membro da companhia de Paulo (21:8) na última viagem a Jerusalém, provavelmente ainda estava em Cesaréia durante o confinamento de Paulo lá. Ele poderia ter contado a Lucas os eventos em Atos 6.1-7 – Atos 8.4-40.

Em Cesaréia também a história do trabalho de Pedro pode ter sido derivada, possivelmente até do próprio Cornélio (9:32-11:18). Se Lucas foi ou não a Antioquia, não sabemos (Codex Bezae tem “nós” em Atos 11.28), embora ele possa ter tido acesso às tradições Antioquianas.

Mas ele foi a Jerusalém. No entanto, a narrativa em Atos 12 provavelmente se baseia na autoridade de João Marcos (Atos 12.12,25), na casa de cuja mãe os discípulos se reuniram. Lucas aparentemente se encontrou com Marcos em Roma (Colossenses 4.10), se não antes.

Para Atos 1.5, a questão não parece tão clara a princípio, mas esses capítulos não são necessariamente desacreditados por isso. É notável, já que os historiadores antigos faziam tão poucas menções de suas fontes, que podemos conectar Lucas em Atos com tantas fontes prováveis de evidência.

Barnabé (4:36) foi capaz de contar muito sobre a origem do trabalho em Jerusalém. O mesmo poderia Mnason. Filipe também era um dos sete (6: – Atos 21.8). Não sabemos que Lucas encontrou Pedro em Roma, embora isso seja possível.

Mas durante a estadia em Jerusalém e Cesaréia (dois anos) Lucas teve ampla oportunidade de aprender a narrativa dos grandes eventos contados em Atos 1.5. Ele talvez tenha usado fontes orais e escritas para esta seção.

Não se pode, é claro, provar por argumentos linguísticos ou históricos a natureza precisa das fontes de Lucas em Atos. Apenas em linhas gerais os materiais prováveis podem ser esboçados.

Orr, James, M.A., D.D. Editor Geral. “Entrada para ‘ATOS DOS APÓSTOLOS – 1.7′”. “Enciclopédia Bíblica Padrão Internacional”. 1915.

Atos dos Apóstolos – 1.7 – Enciclopédia Internacional da Bíblia Padrão

Atos dos Apóstolos – 1.7

A obra originalmente pode não ter tido título. Os manuscritos apresentam o título em várias formas. Aleph (na inscrição) tem apenas “Atos” (Praxeis). Assim Tischendorf, enquanto Orígenes, Dídimo e Eusébio citam de “Os Atos”.

Mas BD Aleph (na subscrição) têm “Atos dos Apóstolos” ou “Os Atos dos Apóstolos” (Praxeis Apostolon). Ligeiramente diferente é o título em 31,61, e muitos outros cursivos (Praxeis ton Apostolon). Alguns pais da igreja (Clemente de Alexandria, Orígenes, Dionísio de Alexandria, Cirilo de Jerusalém, Crisóstomo) citam como “Os Atos dos Apóstolos” (Hai Praxeis ton Apostolon).

Finalmente A2 EGH o dão na forma “Atos dos Santos Apóstolos” (Praxeis ton Hagion Apostolon). A versão Memphítica tem “Os Atos dos Santos Apóstolos”. Claramente, então, não havia um único título que obtivesse aceitação geral.

Texto.

  1. Os principais documentos são os Unciais Primários (Códice Sinaiticus, Códice Alexandrinus, Códice Vaticanus, Códice Ephraemi Rescriptus, Códice Bezae), Códice Laudianus (E) que é um Uncial bilíngue confinado aos Atos, Unciais posteriores como Códice Modena, Códice Regius, Códice do Código Sacerdotal (P), os Cursivos, a Vulgata, a Peshitta e o Siríaco Harclean e citações dos Pais da Igreja.

    Sentimos falta do Curetoniano e do Sinaiticus Siríaco, e temos apenas testemunho fragmentário do Latim Antigo.
  2. As edições modernas dos Atos apresentam os tipos de texto (Textus Receptus; a Versão Revisada (Britânica e Americana); o texto crítico como o de Westcott e Hort, O Novo Testamento em Grego ou Nestle ou Weiss ou von Soden).

    Esses três tipos não correspondem com as quatro classes de texto (Sírio, Ocidental, Alexandrino, Neutro) delineadas por Hort em sua Introdução ao Novo Testamento em Grego (1882). As quatro classes estão amplamente representadas nos documentos que nos dão Atos.

    Nenhum editor moderno do Novo Testamento grego nos deu o tipo textual Ocidental ou Alexandrino, embora Bornemann tenha argumentado pela originalidade do tipo Ocidental em Atos. Mas o Textus Receptus do Novo Testamento (3ª edição de Stephanus em 1550) foi a base da Versão King James de 1611.

    Esta edição do Novo Testamento grego fez uso de muito poucos manuscritos, e todos eles tardios, exceto o Códice Bezae, que foi considerado muito excêntrico para seguir. Portanto, a Versão King James representa o tipo de texto Sírio que pode ter sido editado em Antioquia no século IV.

    Vários erros menores podem ter se infiltrado desde aquela data, mas substancialmente a recensão Síria é o texto da Versão King James hoje. Onde este texto está sozinho, é considerado por quase todos os estudiosos modernos como errôneo, embora o Deão Burgon tenha lutado arduamente pela originalidade do texto Sírio (The Revision Revised – 1882).

    O texto de Westcott e Hort, O Novo Testamento em Grego é praticamente o de Códice Vaticanus, que é considerado o tipo Neutro de texto. Nestle, von Soden, Weiss não diferem muito do texto de Westcott e Hort, embora von Soden e Weiss ataquem o problema por linhas independentes.

    O texto da Versão Revisada (Britânica e Americana) é, em certo sentido, um compromisso entre o da Versão King James e o texto crítico, embora se aproxime bastante do texto crítico.
  3. O tipo de texto Ocidental tem sua principal significância em Atos. É o mérito do falecido Friedrich Blass, o famoso classicista da Alemanha, ter mostrado que nos escritos de Lucas (Evangelho e Atos) a classe Ocidental (especialmente D) tem suas características mais marcantes.

    Este fato é totalmente independente da teoria avançada por Blass que será discutida diretamente. O principal interesse moderno contra as teorias de Westcott e Hort é o novo interesse sentido no valor do tipo de texto Ocidental.

    Em particular, o Códice Bezae veio à frente no Livro de Atos. O fraco apoio que o Códice Bezae tem em suas leituras peculiares em Atos (devido à ausência do Curetoniano Sírio e do Latim Antigo) torna difícil sempre avaliar o valor deste documento.

    Mas certamente essas leituras merecem consideração cuidadosa, e algumas delas podem ser corretas, independentemente da visão que se tenha do texto do Códice Bezae.
  4. Bornemann em 1848 argumentou que o Códice Bezae em Atos representava o texto original. Mas ele teve muito poucos seguidores.
  5. J. Rendel Harris (1891) procurou mostrar que o Códice Bezae (ele mesmo um manuscrito bilíngue) havia sido latinizado. Ele argumentou que já em 150 d. C. um manuscrito bilíngue existia. Mas esta teoria não ganhou um forte seguimento.
  6. Chase (1893) procurou mostrar que as peculiaridades eram devidas à tradução do siríaco.
  7. Blass em 1895 criou sensação ao argumentar em seu Comentário sobre Atos (Acta Apostolorum – 24) que Lucas havia emitido duas edições dos Atos, como ele mais tarde defendeu sobre o Evangelho de Lucas (Filologia dos Evangelhos – 1898).

    Em 1896 Blass publicou esta forma romana do texto de Atos (Acta Apostolorum, secundum Formam quae videtur Romanam). Blass chama esta primeira cópia bruta e não abreviada de Atos (beta) e considera que foi emitida em Roma.

    A edição posterior, abreviada e revisada, ele chama de alfa. Curiosamente, em Atos 11.28, o Códice Bezae tem “quando nos reunimos”, fazendo Lucas presente em Antioquia. A ideia de duas edições não é totalmente original com Blass.

    Leclerc, um filólogo holandês, havia sugerido a noção já no início do século XVIII. Bispo Lightfoot também a mencionou (Em uma Nova Revisão do Novo Testamento – Atos 29). Mas Blass trabalhou a questão e desafiou o mundo acadêmico com seu conjunto de argumentos.

    Ele não conquistou seu ponto com todos, embora tenha conquistado um seguimento respeitável.
  8. Hilgenfeld (Acta Apostolorum, etc. – Atos 1899) aceita a noção de duas edições, mas nega a identidade de autoria.
  9. Schmiedel (Enciclopédia Bíblica) ataca vigorosamente e longamente a posição de Blass, caso contrário “as conclusões alcançadas nas seções anteriores teriam que ser retiradas.” Ele chega às suas conclusões e depois demole Blass!

    Ele encontra pontos fracos na armadura de Blass, como outros fizeram (B. Weiss, Der Codex D in der Apostelgeschichte – Atos 1897 Page, Class. Rev. – Atos 1897 Harnack, The Acts of the Apostles – Atos 1909 45).
  10. Harnack (The Acts of the Apostles – Atos 48) duvida que Lucas tenha publicado formalmente o livro. Ele pensa que provavelmente não deu ao livro uma revisão final, e que amigos emitiram duas ou mais edições. Ele considera que a chamada recensão beta tem uma “série de interpolações” e, portanto, é posterior ao texto alfa.
  11. Ramsay (A Igreja no Império Romano – Atos 150 Paulo o Viajante – Atos 27 O Expositor – Atos 1895) considera o texto beta como uma revisão do século II por um copista que preservou algum testemunho muito valioso do texto do século II.
  12. Headlam (HDB) não acredita que o problema tenha sido cientificamente atacado ainda, mas que a solução reside na licença textual dos escribas do tipo Ocidental. Mas Headlam ainda é cauteloso com leituras “Ocidentais”.

    O fato é que as leituras ocidentais às vezes estão corretas contra as neutras. Não é necessário em Atos 11.20 dizer que Hellenas está nas autoridades ocidentais (AD, etc.) mas não é uma leitura ocidental.

    De qualquer forma, é cedo demais para dizer a palavra final sobre o texto de Atos, embora no geral o texto alfa ainda mantenha o campo contra o texto beta. O texto sírio é, claro, posterior e fora de questão.

Unidade do Livro. Não é fácil discutir essa questão, à parte da autoria. Mas elas não são exatamente as mesmas. Alguém pode estar convencido da unidade do livro e ainda não creditá-lo a Lucas, ou, de fato, a ninguém no primeiro século.

Claro, se Lucas for admitido como o autor do livro, todo o assunto é simplificado. Sua mão está em tudo, quaisquer que sejam as fontes que utilizou. Se Lucas não é o autor, ainda pode ter havido um historiador competente trabalhando, ou o livro pode ser uma mera compilação.

O primeiro passo, portanto, é atacar o problema da unidade. Holtzmann (Einl – Atos 383) considera Lucas como o autor das seções “nós” apenas. Schmiedel nega que os Atos sejam escritos por um companheiro de Paulo, embora seja pelo mesmo autor que o Evangelho que leva o nome de Lucas.

Em 1845 Schleiermacher creditou as seções “nós” a Timóteo, não a Lucas. Para um bom esboço das teorias de “fontes”, veja Knowling em Atos – Atos 25 Van Manen (1890) resolveu o livro em duas partes, Acta Petri e Acta Pauli, combinadas por um redator.

Sorof (1890) atribui uma fonte a Lucas, uma a Timóteo. Spitta também tem duas fontes (uma Paulino-Lucana e uma Judaico-Cristã) trabalhadas por um redator. Clemen (1905) tem quatro fontes (História dos Helenistas, História de Pedro, História de Paulo e uma Viagem de Paulo), todas trabalhadas por uma série de editores.

Hilgenfeld (1895) tem três fontes (Atos de Pedro, Atos dos Sete, Atos de Paulo). Jungst (1895) tem uma fonte paulina e uma fonte petrina. J. Weiss (1893) admite fontes, mas afirma que o livro tem unidade e um objetivo definido.

B. Weiss (1902) concebe uma fonte inicial para a primeira parte do livro. Harnack (The Acts of the Apostles – Atos 1909 41 f) tem pouca paciência com toda essa crítica cega: “Com eles o livro passa como uma compilação tardia de remendos, na qual a parte assumida pelo editor é insignificante, mas em todos os casos prejudicial; as seções ‘nós’ não são propriedade do autor, mas um extrato de uma fonte, ou mesmo uma ficção literária.” Ele acusa os críticos de “presunção aérea e desprezo altivo”.

Harnack fez um grande serviço ao peneirar cuidadosamente a questão em seu Lucas o Médico (1907). Ele fornece provas detalhadas de que as seções “nós” estão no mesmo estilo e pelo mesmo autor que o resto do livro (26-120).

Harnack não reivindica originalidade nesta linha de argumento: “Foi frequentemente afirmado e frequentemente provado que as seções ‘nós’ em vocabulário, sintaxe e estilo estão intimamente ligadas a todo o trabalho, e que esse trabalho, incluindo o Evangelho, apesar de toda diversidade em suas partes, é distinguido por uma grande unidade de forma literária” (Lucas o Médico – Atos 26).

Ele se refere à “demonstração esplêndida desta unidade” por Klostermann (Vindiciae Lucanae – Atos 1866), a B. Weiss, que “fez o melhor trabalho em demonstrar a unidade literária de todo o trabalho”, às “admiráveis contribuições” de Vogel (Zur Charakteristik des Lukas, etc. – 2 Aufl – Atos 1899) às “investigações ainda mais cuidadosas e minuciosas” de Hawkins (Horae Synopticae – Atos 1899 2ª edição – Atos 1909), ao trabalho de Hobart (A Linguagem Médica de Lucas – 1882), que “provou demais” (Lucas o Médico – Atos 175), mas “a evidência é de força esmagadora” (198).

Harnack só reivindica para si que fez o trabalho com mais detalhes e com mais precisão sem reivindicar demais (27). Mas a conversão de Harnack para esta visão de Atos é extremamente significativa. Não deveria ser mais necessário refutar as teorias de partição do livro, ou apresentar em detalhes as provas para a unidade do livro.

O Autor. Assumindo a unidade do livro, o argumento segue assim: O autor era um companheiro de Paulo. As seções “nós” provam isso (Atos 16.10-1 – Atos 20.6-16 – Atos 21 2 – Atos 28). Estas seções têm a plenitude de detalhes e descrição vívida natural a um testemunho ocular.

Este companheiro estava com Paulo na segunda viagem missionária em Troas e em Filipos, juntou-se novamente ao grupo de Paulo em Filipos no retorno a Jerusalém durante a terceira turnê, e provavelmente permaneceu com Paulo até que ele foi para Roma.

Alguns dos companheiros de Paulo vieram a ele em Roma: outros são tão descritos no livro a ponto de precluir a autoria. Aristarco, Áquila e Priscila, Erasto, Gaio, Marcos, Silas, Timóteo, Trófimo, Tíquico e outros mais ou menos insignificantes do ponto de vista da conexão com Paulo (como Crescente, Demas, Justo, Lino, Pudens, Sópater, etc.) são facilmente eliminados.

Curiosamente, Lucas e Tito não são mencionados em Atos pelo nome. Eles são pessoas distintas como é declarado em 2 Timóteo 4.10 f. Tito estava com Paulo em Jerusalém na conferência (Gálatas 2.1) e foi seu enviado especial a Corinto durante o tempo de problemas lá (2 Coríntios 2 – 2 Coríntios 12.18.) Ele estava mais tarde com Paulo em Creta (Tito 1.5).

Mas a ausência de menção de Tito em Atos pode ser devido ao fato de que ele era irmão de Lucas (compare 2 Coríntios 8.1 – 2 Coríntios 12.18). Então A. Souter em DCG, artigo “Lucas”. Se Lucas é o autor, é fácil entender por que seu nome não aparece.

Se Tito é seu irmão, a mesma explicação ocorre. Entre Lucas e Tito a linguagem médica de Atos argumenta por Lucas. O escritor era um médico. Este fato Hobart (A Linguagem Médica de Lucas – 1882) demonstrou.

Agora Lucas foi um companheiro de Paulo durante seu ministério posterior e era um médico. (Colossenses 4.14). Portanto, ele cumpre todos os requisitos do caso. O argumento até agora é apenas provável, é verdade; mas há a acrescentar o fato indubitável de que o mesmo escritor escreveu tanto o Evangelho quanto Atos (Atos 1.1).

A alusão direta ao Evangelho é reforçada pela identidade de estilo e método nos dois livros.

A evidência externa é clara sobre o assunto. Tanto o Evangelho quanto Atos são atribuídos a Lucas, o médico. O cânon Muratório atribui Atos a Lucas. No final do século II, a autoridade de Atos está tão estabelecida quanto a do Evangelho.

Ireneu, Tertuliano, Clemente de Alexandria, todos chamam Lucas de autor do livro. O argumento é completo. É ainda mais fortalecido pelo fato de que o ponto de vista do livro é Paulino e pela ausência de referências às epístolas de Paulo.

Se alguém que não fosse companheiro de Paulo tivesse escrito Atos, certamente teria feito algum uso delas. Incidentalmente, isso também é um argumento para a datação precoce de Atos. A prova que convenceu Harnack, líder da esquerda na Alemanha, a reconhecer a autoria Lucana de Atos deve convencer a todos dessa posição.Canonicidade.

O uso de Atos não aparece tão cedo ou tão frequentemente quanto é verdadeiro para os evangelhos e as epístolas paulinas. A razão é óbvia. As epístolas tinham um campo especial e os evangelhos apelavam a todos.

Somente gradualmente Atos circularia. A princípio encontramos alusões literárias sem o nome do livro ou autor. Mas Holtzmann admite o uso de Atos por Inácio, Justino Mártir, Policarpo. O uso do Evangelho segundo Lucas por Taciano e Marcião realmente revela conhecimento de Atos.

Mas em Ireneu frequentemente (Adv. Haer., i. 2 – Atos 1 etc.) Atos é creditado a Lucas e considerado Escritura. O Cânon de Muratori lista como Escritura. Tertuliano e Clemente de Alexandria atribuem o livro a Lucas e o tratam como Escritura.

Pelos tempos de Eusébio, o livro é geralmente reconhecido como parte do cânon. Certos partidos heréticos o rejeitam (como os ebionitas, marcionitas, maniqueístas). Mas a essa altura os cristãos passaram a dar ênfase à história, e o lugar de Atos agora está seguro no cânon.Data.

  1. Relações de Lucas com Josefo. A aceitação da autoria lucana resolve a questão de algumas das datas apresentadas pelos críticos. Schmiedel coloca a data de Atos entre 105 – Atos 130 d. C. Ele assume como provado que Lucas fez uso dos escritos de Josefo.Nunca foi possível levar muito a sério a alegação de que Atos mostra conhecimento de Josefo. As palavras citadas para provar isso são, em sua maioria, palavras não técnicas de uso comum. A única questão séria é a menção de Teudas e Judas, o Galileu em Atos 5.36 e Josefo (Ant., XX, v – 1 f).Em Josefo, os nomes ocorrem cerca de vinte linhas separadas e a semelhança é apenas leve. O uso de peitho em conexão com Teudas e apostesai sobre Judas é tudo o que requer atenção. Certamente, então, duas palavras comuns para “persuadir” e “revoltar” não são suficientes para convencer do uso de Josefo pelo escritor.A questão é mais do que compensada pelas diferenças nos dois relatos da morte de Herodes Agripa (Atos 12.19-23; Josefo, Ant, XVIII, vi – Atos 7 XIX, viii – 2). O argumento sobre Josefo pode ser definitivamente descartado do campo.Com isso, toda a base para uma data do século II desaparece. Outros argumentos foram aduzidos, como o uso das epístolas de Paulo, conhecimento de Plutarco, Arriano e Pausânias, por causa da imitação no método de trabalho (ou seja, vidas paralelas de Pedro e Paulo, períodos da história, etc.), correção de Ga em Atos (por exemplo, Gálatas 1.17-24 e Atos 9.26-30Gálatas 2.1-10 e Atos 15.1-33).O paralelo com Plutarco é fantasioso, enquanto o uso das epístolas de Paulo não é nada claro, a ausência de tal uso, de fato, sendo uma das características do livro. A variação de Gálatas é muito melhor explicada na suposição de que Lucas não viu as epístolas.
  2. 80 d. C. é o limite se o livro for creditado a Lucas. A maioria dos críticos modernos que aceitam a autoria lucana o colocam entre 70 – Atos 80 d. C. Assim Harnack, Lechler, Meyer, Ramsay, Sanday, Zahn. Esta opinião repousa principalmente na ideia de que o Evangelho segundo Lucas foi escrito após a destruição de Jerusalém em 70 d.C. Alega-se que Lucas 21.20 mostra que essa tragédia já havia ocorrido, em comparação com Marcos 13.14 e Mateus 24.15. Mas a menção de exércitos é muito geral, com certeza. A atenção também é chamada para a ausência do aviso em Lucas.Harnack admite que os argumentos a favor da data de 70 a 80 não são de forma alguma conclusivos. Ele escreve “para advertir os críticos contra um fechamento muito precipitado da questão cronológica.” Em seu novo livro, Harnack definitivamente aceita a data antes da destruição de Jerusalém.Lightfoot não daria data a Atos por causa da incerteza sobre a data do Evangelho.
  3. Antes de 70 d. C. Esta data é apoiada por Blass, Headlam, Maclean, Rackham, Salmon. Harnack, de fato, considera que “considerações muito importantes” argumentam pela data precoce. Ele agora defende a data precoce. É obviamente a maneira mais simples de entender o término de Atos por Lucas devido ao fato de Paulo ainda estar na prisão.Harnack argumenta que os esforços para explicar essa situação não são “totalmente satisfatórios ou muito esclarecedores”. Ele não menciona a morte de Paulo porque ele ainda estava vivo. O propósito dramático de levar Paulo a Roma é artificial.A suposição de um terceiro livro pelo uso de proton em Atos 1.1 é bastante gratuita, pois no Koiné, para não dizer o grego anterior, “primeiro” era frequentemente usado quando apenas dois eram mencionados (compare “nossa primeira história” e “segunda história”, “primeira esposa” e “segunda esposa”).O tom geral do livro é aquele que se teria naturalmente antes de 64 d. C. Após o incêndio de Roma e a destruição de Jerusalém, a atitude mantida no livro em relação aos romanos e judeus teria sido muito difícil, a menos que a data fosse muito tempo depois.Harnack deseja “ajudar uma dúvida a receber seus merecidos créditos.” Essa “dúvida” de Harnack está destinada a se tornar a certeza do futuro. O livro será, eu acho, finalmente creditado ao tempo de 63 d.C. em Roma. O Evangelho de Lucas pertencerá então naturalmente ao período do aprisionamento de Paulo em Cesaréia. O julgamento de Moffatt de que “não pode ser anterior a 80 d. C.” é completamente abalado pelo poderoso ataque de Harnack à sua própria posição anterior.

Fontes usadas por Lucas.

Se agora assumimos que Lucas é o autor de Atos, resta a questão sobre o caráter das fontes utilizadas por ele. Pode-se recorrer a Lucas 1.1-4 para o método geral do autor. Ele usou fontes orais e escritas.

Em Atos, a questão é um tanto simplificada pelo fato de Lucas ter sido companheiro de Paulo por uma parte considerável da narrativa (as seções “nós”, Atos 16.11-1 – Atos 20.5 – Atos 21.18 – Atos 27 – Atos 28). É mais do que provável que Lucas estava com Paulo também durante sua última estadia em Jerusalém e durante o aprisionamento em Cesaréia.

Não há razão para pensar que Lucas deixou Paulo repentinamente em Jerusalém e retornou a Cesaréia apenas quando começou a ir para Roma (Atos 27.1). A ausência de “nós” é natural aqui, já que não é uma narrativa de viagem, mas um esboço da prisão de Paulo e série de defesas.

A abundância de material aqui, como em Atos 20 – Atos 21 argumenta pela presença de Lucas. Mas de qualquer forma, Lucas teve acesso a Paulo mesmo para informações sobre esse período, como foi verdadeiro do segundo, de Atos 13 até o final do livro.

Lucas estava presente ou poderia ter aprendido com Paulo os fatos usados. Ele pode ter mantido um diário de viagem, que foi usado quando necessário. Lucas poderia ter feito anotações dos discursos de Paulo em Jerusalém (Atos 22) e Cesaréia (Atos 24.26).

Dessas, com a ajuda de Paulo, ele provavelmente compôs o relato da conversão de Paulo (Atos 9.1-30). Se, como eu acho que é verdade, o livro foi escrito durante o primeiro aprisionamento romano de Paulo, Lucas teve o benefício de apelar a Paulo em todos os pontos.

Mas, se assim for, ele foi completamente independente em estilo e assimilou seus materiais como um verdadeiro historiador. Paulo (e também Filipe para parte dele) foi uma testemunha das hostes sobre os eventos relativos a Estêvão em Atos 6.8-8:1 e um participante do trabalho em Antioquia (11:19-30).

Filipe, membro da companhia de Paulo (21:8) na última viagem a Jerusalém, provavelmente ainda estava em Cesaréia durante o confinamento de Paulo lá. Ele poderia ter contado a Lucas os eventos em Atos 6.1-7 – Atos 8.4-40.

Em Cesaréia também a história do trabalho de Pedro pode ter sido derivada, possivelmente até do próprio Cornélio (9:32-11:18). Se Lucas foi ou não a Antioquia, não sabemos (Codex Bezae tem “nós” em Atos 11.28), embora ele possa ter tido acesso às tradições Antioquianas.

Mas ele foi a Jerusalém. No entanto, a narrativa em Atos 12 provavelmente se baseia na autoridade de João Marcos (Atos 12.12,25), na casa de cuja mãe os discípulos se reuniram. Lucas aparentemente se encontrou com Marcos em Roma (Colossenses 4.10), se não antes.

Para Atos 1.5, a questão não parece tão clara a princípio, mas esses capítulos não são necessariamente desacreditados por isso. É notável, já que os historiadores antigos faziam tão poucas menções de suas fontes, que podemos conectar Lucas em Atos com tantas fontes prováveis de evidência.

Barnabé (4:36) foi capaz de contar muito sobre a origem do trabalho em Jerusalém. O mesmo poderia Mnason. Filipe também era um dos sete (6: – Atos 21.8). Não sabemos que Lucas encontrou Pedro em Roma, embora isso seja possível.

Mas durante a estadia em Jerusalém e Cesaréia (dois anos) Lucas teve ampla oportunidade de aprender a narrativa dos grandes eventos contados em Atos 1.5. Ele talvez tenha usado fontes orais e escritas para esta seção.

Não se pode, é claro, provar por argumentos linguísticos ou históricos a natureza precisa das fontes de Lucas em Atos. Apenas em linhas gerais os materiais prováveis podem ser esboçados.

Orr, James, M.A., D.D. Editor Geral. “Entrada para ‘ATOS DOS APÓSTOLOS – 1.7′”. “Enciclopédia Bíblica Padrão Internacional”. 1915.

Atos dos Apóstolos – 1.7 – Enciclopédia Internacional da Bíblia Padrão

Atos dos Apóstolos – 1.7

A obra originalmente pode não ter tido título. Os manuscritos apresentam o título em várias formas. Aleph (na inscrição) tem apenas “Atos” (Praxeis). Assim Tischendorf, enquanto Orígenes, Dídimo e Eusébio citam de “Os Atos”.

Mas BD Aleph (na subscrição) têm “Atos dos Apóstolos” ou “Os Atos dos Apóstolos” (Praxeis Apostolon). Ligeiramente diferente é o título em 31,61, e muitos outros cursivos (Praxeis ton Apostolon). Alguns pais da igreja (Clemente de Alexandria, Orígenes, Dionísio de Alexandria, Cirilo de Jerusalém, Crisóstomo) citam como “Os Atos dos Apóstolos” (Hai Praxeis ton Apostolon).

Finalmente A2 EGH o dão na forma “Atos dos Santos Apóstolos” (Praxeis ton Hagion Apostolon). A versão Memphítica tem “Os Atos dos Santos Apóstolos”. Claramente, então, não havia um único título que obtivesse aceitação geral.

Texto.

  1. Os principais documentos são os Unciais Primários (Códice Sinaiticus, Códice Alexandrinus, Códice Vaticanus, Códice Ephraemi Rescriptus, Códice Bezae), Códice Laudianus (E) que é um Uncial bilíngue confinado aos Atos, Unciais posteriores como Códice Modena, Códice Regius, Códice do Código Sacerdotal (P), os Cursivos, a Vulgata, a Peshitta e o Siríaco Harclean e citações dos Pais da Igreja.

    Sentimos falta do Curetoniano e do Sinaiticus Siríaco, e temos apenas testemunho fragmentário do Latim Antigo.
  2. As edições modernas dos Atos apresentam os tipos de texto (Textus Receptus; a Versão Revisada (Britânica e Americana); o texto crítico como o de Westcott e Hort, O Novo Testamento em Grego ou Nestle ou Weiss ou von Soden).

    Esses três tipos não correspondem com as quatro classes de texto (Sírio, Ocidental, Alexandrino, Neutro) delineadas por Hort em sua Introdução ao Novo Testamento em Grego (1882). As quatro classes estão amplamente representadas nos documentos que nos dão Atos.

    Nenhum editor moderno do Novo Testamento grego nos deu o tipo textual Ocidental ou Alexandrino, embora Bornemann tenha argumentado pela originalidade do tipo Ocidental em Atos. Mas o Textus Receptus do Novo Testamento (3ª edição de Stephanus em 1550) foi a base da Versão King James de 1611.

    Esta edição do Novo Testamento grego fez uso de muito poucos manuscritos, e todos eles tardios, exceto o Códice Bezae, que foi considerado muito excêntrico para seguir. Portanto, a Versão King James representa o tipo de texto Sírio que pode ter sido editado em Antioquia no século IV.

    Vários erros menores podem ter se infiltrado desde aquela data, mas substancialmente a recensão Síria é o texto da Versão King James hoje. Onde este texto está sozinho, é considerado por quase todos os estudiosos modernos como errôneo, embora o Deão Burgon tenha lutado arduamente pela originalidade do texto Sírio (The Revision Revised – 1882).

    O texto de Westcott e Hort, O Novo Testamento em Grego é praticamente o de Códice Vaticanus, que é considerado o tipo Neutro de texto. Nestle, von Soden, Weiss não diferem muito do texto de Westcott e Hort, embora von Soden e Weiss ataquem o problema por linhas independentes.

    O texto da Versão Revisada (Britânica e Americana) é, em certo sentido, um compromisso entre o da Versão King James e o texto crítico, embora se aproxime bastante do texto crítico.
  3. O tipo de texto Ocidental tem sua principal significância em Atos. É o mérito do falecido Friedrich Blass, o famoso classicista da Alemanha, ter mostrado que nos escritos de Lucas (Evangelho e Atos) a classe Ocidental (especialmente D) tem suas características mais marcantes.

    Este fato é totalmente independente da teoria avançada por Blass que será discutida diretamente. O principal interesse moderno contra as teorias de Westcott e Hort é o novo interesse sentido no valor do tipo de texto Ocidental.

    Em particular, o Códice Bezae veio à frente no Livro de Atos. O fraco apoio que o Códice Bezae tem em suas leituras peculiares em Atos (devido à ausência do Curetoniano Sírio e do Latim Antigo) torna difícil sempre avaliar o valor deste documento.

    Mas certamente essas leituras merecem consideração cuidadosa, e algumas delas podem ser corretas, independentemente da visão que se tenha do texto do Códice Bezae.
  4. Bornemann em 1848 argumentou que o Códice Bezae em Atos representava o texto original. Mas ele teve muito poucos seguidores.
  5. J. Rendel Harris (1891) procurou mostrar que o Códice Bezae (ele mesmo um manuscrito bilíngue) havia sido latinizado. Ele argumentou que já em 150 d. C. um manuscrito bilíngue existia. Mas esta teoria não ganhou um forte seguimento.
  6. Chase (1893) procurou mostrar que as peculiaridades eram devidas à tradução do siríaco.
  7. Blass em 1895 criou sensação ao argumentar em seu Comentário sobre Atos (Acta Apostolorum – 24) que Lucas havia emitido duas edições dos Atos, como ele mais tarde defendeu sobre o Evangelho de Lucas (Filologia dos Evangelhos – 1898).

    Em 1896 Blass publicou esta forma romana do texto de Atos (Acta Apostolorum, secundum Formam quae videtur Romanam). Blass chama esta primeira cópia bruta e não abreviada de Atos (beta) e considera que foi emitida em Roma.

    A edição posterior, abreviada e revisada, ele chama de alfa. Curiosamente, em Atos 11.28, o Códice Bezae tem “quando nos reunimos”, fazendo Lucas presente em Antioquia. A ideia de duas edições não é totalmente original com Blass.

    Leclerc, um filólogo holandês, havia sugerido a noção já no início do século XVIII. Bispo Lightfoot também a mencionou (Em uma Nova Revisão do Novo Testamento – Atos 29). Mas Blass trabalhou a questão e desafiou o mundo acadêmico com seu conjunto de argumentos.

    Ele não conquistou seu ponto com todos, embora tenha conquistado um seguimento respeitável.
  8. Hilgenfeld (Acta Apostolorum, etc. – Atos 1899) aceita a noção de duas edições, mas nega a identidade de autoria.
  9. Schmiedel (Enciclopédia Bíblica) ataca vigorosamente e longamente a posição de Blass, caso contrário “as conclusões alcançadas nas seções anteriores teriam que ser retiradas.” Ele chega às suas conclusões e depois demole Blass!

    Ele encontra pontos fracos na armadura de Blass, como outros fizeram (B. Weiss, Der Codex D in der Apostelgeschichte – Atos 1897 Page, Class. Rev. – Atos 1897 Harnack, The Acts of the Apostles – Atos 1909 45).
  10. Harnack (The Acts of the Apostles – Atos 48) duvida que Lucas tenha publicado formalmente o livro. Ele pensa que provavelmente não deu ao livro uma revisão final, e que amigos emitiram duas ou mais edições. Ele considera que a chamada recensão beta tem uma “série de interpolações” e, portanto, é posterior ao texto alfa.
  11. Ramsay (A Igreja no Império Romano – Atos 150 Paulo o Viajante – Atos 27 O Expositor – Atos 1895) considera o texto beta como uma revisão do século II por um copista que preservou algum testemunho muito valioso do texto do século II.
  12. Headlam (HDB) não acredita que o problema tenha sido cientificamente atacado ainda, mas que a solução reside na licença textual dos escribas do tipo Ocidental. Mas Headlam ainda é cauteloso com leituras “Ocidentais”.

    O fato é que as leituras ocidentais às vezes estão corretas contra as neutras. Não é necessário em Atos 11.20 dizer que Hellenas está nas autoridades ocidentais (AD, etc.) mas não é uma leitura ocidental.

    De qualquer forma, é cedo demais para dizer a palavra final sobre o texto de Atos, embora no geral o texto alfa ainda mantenha o campo contra o texto beta. O texto sírio é, claro, posterior e fora de questão.

Unidade do Livro. Não é fácil discutir essa questão, à parte da autoria. Mas elas não são exatamente as mesmas. Alguém pode estar convencido da unidade do livro e ainda não creditá-lo a Lucas, ou, de fato, a ninguém no primeiro século.

Claro, se Lucas for admitido como o autor do livro, todo o assunto é simplificado. Sua mão está em tudo, quaisquer que sejam as fontes que utilizou. Se Lucas não é o autor, ainda pode ter havido um historiador competente trabalhando, ou o livro pode ser uma mera compilação.

O primeiro passo, portanto, é atacar o problema da unidade. Holtzmann (Einl – Atos 383) considera Lucas como o autor das seções “nós” apenas. Schmiedel nega que os Atos sejam escritos por um companheiro de Paulo, embora seja pelo mesmo autor que o Evangelho que leva o nome de Lucas.

Em 1845 Schleiermacher creditou as seções “nós” a Timóteo, não a Lucas. Para um bom esboço das teorias de “fontes”, veja Knowling em Atos – Atos 25 Van Manen (1890) resolveu o livro em duas partes, Acta Petri e Acta Pauli, combinadas por um redator.

Sorof (1890) atribui uma fonte a Lucas, uma a Timóteo. Spitta também tem duas fontes (uma Paulino-Lucana e uma Judaico-Cristã) trabalhadas por um redator. Clemen (1905) tem quatro fontes (História dos Helenistas, História de Pedro, História de Paulo e uma Viagem de Paulo), todas trabalhadas por uma série de editores.

Hilgenfeld (1895) tem três fontes (Atos de Pedro, Atos dos Sete, Atos de Paulo). Jungst (1895) tem uma fonte paulina e uma fonte petrina. J. Weiss (1893) admite fontes, mas afirma que o livro tem unidade e um objetivo definido.

B. Weiss (1902) concebe uma fonte inicial para a primeira parte do livro. Harnack (The Acts of the Apostles – Atos 1909 41 f) tem pouca paciência com toda essa crítica cega: “Com eles o livro passa como uma compilação tardia de remendos, na qual a parte assumida pelo editor é insignificante, mas em todos os casos prejudicial; as seções ‘nós’ não são propriedade do autor, mas um extrato de uma fonte, ou mesmo uma ficção literária.” Ele acusa os críticos de “presunção aérea e desprezo altivo”.

Harnack fez um grande serviço ao peneirar cuidadosamente a questão em seu Lucas o Médico (1907). Ele fornece provas detalhadas de que as seções “nós” estão no mesmo estilo e pelo mesmo autor que o resto do livro (26-120).

Harnack não reivindica originalidade nesta linha de argumento: “Foi frequentemente afirmado e frequentemente provado que as seções ‘nós’ em vocabulário, sintaxe e estilo estão intimamente ligadas a todo o trabalho, e que esse trabalho, incluindo o Evangelho, apesar de toda diversidade em suas partes, é distinguido por uma grande unidade de forma literária” (Lucas o Médico – Atos 26).

Ele se refere à “demonstração esplêndida desta unidade” por Klostermann (Vindiciae Lucanae – Atos 1866), a B. Weiss, que “fez o melhor trabalho em demonstrar a unidade literária de todo o trabalho”, às “admiráveis contribuições” de Vogel (Zur Charakteristik des Lukas, etc. – 2 Aufl – Atos 1899) às “investigações ainda mais cuidadosas e minuciosas” de Hawkins (Horae Synopticae – Atos 1899 2ª edição – Atos 1909), ao trabalho de Hobart (A Linguagem Médica de Lucas – 1882), que “provou demais” (Lucas o Médico – Atos 175), mas “a evidência é de força esmagadora” (198).

Harnack só reivindica para si que fez o trabalho com mais detalhes e com mais precisão sem reivindicar demais (27). Mas a conversão de Harnack para esta visão de Atos é extremamente significativa. Não deveria ser mais necessário refutar as teorias de partição do livro, ou apresentar em detalhes as provas para a unidade do livro.

O Autor. Assumindo a unidade do livro, o argumento segue assim: O autor era um companheiro de Paulo. As seções “nós” provam isso (Atos 16.10-1 – Atos 20.6-16 – Atos 21 2 – Atos 28). Estas seções têm a plenitude de detalhes e descrição vívida natural a um testemunho ocular.

Este companheiro estava com Paulo na segunda viagem missionária em Troas e em Filipos, juntou-se novamente ao grupo de Paulo em Filipos no retorno a Jerusalém durante a terceira turnê, e provavelmente permaneceu com Paulo até que ele foi para Roma.

Alguns dos companheiros de Paulo vieram a ele em Roma: outros são tão descritos no livro a ponto de precluir a autoria. Aristarco, Áquila e Priscila, Erasto, Gaio, Marcos, Silas, Timóteo, Trófimo, Tíquico e outros mais ou menos insignificantes do ponto de vista da conexão com Paulo (como Crescente, Demas, Justo, Lino, Pudens, Sópater, etc.) são facilmente eliminados.

Curiosamente, Lucas e Tito não são mencionados em Atos pelo nome. Eles são pessoas distintas como é declarado em 2 Timóteo 4.10 f. Tito estava com Paulo em Jerusalém na conferência (Gálatas 2.1) e foi seu enviado especial a Corinto durante o tempo de problemas lá (2 Coríntios 2 – 2 Coríntios 12.18.) Ele estava mais tarde com Paulo em Creta (Tito 1.5).

Mas a ausência de menção de Tito em Atos pode ser devido ao fato de que ele era irmão de Lucas (compare 2 Coríntios 8.1 – 2 Coríntios 12.18). Então A. Souter em DCG, artigo “Lucas”. Se Lucas é o autor, é fácil entender por que seu nome não aparece.

Se Tito é seu irmão, a mesma explicação ocorre. Entre Lucas e Tito a linguagem médica de Atos argumenta por Lucas. O escritor era um médico. Este fato Hobart (A Linguagem Médica de Lucas – 1882) demonstrou.

Agora Lucas foi um companheiro de Paulo durante seu ministério posterior e era um médico. (Colossenses 4.14). Portanto, ele cumpre todos os requisitos do caso. O argumento até agora é apenas provável, é verdade; mas há a acrescentar o fato indubitável de que o mesmo escritor escreveu tanto o Evangelho quanto Atos (Atos 1.1).

A alusão direta ao Evangelho é reforçada pela identidade de estilo e método nos dois livros.

A evidência externa é clara sobre o assunto. Tanto o Evangelho quanto Atos são atribuídos a Lucas, o médico. O cânon Muratório atribui Atos a Lucas. No final do século II, a autoridade de Atos está tão estabelecida quanto a do Evangelho.

Ireneu, Tertuliano, Clemente de Alexandria, todos chamam Lucas de autor do livro. O argumento é completo. É ainda mais fortalecido pelo fato de que o ponto de vista do livro é Paulino e pela ausência de referências às epístolas de Paulo.

Se alguém que não fosse companheiro de Paulo tivesse escrito Atos, certamente teria feito algum uso delas. Incidentalmente, isso também é um argumento para a datação precoce de Atos. A prova que convenceu Harnack, líder da esquerda na Alemanha, a reconhecer a autoria Lucana de Atos deve convencer a todos dessa posição.Canonicidade.

O uso de Atos não aparece tão cedo ou tão frequentemente quanto é verdadeiro para os evangelhos e as epístolas paulinas. A razão é óbvia. As epístolas tinham um campo especial e os evangelhos apelavam a todos.

Somente gradualmente Atos circularia. A princípio encontramos alusões literárias sem o nome do livro ou autor. Mas Holtzmann admite o uso de Atos por Inácio, Justino Mártir, Policarpo. O uso do Evangelho segundo Lucas por Taciano e Marcião realmente revela conhecimento de Atos.

Mas em Ireneu frequentemente (Adv. Haer., i. 2 – Atos 1 etc.) Atos é creditado a Lucas e considerado Escritura. O Cânon de Muratori lista como Escritura. Tertuliano e Clemente de Alexandria atribuem o livro a Lucas e o tratam como Escritura.

Pelos tempos de Eusébio, o livro é geralmente reconhecido como parte do cânon. Certos partidos heréticos o rejeitam (como os ebionitas, marcionitas, maniqueístas). Mas a essa altura os cristãos passaram a dar ênfase à história, e o lugar de Atos agora está seguro no cânon.Data.

  1. Relações de Lucas com Josefo. A aceitação da autoria lucana resolve a questão de algumas das datas apresentadas pelos críticos. Schmiedel coloca a data de Atos entre 105 – Atos 130 d. C. Ele assume como provado que Lucas fez uso dos escritos de Josefo.Nunca foi possível levar muito a sério a alegação de que Atos mostra conhecimento de Josefo. As palavras citadas para provar isso são, em sua maioria, palavras não técnicas de uso comum. A única questão séria é a menção de Teudas e Judas, o Galileu em Atos 5.36 e Josefo (Ant., XX, v – 1 f).Em Josefo, os nomes ocorrem cerca de vinte linhas separadas e a semelhança é apenas leve. O uso de peitho em conexão com Teudas e apostesai sobre Judas é tudo o que requer atenção. Certamente, então, duas palavras comuns para “persuadir” e “revoltar” não são suficientes para convencer do uso de Josefo pelo escritor.A questão é mais do que compensada pelas diferenças nos dois relatos da morte de Herodes Agripa (Atos 12.19-23; Josefo, Ant, XVIII, vi – Atos 7 XIX, viii – 2). O argumento sobre Josefo pode ser definitivamente descartado do campo.Com isso, toda a base para uma data do século II desaparece. Outros argumentos foram aduzidos, como o uso das epístolas de Paulo, conhecimento de Plutarco, Arriano e Pausânias, por causa da imitação no método de trabalho (ou seja, vidas paralelas de Pedro e Paulo, períodos da história, etc.), correção de Ga em Atos (por exemplo, Gálatas 1.17-24 e Atos 9.26-30Gálatas 2.1-10 e Atos 15.1-33).O paralelo com Plutarco é fantasioso, enquanto o uso das epístolas de Paulo não é nada claro, a ausência de tal uso, de fato, sendo uma das características do livro. A variação de Gálatas é muito melhor explicada na suposição de que Lucas não viu as epístolas.
  2. 80 d. C. é o limite se o livro for creditado a Lucas. A maioria dos críticos modernos que aceitam a autoria lucana o colocam entre 70 – Atos 80 d. C. Assim Harnack, Lechler, Meyer, Ramsay, Sanday, Zahn. Esta opinião repousa principalmente na ideia de que o Evangelho segundo Lucas foi escrito após a destruição de Jerusalém em 70 d.C. Alega-se que Lucas 21.20 mostra que essa tragédia já havia ocorrido, em comparação com Marcos 13.14 e Mateus 24.15. Mas a menção de exércitos é muito geral, com certeza. A atenção também é chamada para a ausência do aviso em Lucas.Harnack admite que os argumentos a favor da data de 70 a 80 não são de forma alguma conclusivos. Ele escreve “para advertir os críticos contra um fechamento muito precipitado da questão cronológica.” Em seu novo livro, Harnack definitivamente aceita a data antes da destruição de Jerusalém.Lightfoot não daria data a Atos por causa da incerteza sobre a data do Evangelho.
  3. Antes de 70 d. C. Esta data é apoiada por Blass, Headlam, Maclean, Rackham, Salmon. Harnack, de fato, considera que “considerações muito importantes” argumentam pela data precoce. Ele agora defende a data precoce. É obviamente a maneira mais simples de entender o término de Atos por Lucas devido ao fato de Paulo ainda estar na prisão.Harnack argumenta que os esforços para explicar essa situação não são “totalmente satisfatórios ou muito esclarecedores”. Ele não menciona a morte de Paulo porque ele ainda estava vivo. O propósito dramático de levar Paulo a Roma é artificial.A suposição de um terceiro livro pelo uso de proton em Atos 1.1 é bastante gratuita, pois no Koiné, para não dizer o grego anterior, “primeiro” era frequentemente usado quando apenas dois eram mencionados (compare “nossa primeira história” e “segunda história”, “primeira esposa” e “segunda esposa”).O tom geral do livro é aquele que se teria naturalmente antes de 64 d. C. Após o incêndio de Roma e a destruição de Jerusalém, a atitude mantida no livro em relação aos romanos e judeus teria sido muito difícil, a menos que a data fosse muito tempo depois.Harnack deseja “ajudar uma dúvida a receber seus merecidos créditos.” Essa “dúvida” de Harnack está destinada a se tornar a certeza do futuro. O livro será, eu acho, finalmente creditado ao tempo de 63 d.C. em Roma. O Evangelho de Lucas pertencerá então naturalmente ao período do aprisionamento de Paulo em Cesaréia. O julgamento de Moffatt de que “não pode ser anterior a 80 d. C.” é completamente abalado pelo poderoso ataque de Harnack à sua própria posição anterior.

Fontes usadas por Lucas.

Se agora assumimos que Lucas é o autor de Atos, resta a questão sobre o caráter das fontes utilizadas por ele. Pode-se recorrer a Lucas 1.1-4 para o método geral do autor. Ele usou fontes orais e escritas.

Em Atos, a questão é um tanto simplificada pelo fato de Lucas ter sido companheiro de Paulo por uma parte considerável da narrativa (as seções “nós”, Atos 16.11-1 – Atos 20.5 – Atos 21.18 – Atos 27 – Atos 28). É mais do que provável que Lucas estava com Paulo também durante sua última estadia em Jerusalém e durante o aprisionamento em Cesaréia.

Não há razão para pensar que Lucas deixou Paulo repentinamente em Jerusalém e retornou a Cesaréia apenas quando começou a ir para Roma (Atos 27.1). A ausência de “nós” é natural aqui, já que não é uma narrativa de viagem, mas um esboço da prisão de Paulo e série de defesas.

A abundância de material aqui, como em Atos 20 – Atos 21 argumenta pela presença de Lucas. Mas de qualquer forma, Lucas teve acesso a Paulo mesmo para informações sobre esse período, como foi verdadeiro do segundo, de Atos 13 até o final do livro.

Lucas estava presente ou poderia ter aprendido com Paulo os fatos usados. Ele pode ter mantido um diário de viagem, que foi usado quando necessário. Lucas poderia ter feito anotações dos discursos de Paulo em Jerusalém (Atos 22) e Cesaréia (Atos 24.26).

Dessas, com a ajuda de Paulo, ele provavelmente compôs o relato da conversão de Paulo (Atos 9.1-30). Se, como eu acho que é verdade, o livro foi escrito durante o primeiro aprisionamento romano de Paulo, Lucas teve o benefício de apelar a Paulo em todos os pontos.

Mas, se assim for, ele foi completamente independente em estilo e assimilou seus materiais como um verdadeiro historiador. Paulo (e também Filipe para parte dele) foi uma testemunha das hostes sobre os eventos relativos a Estêvão em Atos 6.8-8:1 e um participante do trabalho em Antioquia (11:19-30).

Filipe, membro da companhia de Paulo (21:8) na última viagem a Jerusalém, provavelmente ainda estava em Cesaréia durante o confinamento de Paulo lá. Ele poderia ter contado a Lucas os eventos em Atos 6.1-7 – Atos 8.4-40.

Em Cesaréia também a história do trabalho de Pedro pode ter sido derivada, possivelmente até do próprio Cornélio (9:32-11:18). Se Lucas foi ou não a Antioquia, não sabemos (Codex Bezae tem “nós” em Atos 11.28), embora ele possa ter tido acesso às tradições Antioquianas.

Mas ele foi a Jerusalém. No entanto, a narrativa em Atos 12 provavelmente se baseia na autoridade de João Marcos (Atos 12.12,25), na casa de cuja mãe os discípulos se reuniram. Lucas aparentemente se encontrou com Marcos em Roma (Colossenses 4.10), se não antes.

Para Atos 1.5, a questão não parece tão clara a princípio, mas esses capítulos não são necessariamente desacreditados por isso. É notável, já que os historiadores antigos faziam tão poucas menções de suas fontes, que podemos conectar Lucas em Atos com tantas fontes prováveis de evidência.

Barnabé (4:36) foi capaz de contar muito sobre a origem do trabalho em Jerusalém. O mesmo poderia Mnason. Filipe também era um dos sete (6: – Atos 21.8). Não sabemos que Lucas encontrou Pedro em Roma, embora isso seja possível.

Mas durante a estadia em Jerusalém e Cesaréia (dois anos) Lucas teve ampla oportunidade de aprender a narrativa dos grandes eventos contados em Atos 1.5. Ele talvez tenha usado fontes orais e escritas para esta seção.

Não se pode, é claro, provar por argumentos linguísticos ou históricos a natureza precisa das fontes de Lucas em Atos. Apenas em linhas gerais os materiais prováveis podem ser esboçados.

Orr, James, M.A., D.D. Editor Geral. “Entrada para ‘ATOS DOS APÓSTOLOS – 1.7′”. “Enciclopédia Bíblica Padrão Internacional”. 1915.

Atos dos Apóstolos – 1.7 – Enciclopédia Internacional da Bíblia Padrão

Atos dos Apóstolos – 1.7

A obra originalmente pode não ter tido título. Os manuscritos apresentam o título em várias formas. Aleph (na inscrição) tem apenas “Atos” (Praxeis). Assim Tischendorf, enquanto Orígenes, Dídimo e Eusébio citam de “Os Atos”.

Mas BD Aleph (na subscrição) têm “Atos dos Apóstolos” ou “Os Atos dos Apóstolos” (Praxeis Apostolon). Ligeiramente diferente é o título em 31,61, e muitos outros cursivos (Praxeis ton Apostolon). Alguns pais da igreja (Clemente de Alexandria, Orígenes, Dionísio de Alexandria, Cirilo de Jerusalém, Crisóstomo) citam como “Os Atos dos Apóstolos” (Hai Praxeis ton Apostolon).

Finalmente A2 EGH o dão na forma “Atos dos Santos Apóstolos” (Praxeis ton Hagion Apostolon). A versão Memphítica tem “Os Atos dos Santos Apóstolos”. Claramente, então, não havia um único título que obtivesse aceitação geral.

Texto.

  1. Os principais documentos são os Unciais Primários (Códice Sinaiticus, Códice Alexandrinus, Códice Vaticanus, Códice Ephraemi Rescriptus, Códice Bezae), Códice Laudianus (E) que é um Uncial bilíngue confinado aos Atos, Unciais posteriores como Códice Modena, Códice Regius, Códice do Código Sacerdotal (P), os Cursivos, a Vulgata, a Peshitta e o Siríaco Harclean e citações dos Pais da Igreja.

    Sentimos falta do Curetoniano e do Sinaiticus Siríaco, e temos apenas testemunho fragmentário do Latim Antigo.
  2. As edições modernas dos Atos apresentam os tipos de texto (Textus Receptus; a Versão Revisada (Britânica e Americana); o texto crítico como o de Westcott e Hort, O Novo Testamento em Grego ou Nestle ou Weiss ou von Soden).

    Esses três tipos não correspondem com as quatro classes de texto (Sírio, Ocidental, Alexandrino, Neutro) delineadas por Hort em sua Introdução ao Novo Testamento em Grego (1882). As quatro classes estão amplamente representadas nos documentos que nos dão Atos.

    Nenhum editor moderno do Novo Testamento grego nos deu o tipo textual Ocidental ou Alexandrino, embora Bornemann tenha argumentado pela originalidade do tipo Ocidental em Atos. Mas o Textus Receptus do Novo Testamento (3ª edição de Stephanus em 1550) foi a base da Versão King James de 1611.

    Esta edição do Novo Testamento grego fez uso de muito poucos manuscritos, e todos eles tardios, exceto o Códice Bezae, que foi considerado muito excêntrico para seguir. Portanto, a Versão King James representa o tipo de texto Sírio que pode ter sido editado em Antioquia no século IV.

    Vários erros menores podem ter se infiltrado desde aquela data, mas substancialmente a recensão Síria é o texto da Versão King James hoje. Onde este texto está sozinho, é considerado por quase todos os estudiosos modernos como errôneo, embora o Deão Burgon tenha lutado arduamente pela originalidade do texto Sírio (The Revision Revised – 1882).

    O texto de Westcott e Hort, O Novo Testamento em Grego é praticamente o de Códice Vaticanus, que é considerado o tipo Neutro de texto. Nestle, von Soden, Weiss não diferem muito do texto de Westcott e Hort, embora von Soden e Weiss ataquem o problema por linhas independentes.

    O texto da Versão Revisada (Britânica e Americana) é, em certo sentido, um compromisso entre o da Versão King James e o texto crítico, embora se aproxime bastante do texto crítico.
  3. O tipo de texto Ocidental tem sua principal significância em Atos. É o mérito do falecido Friedrich Blass, o famoso classicista da Alemanha, ter mostrado que nos escritos de Lucas (Evangelho e Atos) a classe Ocidental (especialmente D) tem suas características mais marcantes.

    Este fato é totalmente independente da teoria avançada por Blass que será discutida diretamente. O principal interesse moderno contra as teorias de Westcott e Hort é o novo interesse sentido no valor do tipo de texto Ocidental.

    Em particular, o Códice Bezae veio à frente no Livro de Atos. O fraco apoio que o Códice Bezae tem em suas leituras peculiares em Atos (devido à ausência do Curetoniano Sírio e do Latim Antigo) torna difícil sempre avaliar o valor deste documento.

    Mas certamente essas leituras merecem consideração cuidadosa, e algumas delas podem ser corretas, independentemente da visão que se tenha do texto do Códice Bezae.
  4. Bornemann em 1848 argumentou que o Códice Bezae em Atos representava o texto original. Mas ele teve muito poucos seguidores.
  5. J. Rendel Harris (1891) procurou mostrar que o Códice Bezae (ele mesmo um manuscrito bilíngue) havia sido latinizado. Ele argumentou que já em 150 d. C. um manuscrito bilíngue existia. Mas esta teoria não ganhou um forte seguimento.
  6. Chase (1893) procurou mostrar que as peculiaridades eram devidas à tradução do siríaco.
  7. Blass em 1895 criou sensação ao argumentar em seu Comentário sobre Atos (Acta Apostolorum – 24) que Lucas havia emitido duas edições dos Atos, como ele mais tarde defendeu sobre o Evangelho de Lucas (Filologia dos Evangelhos – 1898).

    Em 1896 Blass publicou esta forma romana do texto de Atos (Acta Apostolorum, secundum Formam quae videtur Romanam). Blass chama esta primeira cópia bruta e não abreviada de Atos (beta) e considera que foi emitida em Roma.

    A edição posterior, abreviada e revisada, ele chama de alfa. Curiosamente, em Atos 11.28, o Códice Bezae tem “quando nos reunimos”, fazendo Lucas presente em Antioquia. A ideia de duas edições não é totalmente original com Blass.

    Leclerc, um filólogo holandês, havia sugerido a noção já no início do século XVIII. Bispo Lightfoot também a mencionou (Em uma Nova Revisão do Novo Testamento – Atos 29). Mas Blass trabalhou a questão e desafiou o mundo acadêmico com seu conjunto de argumentos.

    Ele não conquistou seu ponto com todos, embora tenha conquistado um seguimento respeitável.
  8. Hilgenfeld (Acta Apostolorum, etc. – Atos 1899) aceita a noção de duas edições, mas nega a identidade de autoria.
  9. Schmiedel (Enciclopédia Bíblica) ataca vigorosamente e longamente a posição de Blass, caso contrário “as conclusões alcançadas nas seções anteriores teriam que ser retiradas.” Ele chega às suas conclusões e depois demole Blass!

    Ele encontra pontos fracos na armadura de Blass, como outros fizeram (B. Weiss, Der Codex D in der Apostelgeschichte – Atos 1897 Page, Class. Rev. – Atos 1897 Harnack, The Acts of the Apostles – Atos 1909 45).
  10. Harnack (The Acts of the Apostles – Atos 48) duvida que Lucas tenha publicado formalmente o livro. Ele pensa que provavelmente não deu ao livro uma revisão final, e que amigos emitiram duas ou mais edições. Ele considera que a chamada recensão beta tem uma “série de interpolações” e, portanto, é posterior ao texto alfa.
  11. Ramsay (A Igreja no Império Romano – Atos 150 Paulo o Viajante – Atos 27 O Expositor – Atos 1895) considera o texto beta como uma revisão do século II por um copista que preservou algum testemunho muito valioso do texto do século II.
  12. Headlam (HDB) não acredita que o problema tenha sido cientificamente atacado ainda, mas que a solução reside na licença textual dos escribas do tipo Ocidental. Mas Headlam ainda é cauteloso com leituras “Ocidentais”.

    O fato é que as leituras ocidentais às vezes estão corretas contra as neutras. Não é necessário em Atos 11.20 dizer que Hellenas está nas autoridades ocidentais (AD, etc.) mas não é uma leitura ocidental.

    De qualquer forma, é cedo demais para dizer a palavra final sobre o texto de Atos, embora no geral o texto alfa ainda mantenha o campo contra o texto beta. O texto sírio é, claro, posterior e fora de questão.

Unidade do Livro. Não é fácil discutir essa questão, à parte da autoria. Mas elas não são exatamente as mesmas. Alguém pode estar convencido da unidade do livro e ainda não creditá-lo a Lucas, ou, de fato, a ninguém no primeiro século.

Claro, se Lucas for admitido como o autor do livro, todo o assunto é simplificado. Sua mão está em tudo, quaisquer que sejam as fontes que utilizou. Se Lucas não é o autor, ainda pode ter havido um historiador competente trabalhando, ou o livro pode ser uma mera compilação.

O primeiro passo, portanto, é atacar o problema da unidade. Holtzmann (Einl – Atos 383) considera Lucas como o autor das seções “nós” apenas. Schmiedel nega que os Atos sejam escritos por um companheiro de Paulo, embora seja pelo mesmo autor que o Evangelho que leva o nome de Lucas.

Em 1845 Schleiermacher creditou as seções “nós” a Timóteo, não a Lucas. Para um bom esboço das teorias de “fontes”, veja Knowling em Atos – Atos 25 Van Manen (1890) resolveu o livro em duas partes, Acta Petri e Acta Pauli, combinadas por um redator.

Sorof (1890) atribui uma fonte a Lucas, uma a Timóteo. Spitta também tem duas fontes (uma Paulino-Lucana e uma Judaico-Cristã) trabalhadas por um redator. Clemen (1905) tem quatro fontes (História dos Helenistas, História de Pedro, História de Paulo e uma Viagem de Paulo), todas trabalhadas por uma série de editores.

Hilgenfeld (1895) tem três fontes (Atos de Pedro, Atos dos Sete, Atos de Paulo). Jungst (1895) tem uma fonte paulina e uma fonte petrina. J. Weiss (1893) admite fontes, mas afirma que o livro tem unidade e um objetivo definido.

B. Weiss (1902) concebe uma fonte inicial para a primeira parte do livro. Harnack (The Acts of the Apostles – Atos 1909 41 f) tem pouca paciência com toda essa crítica cega: “Com eles o livro passa como uma compilação tardia de remendos, na qual a parte assumida pelo editor é insignificante, mas em todos os casos prejudicial; as seções ‘nós’ não são propriedade do autor, mas um extrato de uma fonte, ou mesmo uma ficção literária.” Ele acusa os críticos de “presunção aérea e desprezo altivo”.

Harnack fez um grande serviço ao peneirar cuidadosamente a questão em seu Lucas o Médico (1907). Ele fornece provas detalhadas de que as seções “nós” estão no mesmo estilo e pelo mesmo autor que o resto do livro (26-120).

Harnack não reivindica originalidade nesta linha de argumento: “Foi frequentemente afirmado e frequentemente provado que as seções ‘nós’ em vocabulário, sintaxe e estilo estão intimamente ligadas a todo o trabalho, e que esse trabalho, incluindo o Evangelho, apesar de toda diversidade em suas partes, é distinguido por uma grande unidade de forma literária” (Lucas o Médico – Atos 26).

Ele se refere à “demonstração esplêndida desta unidade” por Klostermann (Vindiciae Lucanae – Atos 1866), a B. Weiss, que “fez o melhor trabalho em demonstrar a unidade literária de todo o trabalho”, às “admiráveis contribuições” de Vogel (Zur Charakteristik des Lukas, etc. – 2 Aufl – Atos 1899) às “investigações ainda mais cuidadosas e minuciosas” de Hawkins (Horae Synopticae – Atos 1899 2ª edição – Atos 1909), ao trabalho de Hobart (A Linguagem Médica de Lucas – 1882), que “provou demais” (Lucas o Médico – Atos 175), mas “a evidência é de força esmagadora” (198).

Harnack só reivindica para si que fez o trabalho com mais detalhes e com mais precisão sem reivindicar demais (27). Mas a conversão de Harnack para esta visão de Atos é extremamente significativa. Não deveria ser mais necessário refutar as teorias de partição do livro, ou apresentar em detalhes as provas para a unidade do livro.

O Autor. Assumindo a unidade do livro, o argumento segue assim: O autor era um companheiro de Paulo. As seções “nós” provam isso (Atos 16.10-1 – Atos 20.6-16 – Atos 21 2 – Atos 28). Estas seções têm a plenitude de detalhes e descrição vívida natural a um testemunho ocular.

Este companheiro estava com Paulo na segunda viagem missionária em Troas e em Filipos, juntou-se novamente ao grupo de Paulo em Filipos no retorno a Jerusalém durante a terceira turnê, e provavelmente permaneceu com Paulo até que ele foi para Roma.

Alguns dos companheiros de Paulo vieram a ele em Roma: outros são tão descritos no livro a ponto de precluir a autoria. Aristarco, Áquila e Priscila, Erasto, Gaio, Marcos, Silas, Timóteo, Trófimo, Tíquico e outros mais ou menos insignificantes do ponto de vista da conexão com Paulo (como Crescente, Demas, Justo, Lino, Pudens, Sópater, etc.) são facilmente eliminados.

Curiosamente, Lucas e Tito não são mencionados em Atos pelo nome. Eles são pessoas distintas como é declarado em 2 Timóteo 4.10 f. Tito estava com Paulo em Jerusalém na conferência (Gálatas 2.1) e foi seu enviado especial a Corinto durante o tempo de problemas lá (2 Coríntios 2 – 2 Coríntios 12.18.) Ele estava mais tarde com Paulo em Creta (Tito 1.5).

Mas a ausência de menção de Tito em Atos pode ser devido ao fato de que ele era irmão de Lucas (compare 2 Coríntios 8.1 – 2 Coríntios 12.18). Então A. Souter em DCG, artigo “Lucas”. Se Lucas é o autor, é fácil entender por que seu nome não aparece.

Se Tito é seu irmão, a mesma explicação ocorre. Entre Lucas e Tito a linguagem médica de Atos argumenta por Lucas. O escritor era um médico. Este fato Hobart (A Linguagem Médica de Lucas – 1882) demonstrou.

Agora Lucas foi um companheiro de Paulo durante seu ministério posterior e era um médico. (Colossenses 4.14). Portanto, ele cumpre todos os requisitos do caso. O argumento até agora é apenas provável, é verdade; mas há a acrescentar o fato indubitável de que o mesmo escritor escreveu tanto o Evangelho quanto Atos (Atos 1.1).

A alusão direta ao Evangelho é reforçada pela identidade de estilo e método nos dois livros.

A evidência externa é clara sobre o assunto. Tanto o Evangelho quanto Atos são atribuídos a Lucas, o médico. O cânon Muratório atribui Atos a Lucas. No final do século II, a autoridade de Atos está tão estabelecida quanto a do Evangelho.

Ireneu, Tertuliano, Clemente de Alexandria, todos chamam Lucas de autor do livro. O argumento é completo. É ainda mais fortalecido pelo fato de que o ponto de vista do livro é Paulino e pela ausência de referências às epístolas de Paulo.

Se alguém que não fosse companheiro de Paulo tivesse escrito Atos, certamente teria feito algum uso delas. Incidentalmente, isso também é um argumento para a datação precoce de Atos. A prova que convenceu Harnack, líder da esquerda na Alemanha, a reconhecer a autoria Lucana de Atos deve convencer a todos dessa posição.Canonicidade.

O uso de Atos não aparece tão cedo ou tão frequentemente quanto é verdadeiro para os evangelhos e as epístolas paulinas. A razão é óbvia. As epístolas tinham um campo especial e os evangelhos apelavam a todos.

Somente gradualmente Atos circularia. A princípio encontramos alusões literárias sem o nome do livro ou autor. Mas Holtzmann admite o uso de Atos por Inácio, Justino Mártir, Policarpo. O uso do Evangelho segundo Lucas por Taciano e Marcião realmente revela conhecimento de Atos.

Mas em Ireneu frequentemente (Adv. Haer., i. 2 – Atos 1 etc.) Atos é creditado a Lucas e considerado Escritura. O Cânon de Muratori lista como Escritura. Tertuliano e Clemente de Alexandria atribuem o livro a Lucas e o tratam como Escritura.

Pelos tempos de Eusébio, o livro é geralmente reconhecido como parte do cânon. Certos partidos heréticos o rejeitam (como os ebionitas, marcionitas, maniqueístas). Mas a essa altura os cristãos passaram a dar ênfase à história, e o lugar de Atos agora está seguro no cânon.Data.

  1. Relações de Lucas com Josefo. A aceitação da autoria lucana resolve a questão de algumas das datas apresentadas pelos críticos. Schmiedel coloca a data de Atos entre 105 – Atos 130 d. C. Ele assume como provado que Lucas fez uso dos escritos de Josefo.Nunca foi possível levar muito a sério a alegação de que Atos mostra conhecimento de Josefo. As palavras citadas para provar isso são, em sua maioria, palavras não técnicas de uso comum. A única questão séria é a menção de Teudas e Judas, o Galileu em Atos 5.36 e Josefo (Ant., XX, v – 1 f).Em Josefo, os nomes ocorrem cerca de vinte linhas separadas e a semelhança é apenas leve. O uso de peitho em conexão com Teudas e apostesai sobre Judas é tudo o que requer atenção. Certamente, então, duas palavras comuns para “persuadir” e “revoltar” não são suficientes para convencer do uso de Josefo pelo escritor.A questão é mais do que compensada pelas diferenças nos dois relatos da morte de Herodes Agripa (Atos 12.19-23; Josefo, Ant, XVIII, vi – Atos 7 XIX, viii – 2). O argumento sobre Josefo pode ser definitivamente descartado do campo.Com isso, toda a base para uma data do século II desaparece. Outros argumentos foram aduzidos, como o uso das epístolas de Paulo, conhecimento de Plutarco, Arriano e Pausânias, por causa da imitação no método de trabalho (ou seja, vidas paralelas de Pedro e Paulo, períodos da história, etc.), correção de Ga em Atos (por exemplo, Gálatas 1.17-24 e Atos 9.26-30Gálatas 2.1-10 e Atos 15.1-33).O paralelo com Plutarco é fantasioso, enquanto o uso das epístolas de Paulo não é nada claro, a ausência de tal uso, de fato, sendo uma das características do livro. A variação de Gálatas é muito melhor explicada na suposição de que Lucas não viu as epístolas.
  2. 80 d. C. é o limite se o livro for creditado a Lucas. A maioria dos críticos modernos que aceitam a autoria lucana o colocam entre 70 – Atos 80 d. C. Assim Harnack, Lechler, Meyer, Ramsay, Sanday, Zahn. Esta opinião repousa principalmente na ideia de que o Evangelho segundo Lucas foi escrito após a destruição de Jerusalém em 70 d.C. Alega-se que Lucas 21.20 mostra que essa tragédia já havia ocorrido, em comparação com Marcos 13.14 e Mateus 24.15. Mas a menção de exércitos é muito geral, com certeza. A atenção também é chamada para a ausência do aviso em Lucas.Harnack admite que os argumentos a favor da data de 70 a 80 não são de forma alguma conclusivos. Ele escreve “para advertir os críticos contra um fechamento muito precipitado da questão cronológica.” Em seu novo livro, Harnack definitivamente aceita a data antes da destruição de Jerusalém.Lightfoot não daria data a Atos por causa da incerteza sobre a data do Evangelho.
  3. Antes de 70 d. C. Esta data é apoiada por Blass, Headlam, Maclean, Rackham, Salmon. Harnack, de fato, considera que “considerações muito importantes” argumentam pela data precoce. Ele agora defende a data precoce. É obviamente a maneira mais simples de entender o término de Atos por Lucas devido ao fato de Paulo ainda estar na prisão.Harnack argumenta que os esforços para explicar essa situação não são “totalmente satisfatórios ou muito esclarecedores”. Ele não menciona a morte de Paulo porque ele ainda estava vivo. O propósito dramático de levar Paulo a Roma é artificial.A suposição de um terceiro livro pelo uso de proton em Atos 1.1 é bastante gratuita, pois no Koiné, para não dizer o grego anterior, “primeiro” era frequentemente usado quando apenas dois eram mencionados (compare “nossa primeira história” e “segunda história”, “primeira esposa” e “segunda esposa”).O tom geral do livro é aquele que se teria naturalmente antes de 64 d. C. Após o incêndio de Roma e a destruição de Jerusalém, a atitude mantida no livro em relação aos romanos e judeus teria sido muito difícil, a menos que a data fosse muito tempo depois.Harnack deseja “ajudar uma dúvida a receber seus merecidos créditos.” Essa “dúvida” de Harnack está destinada a se tornar a certeza do futuro. O livro será, eu acho, finalmente creditado ao tempo de 63 d.C. em Roma. O Evangelho de Lucas pertencerá então naturalmente ao período do aprisionamento de Paulo em Cesaréia. O julgamento de Moffatt de que “não pode ser anterior a 80 d. C.” é completamente abalado pelo poderoso ataque de Harnack à sua própria posição anterior.

Fontes usadas por Lucas.

Se agora assumimos que Lucas é o autor de Atos, resta a questão sobre o caráter das fontes utilizadas por ele. Pode-se recorrer a Lucas 1.1-4 para o método geral do autor. Ele usou fontes orais e escritas.

Em Atos, a questão é um tanto simplificada pelo fato de Lucas ter sido companheiro de Paulo por uma parte considerável da narrativa (as seções “nós”, Atos 16.11-1 – Atos 20.5 – Atos 21.18 – Atos 27 – Atos 28). É mais do que provável que Lucas estava com Paulo também durante sua última estadia em Jerusalém e durante o aprisionamento em Cesaréia.

Não há razão para pensar que Lucas deixou Paulo repentinamente em Jerusalém e retornou a Cesaréia apenas quando começou a ir para Roma (Atos 27.1). A ausência de “nós” é natural aqui, já que não é uma narrativa de viagem, mas um esboço da prisão de Paulo e série de defesas.

A abundância de material aqui, como em Atos 20 – Atos 21 argumenta pela presença de Lucas. Mas de qualquer forma, Lucas teve acesso a Paulo mesmo para informações sobre esse período, como foi verdadeiro do segundo, de Atos 13 até o final do livro.

Lucas estava presente ou poderia ter aprendido com Paulo os fatos usados. Ele pode ter mantido um diário de viagem, que foi usado quando necessário. Lucas poderia ter feito anotações dos discursos de Paulo em Jerusalém (Atos 22) e Cesaréia (Atos 24.26).

Dessas, com a ajuda de Paulo, ele provavelmente compôs o relato da conversão de Paulo (Atos 9.1-30). Se, como eu acho que é verdade, o livro foi escrito durante o primeiro aprisionamento romano de Paulo, Lucas teve o benefício de apelar a Paulo em todos os pontos.

Mas, se assim for, ele foi completamente independente em estilo e assimilou seus materiais como um verdadeiro historiador. Paulo (e também Filipe para parte dele) foi uma testemunha das hostes sobre os eventos relativos a Estêvão em Atos 6.8-8:1 e um participante do trabalho em Antioquia (11:19-30).

Filipe, membro da companhia de Paulo (21:8) na última viagem a Jerusalém, provavelmente ainda estava em Cesaréia durante o confinamento de Paulo lá. Ele poderia ter contado a Lucas os eventos em Atos 6.1-7 – Atos 8.4-40.

Em Cesaréia também a história do trabalho de Pedro pode ter sido derivada, possivelmente até do próprio Cornélio (9:32-11:18). Se Lucas foi ou não a Antioquia, não sabemos (Codex Bezae tem “nós” em Atos 11.28), embora ele possa ter tido acesso às tradições Antioquianas.

Mas ele foi a Jerusalém. No entanto, a narrativa em Atos 12 provavelmente se baseia na autoridade de João Marcos (Atos 12.12,25), na casa de cuja mãe os discípulos se reuniram. Lucas aparentemente se encontrou com Marcos em Roma (Colossenses 4.10), se não antes.

Para Atos 1.5, a questão não parece tão clara a princípio, mas esses capítulos não são necessariamente desacreditados por isso. É notável, já que os historiadores antigos faziam tão poucas menções de suas fontes, que podemos conectar Lucas em Atos com tantas fontes prováveis de evidência.

Barnabé (4:36) foi capaz de contar muito sobre a origem do trabalho em Jerusalém. O mesmo poderia Mnason. Filipe também era um dos sete (6: – Atos 21.8). Não sabemos que Lucas encontrou Pedro em Roma, embora isso seja possível.

Mas durante a estadia em Jerusalém e Cesaréia (dois anos) Lucas teve ampla oportunidade de aprender a narrativa dos grandes eventos contados em Atos 1.5. Ele talvez tenha usado fontes orais e escritas para esta seção.

Não se pode, é claro, provar por argumentos linguísticos ou históricos a natureza precisa das fontes de Lucas em Atos. Apenas em linhas gerais os materiais prováveis podem ser esboçados.

Orr, James, M.A., D.D. Editor Geral. “Entrada para ‘ATOS DOS APÓSTOLOS – 1.7′”. “Enciclopédia Bíblica Padrão Internacional”. 1915.

Atos dos Apóstolos – 13Estrutura

XIII. Análise. – 1 A conexão entre o trabalho dos apóstolos e o de Jesus (Atos 1.1-11).

2. A preparação dos primeiros discípulos para a sua tarefa (Atos 1.12-2:47). (a) Os discípulos obedecendo ao último comando de Cristo (Atos 1.12-24). (b) O lugar de Judas preenchido (Atos 1.15-26). (c) Manifestações milagrosas da presença do Espírito Santo (Atos 2.1-13). (d) A interpretação de Pedro sobre a situação (Atos 2.14-36). (e) O efeito imediato do sermão (Atos 2.37-41). (f) O novo espírito na comunidade cristã (Atos 2.42-47).

3. O desenvolvimento do trabalho em Jerusalém (Atos 3.1-8:1). (a) Um incidente no trabalho de Pedro e João com a apologética de Pedro (Atos 3). (b) Oposição dos saduceus despertada pela pregação da ressurreição de Jesus (Atos 4.1-31). (c) Uma dificuldade interna, o problema da pobreza (Atos 4.32-5:11). (d) Grande progresso da causa na cidade (Atos 5.12-16). (e) Hostilidade renovada dos saduceus e a resposta de Gamaliel aos fariseus (Atos 5.17-42). (f) Uma crise na vida da igreja e a escolha dos sete helenistas (Atos 6.1-7). (g) A interpretação espiritual do cristianismo por Estêvão agita o antagonismo dos fariseus e leva à sua morte violenta (Atos 6.8-8:1).

4. A extensão compulsória do evangelho para a Judeia, Samaria e regiões vizinhas (Atos 8.1-40). (a) A grande perseguição, com Saul como líder (Atos 8.1-4). (b) O trabalho de Filipe como um exemplo notável do trabalho dos discípulos dispersos (Atos 8.5-40).

5. A conversão de Saul muda toda a situação para o cristianismo (Atos 9.1-31). (a) A missão de Saul a Damasco (Atos 9.1-3). (b) Saul interrompido em seu curso hostil e torna-se cristão (Atos 9.4-18). (c) Saul torna-se um poderoso expoente do evangelho em Damasco e Jerusalém (Atos 9.19-30). (d) A igreja tem paz (Atos 9.31).

6. A porta aberta para os gentios, tanto romanos quanto gregos (Atos 9.32-11:30). (a) A atividade de Pedro neste tempo de paz (Atos 9.32-43). (b) O apelo de Cornélio em Cesareia e a resposta de Pedro (Atos 10). (c) A acusação contra Pedro diante do elemento farisaico na igreja em Jerusalém (Atos 11.1-18). (d) Gregos em Antioquia são convertidos e Barnabé traz Saul para este trabalho (Atos 11.19-26). (e) Os cristãos gregos enviam ajuda aos cristãos judeus em Jerusalém (Atos 11.27-30).

7. Perseguição do governo civil (Atos 12). (a) Herodes Agripa I mata Tiago e aprisiona Pedro (Atos 12.1-19). (b) Herodes paga o preço por seus crimes (Atos 12.20-23). (c) O cristianismo prospera (Atos 12.24).

8. A propaganda gentílica de Antioquia sob a liderança de Barnabé e Saul (Atos 13.14). (a) O chamado específico do Espírito Santo para este trabalho (Atos 13.1-3). (b) A província de Chipre e a liderança de Paulo (Atos 13.4-12). (c) A província de Panfília e a deserção de João Marcos (Atos 13.13). (d) A província da Galácia (Pisídia e Licaônia) e a forte adesão do evangelho à população nativa (Atos 13.14-14:24). (e) O retorno e relatório a Antioquia (Atos 14.25-28).

9. A campanha gentílica desafiada pelos judaizantes (Atos 15.1-35). (a) Eles encontram Paulo e Barnabé em Antioquia que decidem apelar para Jerusalém (Atos 15.1-3). (b) A primeira reunião pública em Jerusalém (Atos 15.4). (c) A segunda e mais ampla discussão com a decisão da conferência (Atos 15.6-29). (d) A recepção jubilosa (em Antioquia) da vitória de Paulo e Barnabé (Atos 15.30-35).

10. A segunda grande campanha estendendo-se à Europa (Atos 15.36-18:22). (a) A ruptura entre Paulo e Barnabé sobre João Marcos (Atos 15.36-39). (b) De Antioquia a Troas com o Chamado Macedônio (Atos 15.40-16:10). (c) Em Filipos na Macedônia, o evangelho ganha um ponto de apoio na Europa, mas encontra oposição (Atos 16.11-40). (d) Paulo também é expulso de Tessalônica e Bereia (compare Filipos), cidades da Macedônia (Atos 17.1-15). (e) A experiência de Paulo em Atenas (Atos 17.16-34). (f) Em Corinto, Paulo passa quase dois anos e a causa de Cristo ganha reconhecimento legal do governador romano (Atos 18.1-17). (g) O retorno a Antioquia passando por Éfeso, Cesareia e provavelmente Jerusalém (Atos 18.18-22).

11. A terceira grande viagem, com Éfeso como quartel-general (Atos 18.23-20:3). (a) Paulo na Galácia e Frígia novamente (Atos 18.23). (b) Apolo em Éfeso antes de Paulo chegar (Atos 18.24-28). (c) Três anos de Paulo em Éfeso (Atos 19.1-20:1). (d) A breve visita a Corinto por causa dos problemas lá (Atos 20.1-3).

12. Paulo volta a Jerusalém com planos para Roma (Atos 20.4-21:16). (a) Seus companheiros (Atos 20.4). (b) Reunido com Lucas em Filipos (Atos 20.5). (c) A história de Troas (Atos 20.7-12). (d) Costeando pela Ásia (Atos 20.13-16). (e) Com os anciãos efésios em Mileto (Atos 20.17-38). (f) De Mileto a Tiro (Atos 21.1-6). (g) De Tiro a Cesareia (Atos 21.7-14). (h) De Cesareia a Jerusalém (Atos 21.15).

13. O resultado em Jerusalém (Atos 21.15-23:30). (a) A recepção de Paulo pelos irmãos (Atos 21.15-17). (b) Sua proposta de um plano pelo qual Paulo poderia desfazer o trabalho dos judaizantes a seu respeito em Jerusalém (Atos 21.18-26). (c) A agitação nos pátios do templo levantada pelos judeus da Ásia enquanto Paulo estava executando o plano para desarmar os judaizantes (Atos 21.27-30). (d) O resgate de Paulo pelo capitão romano e a defesa de Paulo para a multidão judaica (Atos 21.31-22:23). (e) Exame do chefe capitão (Atos 22.24-29). (f) Levado perante o Sinédrio (Atos 22.30-23:10). (g) Encorajado pelo Senhor Jesus (Atos 23.11). (h) A fuga de Paulo do complô dos conspiradores judeus (Atos 23.12-30).

14. Paulo prisioneiro em Cesareia (Atos 23.31-26). (a) O voo para Cesareia e apresentação a Félix (Atos 23.31-35). (b) A aparição de Paulo perante Félix (Atos 24). (c) Paulo perante Festo (Atos 25.1-12). (d) Paulo, por curiosidade e cortesia, levado diante de Herodes Agripa II (Atos 25.13-26:32).

15. Paulo indo para Roma (Atos 27.1-28:15). (a) De Cesareia a Mira (Atos 27.1-5). (b) De Mira a Bons Portos (Atos 27.6-8). (c) De Bons Portos a Malta (Atos 27.9-28:10). (d) De Malta a Roma (Atos 28.11-15).

16. Paulo em Roma finalmente (Atos 28.16-31). (a) Seus aposentos (Atos 28.16). (b) Sua primeira entrevista com os judeus (Atos 28.17-22). (c) Sua segunda entrevista com os judeus (Atos 28.23-28). (d) Dois anos depois ainda prisioneiro, mas com liberdade para pregar o evangelho (Atos 28.30).

Orr, James, M.A., D.D. Editor Geral. “Entrada para ‘ATOS DOS APÓSTOLOS – 13ESTRUTURA’”. “Enciclopédia Bíblica Padrão Internacional”. 1915.

Atos dos Apóstolos – 13Estrutura – Enciclopédia Internacional da Bíblia Padrão

Atos dos Apóstolos – 13Estrutura

XIII. Análise. – 1 A conexão entre o trabalho dos apóstolos e o de Jesus (Atos 1.1-11).

2. A preparação dos primeiros discípulos para a sua tarefa (Atos 1.12-2:47). (a) Os discípulos obedecendo ao último comando de Cristo (Atos 1.12-24). (b) O lugar de Judas preenchido (Atos 1.15-26). (c) Manifestações milagrosas da presença do Espírito Santo (Atos 2.1-13). (d) A interpretação de Pedro sobre a situação (Atos 2.14-36). (e) O efeito imediato do sermão (Atos 2.37-41). (f) O novo espírito na comunidade cristã (Atos 2.42-47).

3. O desenvolvimento do trabalho em Jerusalém (Atos 3.1-8:1). (a) Um incidente no trabalho de Pedro e João com a apologética de Pedro (Atos 3). (b) Oposição dos saduceus despertada pela pregação da ressurreição de Jesus (Atos 4.1-31). (c) Uma dificuldade interna, o problema da pobreza (Atos 4.32-5:11). (d) Grande progresso da causa na cidade (Atos 5.12-16). (e) Hostilidade renovada dos saduceus e a resposta de Gamaliel aos fariseus (Atos 5.17-42). (f) Uma crise na vida da igreja e a escolha dos sete helenistas (Atos 6.1-7). (g) A interpretação espiritual do cristianismo por Estêvão agita o antagonismo dos fariseus e leva à sua morte violenta (Atos 6.8-8:1).

4. A extensão compulsória do evangelho para a Judeia, Samaria e regiões vizinhas (Atos 8.1-40). (a) A grande perseguição, com Saul como líder (Atos 8.1-4). (b) O trabalho de Filipe como um exemplo notável do trabalho dos discípulos dispersos (Atos 8.5-40).

5. A conversão de Saul muda toda a situação para o cristianismo (Atos 9.1-31). (a) A missão de Saul a Damasco (Atos 9.1-3). (b) Saul interrompido em seu curso hostil e torna-se cristão (Atos 9.4-18). (c) Saul torna-se um poderoso expoente do evangelho em Damasco e Jerusalém (Atos 9.19-30). (d) A igreja tem paz (Atos 9.31).

6. A porta aberta para os gentios, tanto romanos quanto gregos (Atos 9.32-11:30). (a) A atividade de Pedro neste tempo de paz (Atos 9.32-43). (b) O apelo de Cornélio em Cesareia e a resposta de Pedro (Atos 10). (c) A acusação contra Pedro diante do elemento farisaico na igreja em Jerusalém (Atos 11.1-18). (d) Gregos em Antioquia são convertidos e Barnabé traz Saul para este trabalho (Atos 11.19-26). (e) Os cristãos gregos enviam ajuda aos cristãos judeus em Jerusalém (Atos 11.27-30).

7. Perseguição do governo civil (Atos 12). (a) Herodes Agripa I mata Tiago e aprisiona Pedro (Atos 12.1-19). (b) Herodes paga o preço por seus crimes (Atos 12.20-23). (c) O cristianismo prospera (Atos 12.24).

8. A propaganda gentílica de Antioquia sob a liderança de Barnabé e Saul (Atos 13.14). (a) O chamado específico do Espírito Santo para este trabalho (Atos 13.1-3). (b) A província de Chipre e a liderança de Paulo (Atos 13.4-12). (c) A província de Panfília e a deserção de João Marcos (Atos 13.13). (d) A província da Galácia (Pisídia e Licaônia) e a forte adesão do evangelho à população nativa (Atos 13.14-14:24). (e) O retorno e relatório a Antioquia (Atos 14.25-28).

9. A campanha gentílica desafiada pelos judaizantes (Atos 15.1-35). (a) Eles encontram Paulo e Barnabé em Antioquia que decidem apelar para Jerusalém (Atos 15.1-3). (b) A primeira reunião pública em Jerusalém (Atos 15.4). (c) A segunda e mais ampla discussão com a decisão da conferência (Atos 15.6-29). (d) A recepção jubilosa (em Antioquia) da vitória de Paulo e Barnabé (Atos 15.30-35).

10. A segunda grande campanha estendendo-se à Europa (Atos 15.36-18:22). (a) A ruptura entre Paulo e Barnabé sobre João Marcos (Atos 15.36-39). (b) De Antioquia a Troas com o Chamado Macedônio (Atos 15.40-16:10). (c) Em Filipos na Macedônia, o evangelho ganha um ponto de apoio na Europa, mas encontra oposição (Atos 16.11-40). (d) Paulo também é expulso de Tessalônica e Bereia (compare Filipos), cidades da Macedônia (Atos 17.1-15). (e) A experiência de Paulo em Atenas (Atos 17.16-34). (f) Em Corinto, Paulo passa quase dois anos e a causa de Cristo ganha reconhecimento legal do governador romano (Atos 18.1-17). (g) O retorno a Antioquia passando por Éfeso, Cesareia e provavelmente Jerusalém (Atos 18.18-22).

11. A terceira grande viagem, com Éfeso como quartel-general (Atos 18.23-20:3). (a) Paulo na Galácia e Frígia novamente (Atos 18.23). (b) Apolo em Éfeso antes de Paulo chegar (Atos 18.24-28). (c) Três anos de Paulo em Éfeso (Atos 19.1-20:1). (d) A breve visita a Corinto por causa dos problemas lá (Atos 20.1-3).

12. Paulo volta a Jerusalém com planos para Roma (Atos 20.4-21:16). (a) Seus companheiros (Atos 20.4). (b) Reunido com Lucas em Filipos (Atos 20.5). (c) A história de Troas (Atos 20.7-12). (d) Costeando pela Ásia (Atos 20.13-16). (e) Com os anciãos efésios em Mileto (Atos 20.17-38). (f) De Mileto a Tiro (Atos 21.1-6). (g) De Tiro a Cesareia (Atos 21.7-14). (h) De Cesareia a Jerusalém (Atos 21.15).

13. O resultado em Jerusalém (Atos 21.15-23:30). (a) A recepção de Paulo pelos irmãos (Atos 21.15-17). (b) Sua proposta de um plano pelo qual Paulo poderia desfazer o trabalho dos judaizantes a seu respeito em Jerusalém (Atos 21.18-26). (c) A agitação nos pátios do templo levantada pelos judeus da Ásia enquanto Paulo estava executando o plano para desarmar os judaizantes (Atos 21.27-30). (d) O resgate de Paulo pelo capitão romano e a defesa de Paulo para a multidão judaica (Atos 21.31-22:23). (e) Exame do chefe capitão (Atos 22.24-29). (f) Levado perante o Sinédrio (Atos 22.30-23:10). (g) Encorajado pelo Senhor Jesus (Atos 23.11). (h) A fuga de Paulo do complô dos conspiradores judeus (Atos 23.12-30).

14. Paulo prisioneiro em Cesareia (Atos 23.31-26). (a) O voo para Cesareia e apresentação a Félix (Atos 23.31-35). (b) A aparição de Paulo perante Félix (Atos 24). (c) Paulo perante Festo (Atos 25.1-12). (d) Paulo, por curiosidade e cortesia, levado diante de Herodes Agripa II (Atos 25.13-26:32).

15. Paulo indo para Roma (Atos 27.1-28:15). (a) De Cesareia a Mira (Atos 27.1-5). (b) De Mira a Bons Portos (Atos 27.6-8). (c) De Bons Portos a Malta (Atos 27.9-28:10). (d) De Malta a Roma (Atos 28.11-15).

16. Paulo em Roma finalmente (Atos 28.16-31). (a) Seus aposentos (Atos 28.16). (b) Sua primeira entrevista com os judeus (Atos 28.17-22). (c) Sua segunda entrevista com os judeus (Atos 28.23-28). (d) Dois anos depois ainda prisioneiro, mas com liberdade para pregar o evangelho (Atos 28.30).

Orr, James, M.A., D.D. Editor Geral. “Entrada para ‘ATOS DOS APÓSTOLOS – 13ESTRUTURA’”. “Enciclopédia Bíblica Padrão Internacional”. 1915.

Atos dos Apóstolos – 13Estrutura – Enciclopédia Internacional da Bíblia Padrão

Atos dos Apóstolos – 13Estrutura

XIII. Análise. – 1 A conexão entre o trabalho dos apóstolos e o de Jesus (Atos 1.1-11).

2. A preparação dos primeiros discípulos para a sua tarefa (Atos 1.12-2:47). (a) Os discípulos obedecendo ao último comando de Cristo (Atos 1.12-24). (b) O lugar de Judas preenchido (Atos 1.15-26). (c) Manifestações milagrosas da presença do Espírito Santo (Atos 2.1-13). (d) A interpretação de Pedro sobre a situação (Atos 2.14-36). (e) O efeito imediato do sermão (Atos 2.37-41). (f) O novo espírito na comunidade cristã (Atos 2.42-47).

3. O desenvolvimento do trabalho em Jerusalém (Atos 3.1-8:1). (a) Um incidente no trabalho de Pedro e João com a apologética de Pedro (Atos 3). (b) Oposição dos saduceus despertada pela pregação da ressurreição de Jesus (Atos 4.1-31). (c) Uma dificuldade interna, o problema da pobreza (Atos 4.32-5:11). (d) Grande progresso da causa na cidade (Atos 5.12-16). (e) Hostilidade renovada dos saduceus e a resposta de Gamaliel aos fariseus (Atos 5.17-42). (f) Uma crise na vida da igreja e a escolha dos sete helenistas (Atos 6.1-7). (g) A interpretação espiritual do cristianismo por Estêvão agita o antagonismo dos fariseus e leva à sua morte violenta (Atos 6.8-8:1).

4. A extensão compulsória do evangelho para a Judeia, Samaria e regiões vizinhas (Atos 8.1-40). (a) A grande perseguição, com Saul como líder (Atos 8.1-4). (b) O trabalho de Filipe como um exemplo notável do trabalho dos discípulos dispersos (Atos 8.5-40).

5. A conversão de Saul muda toda a situação para o cristianismo (Atos 9.1-31). (a) A missão de Saul a Damasco (Atos 9.1-3). (b) Saul interrompido em seu curso hostil e torna-se cristão (Atos 9.4-18). (c) Saul torna-se um poderoso expoente do evangelho em Damasco e Jerusalém (Atos 9.19-30). (d) A igreja tem paz (Atos 9.31).

6. A porta aberta para os gentios, tanto romanos quanto gregos (Atos 9.32-11:30). (a) A atividade de Pedro neste tempo de paz (Atos 9.32-43). (b) O apelo de Cornélio em Cesareia e a resposta de Pedro (Atos 10). (c) A acusação contra Pedro diante do elemento farisaico na igreja em Jerusalém (Atos 11.1-18). (d) Gregos em Antioquia são convertidos e Barnabé traz Saul para este trabalho (Atos 11.19-26). (e) Os cristãos gregos enviam ajuda aos cristãos judeus em Jerusalém (Atos 11.27-30).

7. Perseguição do governo civil (Atos 12). (a) Herodes Agripa I mata Tiago e aprisiona Pedro (Atos 12.1-19). (b) Herodes paga o preço por seus crimes (Atos 12.20-23). (c) O cristianismo prospera (Atos 12.24).

8. A propaganda gentílica de Antioquia sob a liderança de Barnabé e Saul (Atos 13.14). (a) O chamado específico do Espírito Santo para este trabalho (Atos 13.1-3). (b) A província de Chipre e a liderança de Paulo (Atos 13.4-12). (c) A província de Panfília e a deserção de João Marcos (Atos 13.13). (d) A província da Galácia (Pisídia e Licaônia) e a forte adesão do evangelho à população nativa (Atos 13.14-14:24). (e) O retorno e relatório a Antioquia (Atos 14.25-28).

9. A campanha gentílica desafiada pelos judaizantes (Atos 15.1-35). (a) Eles encontram Paulo e Barnabé em Antioquia que decidem apelar para Jerusalém (Atos 15.1-3). (b) A primeira reunião pública em Jerusalém (Atos 15.4). (c) A segunda e mais ampla discussão com a decisão da conferência (Atos 15.6-29). (d) A recepção jubilosa (em Antioquia) da vitória de Paulo e Barnabé (Atos 15.30-35).

10. A segunda grande campanha estendendo-se à Europa (Atos 15.36-18:22). (a) A ruptura entre Paulo e Barnabé sobre João Marcos (Atos 15.36-39). (b) De Antioquia a Troas com o Chamado Macedônio (Atos 15.40-16:10). (c) Em Filipos na Macedônia, o evangelho ganha um ponto de apoio na Europa, mas encontra oposição (Atos 16.11-40). (d) Paulo também é expulso de Tessalônica e Bereia (compare Filipos), cidades da Macedônia (Atos 17.1-15). (e) A experiência de Paulo em Atenas (Atos 17.16-34). (f) Em Corinto, Paulo passa quase dois anos e a causa de Cristo ganha reconhecimento legal do governador romano (Atos 18.1-17). (g) O retorno a Antioquia passando por Éfeso, Cesareia e provavelmente Jerusalém (Atos 18.18-22).

11. A terceira grande viagem, com Éfeso como quartel-general (Atos 18.23-20:3). (a) Paulo na Galácia e Frígia novamente (Atos 18.23). (b) Apolo em Éfeso antes de Paulo chegar (Atos 18.24-28). (c) Três anos de Paulo em Éfeso (Atos 19.1-20:1). (d) A breve visita a Corinto por causa dos problemas lá (Atos 20.1-3).

12. Paulo volta a Jerusalém com planos para Roma (Atos 20.4-21:16). (a) Seus companheiros (Atos 20.4). (b) Reunido com Lucas em Filipos (Atos 20.5). (c) A história de Troas (Atos 20.7-12). (d) Costeando pela Ásia (Atos 20.13-16). (e) Com os anciãos efésios em Mileto (Atos 20.17-38). (f) De Mileto a Tiro (Atos 21.1-6). (g) De Tiro a Cesareia (Atos 21.7-14). (h) De Cesareia a Jerusalém (Atos 21.15).

13. O resultado em Jerusalém (Atos 21.15-23:30). (a) A recepção de Paulo pelos irmãos (Atos 21.15-17). (b) Sua proposta de um plano pelo qual Paulo poderia desfazer o trabalho dos judaizantes a seu respeito em Jerusalém (Atos 21.18-26). (c) A agitação nos pátios do templo levantada pelos judeus da Ásia enquanto Paulo estava executando o plano para desarmar os judaizantes (Atos 21.27-30). (d) O resgate de Paulo pelo capitão romano e a defesa de Paulo para a multidão judaica (Atos 21.31-22:23). (e) Exame do chefe capitão (Atos 22.24-29). (f) Levado perante o Sinédrio (Atos 22.30-23:10). (g) Encorajado pelo Senhor Jesus (Atos 23.11). (h) A fuga de Paulo do complô dos conspiradores judeus (Atos 23.12-30).

14. Paulo prisioneiro em Cesareia (Atos 23.31-26). (a) O voo para Cesareia e apresentação a Félix (Atos 23.31-35). (b) A aparição de Paulo perante Félix (Atos 24). (c) Paulo perante Festo (Atos 25.1-12). (d) Paulo, por curiosidade e cortesia, levado diante de Herodes Agripa II (Atos 25.13-26:32).

15. Paulo indo para Roma (Atos 27.1-28:15). (a) De Cesareia a Mira (Atos 27.1-5). (b) De Mira a Bons Portos (Atos 27.6-8). (c) De Bons Portos a Malta (Atos 27.9-28:10). (d) De Malta a Roma (Atos 28.11-15).

16. Paulo em Roma finalmente (Atos 28.16-31). (a) Seus aposentos (Atos 28.16). (b) Sua primeira entrevista com os judeus (Atos 28.17-22). (c) Sua segunda entrevista com os judeus (Atos 28.23-28). (d) Dois anos depois ainda prisioneiro, mas com liberdade para pregar o evangelho (Atos 28.30).

Orr, James, M.A., D.D. Editor Geral. “Entrada para ‘ATOS DOS APÓSTOLOS – 13ESTRUTURA’”. “Enciclopédia Bíblica Padrão Internacional”. 1915.

Atos dos Apóstolos – 13Estrutura – Enciclopédia Internacional da Bíblia Padrão

Atos dos Apóstolos – 13Estrutura

XIII. Análise. – 1 A conexão entre o trabalho dos apóstolos e o de Jesus (Atos 1.1-11).

2. A preparação dos primeiros discípulos para a sua tarefa (Atos 1.12-2:47). (a) Os discípulos obedecendo ao último comando de Cristo (Atos 1.12-24). (b) O lugar de Judas preenchido (Atos 1.15-26). (c) Manifestações milagrosas da presença do Espírito Santo (Atos 2.1-13). (d) A interpretação de Pedro sobre a situação (Atos 2.14-36). (e) O efeito imediato do sermão (Atos 2.37-41). (f) O novo espírito na comunidade cristã (Atos 2.42-47).

3. O desenvolvimento do trabalho em Jerusalém (Atos 3.1-8:1). (a) Um incidente no trabalho de Pedro e João com a apologética de Pedro (Atos 3). (b) Oposição dos saduceus despertada pela pregação da ressurreição de Jesus (Atos 4.1-31). (c) Uma dificuldade interna, o problema da pobreza (Atos 4.32-5:11). (d) Grande progresso da causa na cidade (Atos 5.12-16). (e) Hostilidade renovada dos saduceus e a resposta de Gamaliel aos fariseus (Atos 5.17-42). (f) Uma crise na vida da igreja e a escolha dos sete helenistas (Atos 6.1-7). (g) A interpretação espiritual do cristianismo por Estêvão agita o antagonismo dos fariseus e leva à sua morte violenta (Atos 6.8-8:1).

4. A extensão compulsória do evangelho para a Judeia, Samaria e regiões vizinhas (Atos 8.1-40). (a) A grande perseguição, com Saul como líder (Atos 8.1-4). (b) O trabalho de Filipe como um exemplo notável do trabalho dos discípulos dispersos (Atos 8.5-40).

5. A conversão de Saul muda toda a situação para o cristianismo (Atos 9.1-31). (a) A missão de Saul a Damasco (Atos 9.1-3). (b) Saul interrompido em seu curso hostil e torna-se cristão (Atos 9.4-18). (c) Saul torna-se um poderoso expoente do evangelho em Damasco e Jerusalém (Atos 9.19-30). (d) A igreja tem paz (Atos 9.31).

6. A porta aberta para os gentios, tanto romanos quanto gregos (Atos 9.32-11:30). (a) A atividade de Pedro neste tempo de paz (Atos 9.32-43). (b) O apelo de Cornélio em Cesareia e a resposta de Pedro (Atos 10). (c) A acusação contra Pedro diante do elemento farisaico na igreja em Jerusalém (Atos 11.1-18). (d) Gregos em Antioquia são convertidos e Barnabé traz Saul para este trabalho (Atos 11.19-26). (e) Os cristãos gregos enviam ajuda aos cristãos judeus em Jerusalém (Atos 11.27-30).

7. Perseguição do governo civil (Atos 12). (a) Herodes Agripa I mata Tiago e aprisiona Pedro (Atos 12.1-19). (b) Herodes paga o preço por seus crimes (Atos 12.20-23). (c) O cristianismo prospera (Atos 12.24).

8. A propaganda gentílica de Antioquia sob a liderança de Barnabé e Saul (Atos 13.14). (a) O chamado específico do Espírito Santo para este trabalho (Atos 13.1-3). (b) A província de Chipre e a liderança de Paulo (Atos 13.4-12). (c) A província de Panfília e a deserção de João Marcos (Atos 13.13). (d) A província da Galácia (Pisídia e Licaônia) e a forte adesão do evangelho à população nativa (Atos 13.14-14:24). (e) O retorno e relatório a Antioquia (Atos 14.25-28).

9. A campanha gentílica desafiada pelos judaizantes (Atos 15.1-35). (a) Eles encontram Paulo e Barnabé em Antioquia que decidem apelar para Jerusalém (Atos 15.1-3). (b) A primeira reunião pública em Jerusalém (Atos 15.4). (c) A segunda e mais ampla discussão com a decisão da conferência (Atos 15.6-29). (d) A recepção jubilosa (em Antioquia) da vitória de Paulo e Barnabé (Atos 15.30-35).

10. A segunda grande campanha estendendo-se à Europa (Atos 15.36-18:22). (a) A ruptura entre Paulo e Barnabé sobre João Marcos (Atos 15.36-39). (b) De Antioquia a Troas com o Chamado Macedônio (Atos 15.40-16:10). (c) Em Filipos na Macedônia, o evangelho ganha um ponto de apoio na Europa, mas encontra oposição (Atos 16.11-40). (d) Paulo também é expulso de Tessalônica e Bereia (compare Filipos), cidades da Macedônia (Atos 17.1-15). (e) A experiência de Paulo em Atenas (Atos 17.16-34). (f) Em Corinto, Paulo passa quase dois anos e a causa de Cristo ganha reconhecimento legal do governador romano (Atos 18.1-17). (g) O retorno a Antioquia passando por Éfeso, Cesareia e provavelmente Jerusalém (Atos 18.18-22).

11. A terceira grande viagem, com Éfeso como quartel-general (Atos 18.23-20:3). (a) Paulo na Galácia e Frígia novamente (Atos 18.23). (b) Apolo em Éfeso antes de Paulo chegar (Atos 18.24-28). (c) Três anos de Paulo em Éfeso (Atos 19.1-20:1). (d) A breve visita a Corinto por causa dos problemas lá (Atos 20.1-3).

12. Paulo volta a Jerusalém com planos para Roma (Atos 20.4-21:16). (a) Seus companheiros (Atos 20.4). (b) Reunido com Lucas em Filipos (Atos 20.5). (c) A história de Troas (Atos 20.7-12). (d) Costeando pela Ásia (Atos 20.13-16). (e) Com os anciãos efésios em Mileto (Atos 20.17-38). (f) De Mileto a Tiro (Atos 21.1-6). (g) De Tiro a Cesareia (Atos 21.7-14). (h) De Cesareia a Jerusalém (Atos 21.15).

13. O resultado em Jerusalém (Atos 21.15-23:30). (a) A recepção de Paulo pelos irmãos (Atos 21.15-17). (b) Sua proposta de um plano pelo qual Paulo poderia desfazer o trabalho dos judaizantes a seu respeito em Jerusalém (Atos 21.18-26). (c) A agitação nos pátios do templo levantada pelos judeus da Ásia enquanto Paulo estava executando o plano para desarmar os judaizantes (Atos 21.27-30). (d) O resgate de Paulo pelo capitão romano e a defesa de Paulo para a multidão judaica (Atos 21.31-22:23). (e) Exame do chefe capitão (Atos 22.24-29). (f) Levado perante o Sinédrio (Atos 22.30-23:10). (g) Encorajado pelo Senhor Jesus (Atos 23.11). (h) A fuga de Paulo do complô dos conspiradores judeus (Atos 23.12-30).

14. Paulo prisioneiro em Cesareia (Atos 23.31-26). (a) O voo para Cesareia e apresentação a Félix (Atos 23.31-35). (b) A aparição de Paulo perante Félix (Atos 24). (c) Paulo perante Festo (Atos 25.1-12). (d) Paulo, por curiosidade e cortesia, levado diante de Herodes Agripa II (Atos 25.13-26:32).

15. Paulo indo para Roma (Atos 27.1-28:15). (a) De Cesareia a Mira (Atos 27.1-5). (b) De Mira a Bons Portos (Atos 27.6-8). (c) De Bons Portos a Malta (Atos 27.9-28:10). (d) De Malta a Roma (Atos 28.11-15).

16. Paulo em Roma finalmente (Atos 28.16-31). (a) Seus aposentos (Atos 28.16). (b) Sua primeira entrevista com os judeus (Atos 28.17-22). (c) Sua segunda entrevista com os judeus (Atos 28.23-28). (d) Dois anos depois ainda prisioneiro, mas com liberdade para pregar o evangelho (Atos 28.30).

Orr, James, M.A., D.D. Editor Geral. “Entrada para ‘ATOS DOS APÓSTOLOS – 13ESTRUTURA’”. “Enciclopédia Bíblica Padrão Internacional”. 1915.

Atos dos Apóstolos – 8.12

VIII. Os Discursos em Atos.

Essa questão é importante o suficiente para receber um tratamento separado. Os numerosos discursos relatados em Atos são composições livres de Lucas feitas sob encomenda à maneira de Tucídides? São relatos literais de anotações feitas na época e copiadas literalmente na narrativa?

São relatos substanciais incorporados com mais ou menos liberdade e marcas do próprio estilo de Lucas? Em teoria, qualquer um desses métodos era possível. O exemplo de Tucídides, Xenofonte, Lívio e Josefo mostra que historiadores antigos não hesitavam em inventar discursos dos quais nenhum relato estava disponível.

Há aqueles que acusam Lucas de fazer exatamente isso em Atos. A questão só pode ser resolvida por meio de um apelo aos fatos, na medida em que podem ser determinados. Não se pode negar que até certo ponto a mão de Lucas é aparente nos discursos relatados por ele em Atos.

Mas esse fato não deve ser levado longe demais. Não é verdade que os discursos são todos iguais em estilo.

É possível distinguir muito claramente os discursos de Pedro daqueles de Paulo. Isso é verdade, mas também somos capazes de comparar os discursos de ambos, Paulo e Pedro, com suas epístolas. Não é provável que Lucas tenha visto essas epístolas, como será mostrado em breve. É atribuir uma habilidade literária notável a Lucas supor que ele compôs discursos “Petrinos” e “Paulinos” com tanto sucesso que eles harmonizam lindamente com os ensinamentos e estilo geral de cada um desses apóstolos.

O discurso de Estêvão também difere nitidamente dos de Pedro e Paulo, embora não possamos comparar este relato com qualquer trabalho original de Estêvão em si. Outra coisa também é verdadeira, particularmente sobre os sermões de Paulo.

Eles são maravilhosamente adequados ao tempo, lugar e público. Todos têm um sabor Paulino distinto, e ainda assim uma diferença no colorido local que corresponde, em certa medida, às variações no estilo das epístolas de Paulo.

O professor Percy Gardner (Os Discursos de Paulo em Atos, em Ensaios Bíblicos de Cambridge – 1909) reconhece essas diferenças, mas procura explicá-las com base na variabilidade da precisão nas fontes usadas por Lucas, considerando o discurso em Mileto como o mais histórico de todos.

Mas ele admite o uso de fontes por Lucas para esses endereços.

A teoria de invenção pura por Lucas é bastante desacreditada pelo apelo aos fatos. Por outro lado, diante da presença aparente do estilo de Lucas em alguns discursos, dificilmente se pode afirmar que ele fez relatos literais.

Além disso, o relato dos discursos de Jesus no Evangelho de Lucas (como nos outros evangelhos) mostra a mesma liberdade em dar a substância exata reprodução das palavras que é encontrada em Atos. Novamente, parece claro que alguns, se não todos, os relatos em Atos são condensados, meros esboços no caso de alguns dos discursos de Pedro.

Os antigos sabiam como fazer relatórios taquigráficos desses endereços. A tradição oral provavelmente estava ativa na preservação dos primeiros discursos de Pedro e até mesmo de Estêvão, embora Paulo mesmo tenha ouvido Estêvão.

Os discursos de Paulo mostram todos as marcas de uma testemunha ocular (Bethge, Die paulinischen Reden, etc. – 174). Para os discursos de Pedro, Lucas pode ter tido documentos, ou ele pode ter anotado a tradição oral corrente enquanto ele estava em Jerusalém e Cesaréia.

Pedro provavelmente falou em grego no dia de Pentecostes. Seus outros discursos podem ter sido em aramaico ou em grego. Mas a tradição oral certamente os transmitiria em grego, se também em aramaico.

Lucas ouviu Paulo falar em Mileto (Atos 20) e pode ter tomado notas na época. Da mesma forma, ele quase certamente ouviu o discurso de Paulo nas escadas da Torre de Antônia (Atos 22) e aquele perante Agripa (Atos 26).

Não há razão para pensar que ele estava ausente quando Paulo fez suas defesas perante Félix e Festo (Atos 24.25) Ele estava presente no navio quando Paulo falou (Atos 27), e em Roma quando ele se dirigiu aos judeus (Atos 28) Lucas não estava presente quando Paulo entregou seu sermão em Antioquia da Pisídia (Atos 13), ou em Listra (Atos 14), ou em Atenas (Atos 17) Mas esses discursos diferem tanto em tema e tratamento, e são tão essencialmente Paulinos que é natural pensar que Paulo mesmo deu a Lucas as notas que ele usou.

O sermão em Antioquia da Pisídia é provavelmente dado como uma amostra dos discursos missionários de Paulo. Contém o coração do evangelho de Paulo como aparece em suas epístolas. Ele enfatiza a morte e ressurreição de Jesus, remissão dos pecados por meio de Cristo, justificação pela fé. Às vezes se objeta que em Atenas o discurso mostra uma amplitude de visão e simpatia desconhecidas a Paulo, e que há um curioso tom Ático no estilo grego.

O sermão vai até onde Paulo pode (compare 1 Coríntios 9.22) em direção ao ponto de vista dos gregos (mas compare Colossenses e Efésios). No entanto, Paulo não sacrifica seu princípio da graça em Cristo.

Ele chamou os atenienses ao arrependimento, pregou o julgamento pelo pecado e anunciou a ressurreição de Jesus dentre os mortos. A paternidade de Deus e a fraternidade do homem aqui ensinada não significava que Deus zombava do pecado e poderia salvar todos os homens sem arrependimento e perdão dos pecados.

Chase (A Credibilidade de Atos) fornece uma coleção de endereços missionários de Paulo. A realidade histórica e o valor dos discursos em Atos podem ser ditos como reivindicados pela erudição moderna. Para uma discussão simpática e acadêmica de todos os endereços de Paulo, veja Jones, Paulo o Orador (1910).

O breve discurso de Tértulo (Atos 24) foi feito em público, assim como a declaração pública de Festo em Atos 26 A carta de Cláudio Lísias para Félix em Atos 23 era um documento público. Como Lucas obteve a conversa sobre Paulo entre Festo e Agripa em Atos 26 é mais difícil de conjecturar.

IX. Relação de Atos com as Epístolas.

Não há evidências reais de que Lucas tenha feito uso de alguma das epístolas de Paulo. Ele estava com Paulo em Roma quando Colossenses foi escrita (4:14), e pode, de fato, ter sido o amanuense de Paulo para esta epístola (e para Efésios e Filemom).

Algumas semelhanças com o estilo de Lucas foram apontadas. Mas Atos termina sem qualquer narrativa dos eventos em Roma durante os anos lá, de modo que essas epístolas não exerceram influência sobre a composição do livro.

Quanto aos dois grupos anteriores de epístolas de Paulo (1 e 2 Tessalonicenses – 1 e 2 Coríntios, Gálatas, Romanos) não há prova de que Lucas viu algum deles. A Epístola aos Romanos provavelmente estava acessível a Lucas enquanto em Roma, mas ele não parece tê-la usado.

Lucas evidentemente preferiu recorrer diretamente a Paulo para informações em vez de a suas epístolas.

Isso é tudo simples o suficiente se ele escreveu o livro ou fez seus dados enquanto Paulo estava vivo. Mas se Atos foi escrito muito tarde, seria estranho que o autor não tivesse feito uso de algumas das epístolas de Paulo.

O livro tem, portanto, a grande vantagem de cobrir parte do mesmo terreno discutido nas epístolas anteriores, mas de um ponto de vista completamente independente. As lacunas em nosso conhecimento de uma fonte muitas vezes são fornecidas incidentalmente, mas de forma mais satisfatória, pela outra.

As coincidências entre Atos e as epístolas de Paulo foram bem traçadas por Paley em seu Horae Paulinae, ainda um livro de grande valor. Knowling, em seu Testemunho das Epístolas (1892), fez um estudo mais recente do mesmo problema.

Mas pelo aparente conflito entre Gálatas 2.1-10 e Atos 15 a questão poderia ser encerrada neste ponto.

Argumenta-se por alguns que Atos, escritos muito tempo depois de Gálatas, ignora o relato da conferência de Jerusalém dada por Paulo. Sustenta-se que Paulo está correto em seu registro pessoal, e que Atos, portanto, é desprovido de historicidade.

Outros salvam o crédito de Atos argumentando que Paulo está se referindo a uma conferência privada anterior alguns anos antes da discussão pública registrada em Atos 15 Isso é, claro, possível em si mesmo, mas de forma alguma exigido pelas variações entre os dois relatórios.

A afirmação de Lightfoot nunca foi realmente superada, de que em Gálatas 2.1-10 Paulo apresenta o lado pessoal da conferência, não um relatório completo da reunião geral. O que Paulo está fazendo é mostrar aos gálatas como ele está no mesmo nível dos apóstolos de Jerusalém, e como sua autoridade e independência foram reconhecidas por eles.

Este aspecto da questão surgiu na conferência privada. Paulo não está em Gálatas 2.1-10 expondo sua vitória sobre os judaizantes em nome da liberdade gentílica. Mas em Atos 15 é precisamente essa luta pela liberdade gentílica que está em discussão.

As relações de Paulo com os apóstolos de Jerusalém não são o ponto em questão, embora seja claro em Atos que eles concordam. Em Gálatas também a vitória de Paulo pela liberdade gentílica é evidente. De fato, em Atos 15 é mencionado duas vezes que os apóstolos e anciãos se reuniram (15:4,6), e duas vezes nos é dito que Paulo e Barnabé se dirigiram a eles (15:4,12). É, portanto, natural supor que essa conferência privada narrada por Paulo em Gálatas ocorreu entre 2:5 – Atos 6

Lucas pode não ter visto a Epístola aos Gálatas, e pode não ter ouvido de Paulo a história da conferência privada, embora ele soubesse das duas reuniões públicas. Se ele sabia da reunião privada, ele achou que não era pertinente à sua narração.

Claro, não há contradição entre Paulo subir por revelação e pelo compromisso da igreja em Antioquia. Em Gálatas 2.1 temos a segunda visita (Gálatas 1.18) a Jerusalém após sua conversão mencionada por Paulo, enquanto que em Atos 15 é a terceira em Atos (9.2 – Atos 11.29 – Atos 15.2).

Mas não havia razão particular para Paulo mencionar a visita em Atos 11.30, que não diz respeito à sua relação com os apóstolos em Jerusalém. De fato, apenas os “anciãos” são mencionados nessa ocasião.

A mesma independência entre Atos e Gálatas ocorre em Gálatas 1.17-24, e Atos 9.26-30. Em Atos não há alusão à visita à Arábia, assim como não há menção da conferência privada em Atos 15 Da mesma forma, em Atos 15.35-39 não há menção do forte desacordo entre Paulo e Pedro em Antioquia registrado em Gálatas 2.11.

Paulo menciona isso apenas para provar sua própria autoridade e independência como apóstolo. Lucas não tinha motivo para registrar o incidente, se ele estava familiarizado com o assunto. Esses exemplos ilustram bem como, quando Atos e as epístolas variam, eles realmente se complementam.

X. Cronologia de Atos.

Aqui enfrentamos uma das questões mais complexas na crítica do Novo Testamento. Em geral, escritores antigos não eram tão cuidadosos quanto os modernos em dar datas precisas para eventos históricos. De fato, não era fácil fazer isso devido à ausência de um método uniforme de contagem do tempo.

Lucas, no entanto, relaciona sua narrativa a eventos externos em vários pontos. Em seu Evangelho, ele ligou o nascimento de Jesus com os nomes de Augusto como imperador e de Quirínio como governador da Síria (Lucas 2.1), e a entrada de João Batista em seu ministério com os nomes dos principais governantes romanos e judeus da época (Lucas 3.1) Da mesma forma, em Atos, ele não nos deixa sem várias notas de tempos.

Ele não dá, de fato, a data da Ascensão ou da Crucificação, embora coloque a Ascensão quarenta dias após a Ressurreição (Atos 1.3), e o grande Dia de Pentecostes viria então dez dias depois, “não muitos dias depois” (Atos 1.5)

Mas os outros eventos nos capítulos iniciais de Atos não têm um arranjo cronológico claro. A carreira de Estêvão é localizada apenas “naqueles dias” (6:1). O início da perseguição geral sob Saulo é localizado no próprio dia da morte de Estêvão (8:1), mas o ano nem sequer é insinuado.

A conversão de Saulo vem provavelmente em sua ordem cronológica em Atos 9 mas o ano novamente não é dado. Não temos nenhuma dica sobre a idade de Saulo em sua conversão. Da mesma forma, a relação do trabalho de Pedro em Cesareia (10) com a pregação aos gregos em Antioquia (11) não é esclarecida, embora provavelmente nesta ordem. É somente quando chegamos a Atos 12 que alcançamos um evento cuja data é razoavelmente certa.

Este é a morte de Herodes Agripa I em 44 d. C. Mas mesmo assim, Lucas não correlaciona a vida de Paulo com esse incidente. Ramsay (São Paulo o Viajante – Atos 49) coloca a perseguição e morte de Tiago em 44, e a visita de Barnabé e Saulo a Jerusalém em 46.

Cerca de 44, então, podemos considerar que Saulo veio para Antioquia de Tarso.

Os “quatorze anos” em Gálatas 2.1, como já mostrado, provavelmente apontam para a visita em Atos 15 alguns anos depois. Mas Saulo havia estado em Tarso por alguns anos e passou cerca de três anos na Arábia e Damasco após sua conversão (Gálatas 1.18).

Além disso, não é possível ir. Não sabemos a idade de Saulo em 44 d. C. ou o ano de sua conversão. Ele provavelmente nasceu por volta de 1 d. C. Mas se localizarmos Paulo em Antioquia com Barnabé em 44 d.

C., podemos fazer algum progresso. Aqui Paulo passou um ano (Atos 11.26). A visita a Jerusalém em Atos 11 a primeira viagem missionária em 13 – Atos 14 a conferência em Jerusalém em 15, a segunda viagem missionária em 16-18, a terceira viagem missionária e retorno a Jerusalém em 18-21, a prisão em Jerusalém e dois anos em Cesareia em 21-26, tudo vem entre 44 d.

C. e a revocação de Félix e a vinda de Festo. Costumava-se aceitar que Festo chegou em 60 d. C.

Wieseler calculou isso a partir de Josefo e foi seguido por Lightfoot. Mas Eusébio, em sua “Crônica”, colocou esse evento no segundo ano de Nero. Isso seria 56, a menos que Eusébio tenha uma maneira especial de contar esses anos.

O Sr. C. H Turner (art. “Cronologia” em HDB) descobre que Eusébio conta o ano de reinado de um imperador a

XI. Valor Histórico de Atos.

Era uma vez moda desacreditar Atos como um livro sem valor real como história. A escola de Tubingen considerava Atos como “um romance controverso tardio, cujo único valor histórico era lançar luz sobre o pensamento do período que o produziu”.

Ainda há alguns escritores que consideram Atos como um eirenicon tardio entre as partes de Pedro e Paulo, ou como um panfleto partidário a favor de Paulo. Paralelos fantasiosos são encontrados entre o tratamento de Lucas tanto de Pedro quanto de Paulo.

Mas essa questão parece bastante forçada. Pedro é a figura principal nos primeiros capítulos, como Paulo é na segunda metade do livro, mas as correspondências não são notavelmente marcantes.

Existe em algumas mentes um preconceito contra o livro por causa dos milagres registrados como eventos genuínos por Lucas. Mas o próprio Paulo afirmou ter operado milagres (2 Coríntios 12.12). Não é científico descartar antecipadamente um livro porque narra milagres.

Ramsay conta sua experiência em relação à confiabilidade de Atos: “Comecei com uma mente desfavorável a ele, pois a engenhosidade e aparente completude da teoria de Tubingen me convenceram por um tempo.” Foi pela verificação real de Atos em pontos onde podia ser testado por inscrições, epístolas de Paulo ou escritores não cristãos contemporâneos que “foi gradualmente impresso em mim que em vários detalhes a narrativa mostrava uma verdade maravilhosa.” Ele conclui “colocando este grande escritor no alto pedestal que lhe pertence”.

McGiffert foi compelido pela evidência geográfica e histórica a abandonar em parte a crítica mais antiga. Ele também admitiu que Atos “é mais confiável do que os críticos anteriores permitiam”. Schmiedel ainda argumenta que o escritor de Atos é inexato porque não possuía informações completas.

Mas, no geral, Atos teve uma vindicação triunfante na crítica moderna. Julicher admite “um núcleo genuíno sobrecarregado com acréscimos lendários”. A honestidade moral de Lucas, sua fidelidade à verdade, é claramente mostrada tanto em seu Evangelho quanto em Atos.

Este, afinal, é o principal traço do verdadeiro historiador. Lucas escreve como um homem de propósito sério e é o único escritor do Novo Testamento que menciona seu uso cuidadoso de seus materiais (Lucas 1.1-4).

Sua atitude e gasto são os do historiador. Ele revela habilidade artística, é verdade, mas não para o descrédito de seu registro. Ele não dá uma crônica nua, mas escreve uma história real, uma interpretação dos eventos registrados.

Ele tinha recursos adequados em termos de materiais e dotação e fez uso consciente e habilidoso de sua oportunidade. Não é necessário aqui detalhar todos os pontos em que Lucas foi reivindicado. Os mais óbvios são os seguintes:

O uso de “proconsul” em vez de “propretor” em Atos 13.7 é um exemplo marcante. Curiosamente, Chipre não foi uma província senatorial por muito tempo. Uma inscrição foi encontrada em Chipre “no proconsulado de Paulo”.

O `primeiro homem’ de Antioquia na Pisídia é como o (13:50) “Primeiro Dez”, um título que “era dado (como aqui) apenas a um conselho de magistrados em cidades gregas do Oriente”. O “sacerdote de Júpiter” em Listra (14:13) está de acordo com os fatos conhecidos do culto lá.

Assim temos Perge na Panfília (13:13), Antioquia na Pisídia (13:14), Listra e Derbe na Licaônia (14:6), mas não Icônio (14:1). Em Filipos, Lucas nota que os magistrados são chamados estrategos ou pretores (Atos 16.20) e são acompanhados por lictores ou rhabdouchoi (Atos 16.35).

Em Tessalônica, os governantes são “politarcas” (Atos 17.6), um título encontrado em nenhum outro lugar, mas agora descoberto em uma inscrição de Tessalônica. Ele fala corretamente do Tribunal de Areópago em Atenas (Atos 17.19) e do procônsul na Acaia (Atos 18.12).

Ainda que Atenas fosse uma cidade livre, o Tribunal de Areópago na época eram os verdadeiros governantes. Acaia às vezes estava associada à Macedônia, embora neste momento fosse uma província senatorial separada.

Em Éfeso, Lucas conhece os “Asiarcas” (Atos 19.31), “os presidentes do `Conselho Comum’ da província em cidades onde havia um templo de Roma e do Imperador; eles supervisionavam o culto do Imperador” (Maclean).

Observe também o fato de que Éfeso é “guardiã do templo da grande Diana” (Atos 19.35). Então observe o escrivão da cidade (Atos 19.35) e a assembleia (Atos 19.39). Note também o título de Félix, “governador” ou procurador (Atos 24.1), Agripa o rei (25:13), Júlio o centurião e a banda augustana (Atos 27.1).

Atos 27 é uma maravilha de interesse e precisão para todos que desejam saber detalhes da navegação antiga. O título “Primeiro Homem da Ilha” (Atos 28.7) agora é encontrado em uma moeda de Malta. Estes não são de forma alguma todos os assuntos de interesse, mas serão suficientes.

Na maioria dos itens dados acima, a veracidade de Lucas foi uma vez desafiada, mas agora ele foi triunfantemente reivindicado.

A força dessa reivindicação é melhor apreciada quando se lembra da natureza incidental dos itens mencionados. Eles vêm de distritos amplamente dispersos e são justamente os pontos onde em regiões estranhas é tão fácil cometer erros.

Se o espaço permitisse, o assunto poderia ser apresentado com mais detalhes e com mais justiça ao valor de Lucas como historiador. É verdade que nas partes anteriores de Atos não somos capazes de encontrar tantas corroborações geográficas e históricas.

Mas a natureza do material não exigia a menção de tantos lugares e pessoas. Na última parte, Lucas não hesita em registrar eventos milagrosos também. Seu caráter como historiador é firmemente estabelecido pelas passagens onde o contato externo foi encontrado.

Não podemos recusar-lhe um bom nome no resto do livro, embora o valor das fontes utilizadas certamente tenha um papel importante. Tem sido argumentado que Lucas falha como historiador na dupla menção de Quirínio em Lucas 2.2 e Atos 5.37.

Mas Ramsay mostrou como o novo conhecimento do sistema de censo de Augusto derivado dos papiros do Egito está prestes a esclarecer essa dificuldade. A precisão geral de Lucas pelo menos exige suspensão de julgamento, e na questão de Teudas e Judas, o Galileu (Atos 5), Lucas em comparação com Josefo supera seu rival.

Harnack dá de maneira usual meticulosa uma série de exemplos de “inexatidão e discrepância” Mas a grande maioria deles são meramente exemplos de independência na narração (compare Atos 9 com 22 – Atos 26 onde temos três relatos da conversão de Paulo).

Harnack de fato não colocou uma vez um alto valor em Lucas como historiador como ele faz agora. Portanto, é ainda mais significativo ler o seguinte na obra de Harnack The Ac of the Apostles: “O livro agora foi restaurado à posição de crédito que é seu devido direito.

Não só, tomado como um todo, é uma obra genuinamente histórica, mas até mesmo na maioria de seus detalhes é confiável ….. Julgado de quase todos os possíveis pontos de vista da crítica histórica, é uma obra sólida, respeitável e em muitos aspectos extraordinária.” Isso, na minha opinião, é uma subestimação dos fatos, mas é uma conclusão notável sobre a confiabilidade de Lucas quando se considera a distância que Harnack percorreu.

De qualquer forma, o preconceito contra Lucas está rapidamente desaparecendo. O julgamento do futuro é previsto por Ramsay, que classifica Lucas como um historiador de primeira ordem.

XII. Propósito do Livro.

Muito debate foi dado ao objetivo de Lucas em Atos. A teoria de Baur era que este livro foi escrito para dar uma visão conciliatória do conflito entre Pedro e Paulo, e que um paralelismo minucioso existe em Atos entre esses dois heróis.

Esta teoria de tendência uma vez dominou o campo crítico, mas não leva em conta todos os fatos, e falha em explicar o livro como um todo. Pedro e Paulo são os heróis do livro como indiscutivelmente foram as duas principais personalidades na história apostólica (compare Wendt, Apostelgeschichte).

Há algum paralelismo entre as carreiras dos dois homens (compare a adoração oferecida a Pedro em Cesaréia em Atos 10.25, e aquela a Paulo em 14:11; veja também o castigo de Ananias e Safira e aquele de Elimas).

Mas Knowling bem responde que curiosamente nenhum uso é feito da morte de ambos Pedro e Paulo em Roma, possivelmente ao mesmo tempo. Se Atos foi escrito tarde, esse assunto estaria aberto ao conhecimento do escritor.

Não há de fato nenhum esforço real por parte de Lucas para pintar Paulo como Pedro ou Pedro como Paulo. As poucas semelhanças em incidentes são meramente paralelos históricos naturais. Outros viram em Atos um forte propósito de conciliar a opinião gentílica na apresentação uniformemente favorável dos governadores romanos e oficiais militares a Paulo, enquanto os judeus são representados como os verdadeiros agressores contra o Cristianismo (compare a atitude de Josefo em relação a Roma).

Aqui novamente o fato é incontestável. Mas a outra explicação é mais natural, ou seja, que Lucas destaca esse aspecto da questão porque era a verdade. Pode ser verdade que Lucas tenha em mente um terceiro livro (Atos 1.1), uma inferência possível embora de forma alguma necessária de “primeiro tratado”.

Foi um clímax levar a narrativa a Roma com Paulo, mas é um pouco forçado encontrar tudo isso em Atos 1.8. Roma não era “a parte mais baixa da terra”, sendo a Espanha mais próxima disso. Nem Paulo levou o evangelho a Roma.

Além disso, fazer da chegada de Paulo em Roma o objetivo na mente de Cristo é um propósito demasiadamente restritivo. O propósito de ir a Roma dominou a mente de Paulo por vários anos (Atos 19.21), mas Paulo não aparece na primeira parte do livro.

E Paulo desejava seguir de Roma para a Espanha (Romanos 15.24). Provavelmente é verdade que Lucas pretende anunciar seu propósito em Atos 1.1-8. Também é preciso ter em mente Lucas 1.1-4. Existem várias maneiras de escrever história.

Lucas escolhe o método biográfico em Atos. Assim, ele concebe que pode melhor expor a tarefa tremenda de interpretar os primeiros trinta anos da história apostólica. É em torno de pessoas, duas grandes figuras (Pedro e Paulo), que a narrativa é focada.

Pedro é mais proeminente em Atos 1.12, Paulo em 13-28. Ainda assim, a conversão de Paulo é contada em Atos 9 e Pedro reaparece em Atos 15 Mas essas grandes personagens não estão sozinhas. João Apóstolo está certamente com Pedro nos capítulos iniciais.

Os outros apóstolos também são mencionados pelo nome (Atos 1.13) e várias vezes nos primeiros doze capítulos (e em Atos 15). Mas depois de Atos 15 eles saem da narrativa, pois Lucas segue as fortunas de Paulo.

As outras principais figuras secundárias em Atos são Estêvão, Filipe, Barnabé, Tiago, Apolo, todos helenistas exceto Tiago. Os personagens menores são numerosos (João, Marcos, Silas, Timóteo, Áquila e Priscila, Aristarco, etc.).

Na maioria dos casos, Lucas dá uma imagem distinta dessas personagens incidentais. Em particular, ele destaca homens como Gálio, Cláudio, Lísias, Félix, Festo, Herodes, Agripa I e II, Júlio. A concepção de Lucas da história apostólica é que é o trabalho de Jesus ainda continuado pelo Espírito Santo (Atos 1.1).

Cristo escolheu os apóstolos, ordenou-lhes que esperassem por poder do alto, encheu-os com o Espírito Santo e então os enviou na missão de conquista mundial. Em Atos, Lucas registra a espera, a vinda do Espírito Santo, o plantio de uma igreja poderosa em Jerusalém e a expansão do evangelho para Samaria e por todo o Império Romano.

Ele dirige o livro a Teófilo como seu patrono, claramente um cristão gentio, como havia feito com seu evangelho. O livro é destinado à iluminação dos cristãos em geral sobre as origens históricas do Cristianismo. É de fato a primeira história da igreja. É realmente os Atos do Espírito Santo conforme realizado através desses homens. É uma narração inspiradora.

Lucas não tinha dúvida alguma sobre o futuro de um evangelho com tal história e com tais heróis da fé como Pedro e Paulo.

Atos dos Apóstolos – 8.12 – Enciclopédia Internacional da Bíblia Padrão

Atos dos Apóstolos – 8.12

VIII. Os Discursos em Atos.

Essa questão é importante o suficiente para receber um tratamento separado. Os numerosos discursos relatados em Atos são composições livres de Lucas feitas sob encomenda à maneira de Tucídides? São relatos literais de anotações feitas na época e copiadas literalmente na narrativa?

São relatos substanciais incorporados com mais ou menos liberdade e marcas do próprio estilo de Lucas? Em teoria, qualquer um desses métodos era possível. O exemplo de Tucídides, Xenofonte, Lívio e Josefo mostra que historiadores antigos não hesitavam em inventar discursos dos quais nenhum relato estava disponível.

Há aqueles que acusam Lucas de fazer exatamente isso em Atos. A questão só pode ser resolvida por meio de um apelo aos fatos, na medida em que podem ser determinados. Não se pode negar que até certo ponto a mão de Lucas é aparente nos discursos relatados por ele em Atos.

Mas esse fato não deve ser levado longe demais. Não é verdade que os discursos são todos iguais em estilo.

É possível distinguir muito claramente os discursos de Pedro daqueles de Paulo. Isso é verdade, mas também somos capazes de comparar os discursos de ambos, Paulo e Pedro, com suas epístolas. Não é provável que Lucas tenha visto essas epístolas, como será mostrado em breve. É atribuir uma habilidade literária notável a Lucas supor que ele compôs discursos “Petrinos” e “Paulinos” com tanto sucesso que eles harmonizam lindamente com os ensinamentos e estilo geral de cada um desses apóstolos.

O discurso de Estêvão também difere nitidamente dos de Pedro e Paulo, embora não possamos comparar este relato com qualquer trabalho original de Estêvão em si. Outra coisa também é verdadeira, particularmente sobre os sermões de Paulo.

Eles são maravilhosamente adequados ao tempo, lugar e público. Todos têm um sabor Paulino distinto, e ainda assim uma diferença no colorido local que corresponde, em certa medida, às variações no estilo das epístolas de Paulo.

O professor Percy Gardner (Os Discursos de Paulo em Atos, em Ensaios Bíblicos de Cambridge – 1909) reconhece essas diferenças, mas procura explicá-las com base na variabilidade da precisão nas fontes usadas por Lucas, considerando o discurso em Mileto como o mais histórico de todos.

Mas ele admite o uso de fontes por Lucas para esses endereços.

A teoria de invenção pura por Lucas é bastante desacreditada pelo apelo aos fatos. Por outro lado, diante da presença aparente do estilo de Lucas em alguns discursos, dificilmente se pode afirmar que ele fez relatos literais.

Além disso, o relato dos discursos de Jesus no Evangelho de Lucas (como nos outros evangelhos) mostra a mesma liberdade em dar a substância exata reprodução das palavras que é encontrada em Atos. Novamente, parece claro que alguns, se não todos, os relatos em Atos são condensados, meros esboços no caso de alguns dos discursos de Pedro.

Os antigos sabiam como fazer relatórios taquigráficos desses endereços. A tradição oral provavelmente estava ativa na preservação dos primeiros discursos de Pedro e até mesmo de Estêvão, embora Paulo mesmo tenha ouvido Estêvão.

Os discursos de Paulo mostram todos as marcas de uma testemunha ocular (Bethge, Die paulinischen Reden, etc. – 174). Para os discursos de Pedro, Lucas pode ter tido documentos, ou ele pode ter anotado a tradição oral corrente enquanto ele estava em Jerusalém e Cesaréia.

Pedro provavelmente falou em grego no dia de Pentecostes. Seus outros discursos podem ter sido em aramaico ou em grego. Mas a tradição oral certamente os transmitiria em grego, se também em aramaico.

Lucas ouviu Paulo falar em Mileto (Atos 20) e pode ter tomado notas na época. Da mesma forma, ele quase certamente ouviu o discurso de Paulo nas escadas da Torre de Antônia (Atos 22) e aquele perante Agripa (Atos 26).

Não há razão para pensar que ele estava ausente quando Paulo fez suas defesas perante Félix e Festo (Atos 24.25) Ele estava presente no navio quando Paulo falou (Atos 27), e em Roma quando ele se dirigiu aos judeus (Atos 28) Lucas não estava presente quando Paulo entregou seu sermão em Antioquia da Pisídia (Atos 13), ou em Listra (Atos 14), ou em Atenas (Atos 17) Mas esses discursos diferem tanto em tema e tratamento, e são tão essencialmente Paulinos que é natural pensar que Paulo mesmo deu a Lucas as notas que ele usou.

O sermão em Antioquia da Pisídia é provavelmente dado como uma amostra dos discursos missionários de Paulo. Contém o coração do evangelho de Paulo como aparece em suas epístolas. Ele enfatiza a morte e ressurreição de Jesus, remissão dos pecados por meio de Cristo, justificação pela fé. Às vezes se objeta que em Atenas o discurso mostra uma amplitude de visão e simpatia desconhecidas a Paulo, e que há um curioso tom Ático no estilo grego.

O sermão vai até onde Paulo pode (compare 1 Coríntios 9.22) em direção ao ponto de vista dos gregos (mas compare Colossenses e Efésios). No entanto, Paulo não sacrifica seu princípio da graça em Cristo.

Ele chamou os atenienses ao arrependimento, pregou o julgamento pelo pecado e anunciou a ressurreição de Jesus dentre os mortos. A paternidade de Deus e a fraternidade do homem aqui ensinada não significava que Deus zombava do pecado e poderia salvar todos os homens sem arrependimento e perdão dos pecados.

Chase (A Credibilidade de Atos) fornece uma coleção de endereços missionários de Paulo. A realidade histórica e o valor dos discursos em Atos podem ser ditos como reivindicados pela erudição moderna. Para uma discussão simpática e acadêmica de todos os endereços de Paulo, veja Jones, Paulo o Orador (1910).

O breve discurso de Tértulo (Atos 24) foi feito em público, assim como a declaração pública de Festo em Atos 26 A carta de Cláudio Lísias para Félix em Atos 23 era um documento público. Como Lucas obteve a conversa sobre Paulo entre Festo e Agripa em Atos 26 é mais difícil de conjecturar.

IX. Relação de Atos com as Epístolas.

Não há evidências reais de que Lucas tenha feito uso de alguma das epístolas de Paulo. Ele estava com Paulo em Roma quando Colossenses foi escrita (4:14), e pode, de fato, ter sido o amanuense de Paulo para esta epístola (e para Efésios e Filemom).

Algumas semelhanças com o estilo de Lucas foram apontadas. Mas Atos termina sem qualquer narrativa dos eventos em Roma durante os anos lá, de modo que essas epístolas não exerceram influência sobre a composição do livro.

Quanto aos dois grupos anteriores de epístolas de Paulo (1 e 2 Tessalonicenses – 1 e 2 Coríntios, Gálatas, Romanos) não há prova de que Lucas viu algum deles. A Epístola aos Romanos provavelmente estava acessível a Lucas enquanto em Roma, mas ele não parece tê-la usado.

Lucas evidentemente preferiu recorrer diretamente a Paulo para informações em vez de a suas epístolas.

Isso é tudo simples o suficiente se ele escreveu o livro ou fez seus dados enquanto Paulo estava vivo. Mas se Atos foi escrito muito tarde, seria estranho que o autor não tivesse feito uso de algumas das epístolas de Paulo.

O livro tem, portanto, a grande vantagem de cobrir parte do mesmo terreno discutido nas epístolas anteriores, mas de um ponto de vista completamente independente. As lacunas em nosso conhecimento de uma fonte muitas vezes são fornecidas incidentalmente, mas de forma mais satisfatória, pela outra.

As coincidências entre Atos e as epístolas de Paulo foram bem traçadas por Paley em seu Horae Paulinae, ainda um livro de grande valor. Knowling, em seu Testemunho das Epístolas (1892), fez um estudo mais recente do mesmo problema.

Mas pelo aparente conflito entre Gálatas 2.1-10 e Atos 15 a questão poderia ser encerrada neste ponto.

Argumenta-se por alguns que Atos, escritos muito tempo depois de Gálatas, ignora o relato da conferência de Jerusalém dada por Paulo. Sustenta-se que Paulo está correto em seu registro pessoal, e que Atos, portanto, é desprovido de historicidade.

Outros salvam o crédito de Atos argumentando que Paulo está se referindo a uma conferência privada anterior alguns anos antes da discussão pública registrada em Atos 15 Isso é, claro, possível em si mesmo, mas de forma alguma exigido pelas variações entre os dois relatórios.

A afirmação de Lightfoot nunca foi realmente superada, de que em Gálatas 2.1-10 Paulo apresenta o lado pessoal da conferência, não um relatório completo da reunião geral. O que Paulo está fazendo é mostrar aos gálatas como ele está no mesmo nível dos apóstolos de Jerusalém, e como sua autoridade e independência foram reconhecidas por eles.

Este aspecto da questão surgiu na conferência privada. Paulo não está em Gálatas 2.1-10 expondo sua vitória sobre os judaizantes em nome da liberdade gentílica. Mas em Atos 15 é precisamente essa luta pela liberdade gentílica que está em discussão.

As relações de Paulo com os apóstolos de Jerusalém não são o ponto em questão, embora seja claro em Atos que eles concordam. Em Gálatas também a vitória de Paulo pela liberdade gentílica é evidente. De fato, em Atos 15 é mencionado duas vezes que os apóstolos e anciãos se reuniram (15:4,6), e duas vezes nos é dito que Paulo e Barnabé se dirigiram a eles (15:4,12). É, portanto, natural supor que essa conferência privada narrada por Paulo em Gálatas ocorreu entre 2:5 – Atos 6

Lucas pode não ter visto a Epístola aos Gálatas, e pode não ter ouvido de Paulo a história da conferência privada, embora ele soubesse das duas reuniões públicas. Se ele sabia da reunião privada, ele achou que não era pertinente à sua narração.

Claro, não há contradição entre Paulo subir por revelação e pelo compromisso da igreja em Antioquia. Em Gálatas 2.1 temos a segunda visita (Gálatas 1.18) a Jerusalém após sua conversão mencionada por Paulo, enquanto que em Atos 15 é a terceira em Atos (9.2 – Atos 11.29 – Atos 15.2).

Mas não havia razão particular para Paulo mencionar a visita em Atos 11.30, que não diz respeito à sua relação com os apóstolos em Jerusalém. De fato, apenas os “anciãos” são mencionados nessa ocasião.

A mesma independência entre Atos e Gálatas ocorre em Gálatas 1.17-24, e Atos 9.26-30. Em Atos não há alusão à visita à Arábia, assim como não há menção da conferência privada em Atos 15 Da mesma forma, em Atos 15.35-39 não há menção do forte desacordo entre Paulo e Pedro em Antioquia registrado em Gálatas 2.11.

Paulo menciona isso apenas para provar sua própria autoridade e independência como apóstolo. Lucas não tinha motivo para registrar o incidente, se ele estava familiarizado com o assunto. Esses exemplos ilustram bem como, quando Atos e as epístolas variam, eles realmente se complementam.

X. Cronologia de Atos.

Aqui enfrentamos uma das questões mais complexas na crítica do Novo Testamento. Em geral, escritores antigos não eram tão cuidadosos quanto os modernos em dar datas precisas para eventos históricos. De fato, não era fácil fazer isso devido à ausência de um método uniforme de contagem do tempo.

Lucas, no entanto, relaciona sua narrativa a eventos externos em vários pontos. Em seu Evangelho, ele ligou o nascimento de Jesus com os nomes de Augusto como imperador e de Quirínio como governador da Síria (Lucas 2.1), e a entrada de João Batista em seu ministério com os nomes dos principais governantes romanos e judeus da época (Lucas 3.1) Da mesma forma, em Atos, ele não nos deixa sem várias notas de tempos.

Ele não dá, de fato, a data da Ascensão ou da Crucificação, embora coloque a Ascensão quarenta dias após a Ressurreição (Atos 1.3), e o grande Dia de Pentecostes viria então dez dias depois, “não muitos dias depois” (Atos 1.5)

Mas os outros eventos nos capítulos iniciais de Atos não têm um arranjo cronológico claro. A carreira de Estêvão é localizada apenas “naqueles dias” (6:1). O início da perseguição geral sob Saulo é localizado no próprio dia da morte de Estêvão (8:1), mas o ano nem sequer é insinuado.

A conversão de Saulo vem provavelmente em sua ordem cronológica em Atos 9 mas o ano novamente não é dado. Não temos nenhuma dica sobre a idade de Saulo em sua conversão. Da mesma forma, a relação do trabalho de Pedro em Cesareia (10) com a pregação aos gregos em Antioquia (11) não é esclarecida, embora provavelmente nesta ordem. É somente quando chegamos a Atos 12 que alcançamos um evento cuja data é razoavelmente certa.

Este é a morte de Herodes Agripa I em 44 d. C. Mas mesmo assim, Lucas não correlaciona a vida de Paulo com esse incidente. Ramsay (São Paulo o Viajante – Atos 49) coloca a perseguição e morte de Tiago em 44, e a visita de Barnabé e Saulo a Jerusalém em 46.

Cerca de 44, então, podemos considerar que Saulo veio para Antioquia de Tarso.

Os “quatorze anos” em Gálatas 2.1, como já mostrado, provavelmente apontam para a visita em Atos 15 alguns anos depois. Mas Saulo havia estado em Tarso por alguns anos e passou cerca de três anos na Arábia e Damasco após sua conversão (Gálatas 1.18).

Além disso, não é possível ir. Não sabemos a idade de Saulo em 44 d. C. ou o ano de sua conversão. Ele provavelmente nasceu por volta de 1 d. C. Mas se localizarmos Paulo em Antioquia com Barnabé em 44 d.

C., podemos fazer algum progresso. Aqui Paulo passou um ano (Atos 11.26). A visita a Jerusalém em Atos 11 a primeira viagem missionária em 13 – Atos 14 a conferência em Jerusalém em 15, a segunda viagem missionária em 16-18, a terceira viagem missionária e retorno a Jerusalém em 18-21, a prisão em Jerusalém e dois anos em Cesareia em 21-26, tudo vem entre 44 d.

C. e a revocação de Félix e a vinda de Festo. Costumava-se aceitar que Festo chegou em 60 d. C.

Wieseler calculou isso a partir de Josefo e foi seguido por Lightfoot. Mas Eusébio, em sua “Crônica”, colocou esse evento no segundo ano de Nero. Isso seria 56, a menos que Eusébio tenha uma maneira especial de contar esses anos.

O Sr. C. H Turner (art. “Cronologia” em HDB) descobre que Eusébio conta o ano de reinado de um imperador a

XI. Valor Histórico de Atos.

Era uma vez moda desacreditar Atos como um livro sem valor real como história. A escola de Tubingen considerava Atos como “um romance controverso tardio, cujo único valor histórico era lançar luz sobre o pensamento do período que o produziu”.

Ainda há alguns escritores que consideram Atos como um eirenicon tardio entre as partes de Pedro e Paulo, ou como um panfleto partidário a favor de Paulo. Paralelos fantasiosos são encontrados entre o tratamento de Lucas tanto de Pedro quanto de Paulo.

Mas essa questão parece bastante forçada. Pedro é a figura principal nos primeiros capítulos, como Paulo é na segunda metade do livro, mas as correspondências não são notavelmente marcantes.

Existe em algumas mentes um preconceito contra o livro por causa dos milagres registrados como eventos genuínos por Lucas. Mas o próprio Paulo afirmou ter operado milagres (2 Coríntios 12.12). Não é científico descartar antecipadamente um livro porque narra milagres.

Ramsay conta sua experiência em relação à confiabilidade de Atos: “Comecei com uma mente desfavorável a ele, pois a engenhosidade e aparente completude da teoria de Tubingen me convenceram por um tempo.” Foi pela verificação real de Atos em pontos onde podia ser testado por inscrições, epístolas de Paulo ou escritores não cristãos contemporâneos que “foi gradualmente impresso em mim que em vários detalhes a narrativa mostrava uma verdade maravilhosa.” Ele conclui “colocando este grande escritor no alto pedestal que lhe pertence”.

McGiffert foi compelido pela evidência geográfica e histórica a abandonar em parte a crítica mais antiga. Ele também admitiu que Atos “é mais confiável do que os críticos anteriores permitiam”. Schmiedel ainda argumenta que o escritor de Atos é inexato porque não possuía informações completas.

Mas, no geral, Atos teve uma vindicação triunfante na crítica moderna. Julicher admite “um núcleo genuíno sobrecarregado com acréscimos lendários”. A honestidade moral de Lucas, sua fidelidade à verdade, é claramente mostrada tanto em seu Evangelho quanto em Atos.

Este, afinal, é o principal traço do verdadeiro historiador. Lucas escreve como um homem de propósito sério e é o único escritor do Novo Testamento que menciona seu uso cuidadoso de seus materiais (Lucas 1.1-4).

Sua atitude e gasto são os do historiador. Ele revela habilidade artística, é verdade, mas não para o descrédito de seu registro. Ele não dá uma crônica nua, mas escreve uma história real, uma interpretação dos eventos registrados.

Ele tinha recursos adequados em termos de materiais e dotação e fez uso consciente e habilidoso de sua oportunidade. Não é necessário aqui detalhar todos os pontos em que Lucas foi reivindicado. Os mais óbvios são os seguintes:

O uso de “proconsul” em vez de “propretor” em Atos 13.7 é um exemplo marcante. Curiosamente, Chipre não foi uma província senatorial por muito tempo. Uma inscrição foi encontrada em Chipre “no proconsulado de Paulo”.

O `primeiro homem’ de Antioquia na Pisídia é como o (13:50) “Primeiro Dez”, um título que “era dado (como aqui) apenas a um conselho de magistrados em cidades gregas do Oriente”. O “sacerdote de Júpiter” em Listra (14:13) está de acordo com os fatos conhecidos do culto lá.

Assim temos Perge na Panfília (13:13), Antioquia na Pisídia (13:14), Listra e Derbe na Licaônia (14:6), mas não Icônio (14:1). Em Filipos, Lucas nota que os magistrados são chamados estrategos ou pretores (Atos 16.20) e são acompanhados por lictores ou rhabdouchoi (Atos 16.35).

Em Tessalônica, os governantes são “politarcas” (Atos 17.6), um título encontrado em nenhum outro lugar, mas agora descoberto em uma inscrição de Tessalônica. Ele fala corretamente do Tribunal de Areópago em Atenas (Atos 17.19) e do procônsul na Acaia (Atos 18.12).

Ainda que Atenas fosse uma cidade livre, o Tribunal de Areópago na época eram os verdadeiros governantes. Acaia às vezes estava associada à Macedônia, embora neste momento fosse uma província senatorial separada.

Em Éfeso, Lucas conhece os “Asiarcas” (Atos 19.31), “os presidentes do `Conselho Comum’ da província em cidades onde havia um templo de Roma e do Imperador; eles supervisionavam o culto do Imperador” (Maclean).

Observe também o fato de que Éfeso é “guardiã do templo da grande Diana” (Atos 19.35). Então observe o escrivão da cidade (Atos 19.35) e a assembleia (Atos 19.39). Note também o título de Félix, “governador” ou procurador (Atos 24.1), Agripa o rei (25:13), Júlio o centurião e a banda augustana (Atos 27.1).

Atos 27 é uma maravilha de interesse e precisão para todos que desejam saber detalhes da navegação antiga. O título “Primeiro Homem da Ilha” (Atos 28.7) agora é encontrado em uma moeda de Malta. Estes não são de forma alguma todos os assuntos de interesse, mas serão suficientes.

Na maioria dos itens dados acima, a veracidade de Lucas foi uma vez desafiada, mas agora ele foi triunfantemente reivindicado.

A força dessa reivindicação é melhor apreciada quando se lembra da natureza incidental dos itens mencionados. Eles vêm de distritos amplamente dispersos e são justamente os pontos onde em regiões estranhas é tão fácil cometer erros.

Se o espaço permitisse, o assunto poderia ser apresentado com mais detalhes e com mais justiça ao valor de Lucas como historiador. É verdade que nas partes anteriores de Atos não somos capazes de encontrar tantas corroborações geográficas e históricas.

Mas a natureza do material não exigia a menção de tantos lugares e pessoas. Na última parte, Lucas não hesita em registrar eventos milagrosos também. Seu caráter como historiador é firmemente estabelecido pelas passagens onde o contato externo foi encontrado.

Não podemos recusar-lhe um bom nome no resto do livro, embora o valor das fontes utilizadas certamente tenha um papel importante. Tem sido argumentado que Lucas falha como historiador na dupla menção de Quirínio em Lucas 2.2 e Atos 5.37.

Mas Ramsay mostrou como o novo conhecimento do sistema de censo de Augusto derivado dos papiros do Egito está prestes a esclarecer essa dificuldade. A precisão geral de Lucas pelo menos exige suspensão de julgamento, e na questão de Teudas e Judas, o Galileu (Atos 5), Lucas em comparação com Josefo supera seu rival.

Harnack dá de maneira usual meticulosa uma série de exemplos de “inexatidão e discrepância” Mas a grande maioria deles são meramente exemplos de independência na narração (compare Atos 9 com 22 – Atos 26 onde temos três relatos da conversão de Paulo).

Harnack de fato não colocou uma vez um alto valor em Lucas como historiador como ele faz agora. Portanto, é ainda mais significativo ler o seguinte na obra de Harnack The Ac of the Apostles: “O livro agora foi restaurado à posição de crédito que é seu devido direito.

Não só, tomado como um todo, é uma obra genuinamente histórica, mas até mesmo na maioria de seus detalhes é confiável ….. Julgado de quase todos os possíveis pontos de vista da crítica histórica, é uma obra sólida, respeitável e em muitos aspectos extraordinária.” Isso, na minha opinião, é uma subestimação dos fatos, mas é uma conclusão notável sobre a confiabilidade de Lucas quando se considera a distância que Harnack percorreu.

De qualquer forma, o preconceito contra Lucas está rapidamente desaparecendo. O julgamento do futuro é previsto por Ramsay, que classifica Lucas como um historiador de primeira ordem.

XII. Propósito do Livro.

Muito debate foi dado ao objetivo de Lucas em Atos. A teoria de Baur era que este livro foi escrito para dar uma visão conciliatória do conflito entre Pedro e Paulo, e que um paralelismo minucioso existe em Atos entre esses dois heróis.

Esta teoria de tendência uma vez dominou o campo crítico, mas não leva em conta todos os fatos, e falha em explicar o livro como um todo. Pedro e Paulo são os heróis do livro como indiscutivelmente foram as duas principais personalidades na história apostólica (compare Wendt, Apostelgeschichte).

Há algum paralelismo entre as carreiras dos dois homens (compare a adoração oferecida a Pedro em Cesaréia em Atos 10.25, e aquela a Paulo em 14:11; veja também o castigo de Ananias e Safira e aquele de Elimas).

Mas Knowling bem responde que curiosamente nenhum uso é feito da morte de ambos Pedro e Paulo em Roma, possivelmente ao mesmo tempo. Se Atos foi escrito tarde, esse assunto estaria aberto ao conhecimento do escritor.

Não há de fato nenhum esforço real por parte de Lucas para pintar Paulo como Pedro ou Pedro como Paulo. As poucas semelhanças em incidentes são meramente paralelos históricos naturais. Outros viram em Atos um forte propósito de conciliar a opinião gentílica na apresentação uniformemente favorável dos governadores romanos e oficiais militares a Paulo, enquanto os judeus são representados como os verdadeiros agressores contra o Cristianismo (compare a atitude de Josefo em relação a Roma).

Aqui novamente o fato é incontestável. Mas a outra explicação é mais natural, ou seja, que Lucas destaca esse aspecto da questão porque era a verdade. Pode ser verdade que Lucas tenha em mente um terceiro livro (Atos 1.1), uma inferência possível embora de forma alguma necessária de “primeiro tratado”.

Foi um clímax levar a narrativa a Roma com Paulo, mas é um pouco forçado encontrar tudo isso em Atos 1.8. Roma não era “a parte mais baixa da terra”, sendo a Espanha mais próxima disso. Nem Paulo levou o evangelho a Roma.

Além disso, fazer da chegada de Paulo em Roma o objetivo na mente de Cristo é um propósito demasiadamente restritivo. O propósito de ir a Roma dominou a mente de Paulo por vários anos (Atos 19.21), mas Paulo não aparece na primeira parte do livro.

E Paulo desejava seguir de Roma para a Espanha (Romanos 15.24). Provavelmente é verdade que Lucas pretende anunciar seu propósito em Atos 1.1-8. Também é preciso ter em mente Lucas 1.1-4. Existem várias maneiras de escrever história.

Lucas escolhe o método biográfico em Atos. Assim, ele concebe que pode melhor expor a tarefa tremenda de interpretar os primeiros trinta anos da história apostólica. É em torno de pessoas, duas grandes figuras (Pedro e Paulo), que a narrativa é focada.

Pedro é mais proeminente em Atos 1.12, Paulo em 13-28. Ainda assim, a conversão de Paulo é contada em Atos 9 e Pedro reaparece em Atos 15 Mas essas grandes personagens não estão sozinhas. João Apóstolo está certamente com Pedro nos capítulos iniciais.

Os outros apóstolos também são mencionados pelo nome (Atos 1.13) e várias vezes nos primeiros doze capítulos (e em Atos 15). Mas depois de Atos 15 eles saem da narrativa, pois Lucas segue as fortunas de Paulo.

As outras principais figuras secundárias em Atos são Estêvão, Filipe, Barnabé, Tiago, Apolo, todos helenistas exceto Tiago. Os personagens menores são numerosos (João, Marcos, Silas, Timóteo, Áquila e Priscila, Aristarco, etc.).

Na maioria dos casos, Lucas dá uma imagem distinta dessas personagens incidentais. Em particular, ele destaca homens como Gálio, Cláudio, Lísias, Félix, Festo, Herodes, Agripa I e II, Júlio. A concepção de Lucas da história apostólica é que é o trabalho de Jesus ainda continuado pelo Espírito Santo (Atos 1.1).

Cristo escolheu os apóstolos, ordenou-lhes que esperassem por poder do alto, encheu-os com o Espírito Santo e então os enviou na missão de conquista mundial. Em Atos, Lucas registra a espera, a vinda do Espírito Santo, o plantio de uma igreja poderosa em Jerusalém e a expansão do evangelho para Samaria e por todo o Império Romano.

Ele dirige o livro a Teófilo como seu patrono, claramente um cristão gentio, como havia feito com seu evangelho. O livro é destinado à iluminação dos cristãos em geral sobre as origens históricas do Cristianismo. É de fato a primeira história da igreja. É realmente os Atos do Espírito Santo conforme realizado através desses homens. É uma narração inspiradora.

Lucas não tinha dúvida alguma sobre o futuro de um evangelho com tal história e com tais heróis da fé como Pedro e Paulo.

Atos dos Apóstolos – 8.12 – Enciclopédia Internacional da Bíblia Padrão

Atos dos Apóstolos – 8.12

VIII. Os Discursos em Atos.

Essa questão é importante o suficiente para receber um tratamento separado. Os numerosos discursos relatados em Atos são composições livres de Lucas feitas sob encomenda à maneira de Tucídides? São relatos literais de anotações feitas na época e copiadas literalmente na narrativa?

São relatos substanciais incorporados com mais ou menos liberdade e marcas do próprio estilo de Lucas? Em teoria, qualquer um desses métodos era possível. O exemplo de Tucídides, Xenofonte, Lívio e Josefo mostra que historiadores antigos não hesitavam em inventar discursos dos quais nenhum relato estava disponível.

Há aqueles que acusam Lucas de fazer exatamente isso em Atos. A questão só pode ser resolvida por meio de um apelo aos fatos, na medida em que podem ser determinados. Não se pode negar que até certo ponto a mão de Lucas é aparente nos discursos relatados por ele em Atos.

Mas esse fato não deve ser levado longe demais. Não é verdade que os discursos são todos iguais em estilo.

É possível distinguir muito claramente os discursos de Pedro daqueles de Paulo. Isso é verdade, mas também somos capazes de comparar os discursos de ambos, Paulo e Pedro, com suas epístolas. Não é provável que Lucas tenha visto essas epístolas, como será mostrado em breve. É atribuir uma habilidade literária notável a Lucas supor que ele compôs discursos “Petrinos” e “Paulinos” com tanto sucesso que eles harmonizam lindamente com os ensinamentos e estilo geral de cada um desses apóstolos.

O discurso de Estêvão também difere nitidamente dos de Pedro e Paulo, embora não possamos comparar este relato com qualquer trabalho original de Estêvão em si. Outra coisa também é verdadeira, particularmente sobre os sermões de Paulo.

Eles são maravilhosamente adequados ao tempo, lugar e público. Todos têm um sabor Paulino distinto, e ainda assim uma diferença no colorido local que corresponde, em certa medida, às variações no estilo das epístolas de Paulo.

O professor Percy Gardner (Os Discursos de Paulo em Atos, em Ensaios Bíblicos de Cambridge – 1909) reconhece essas diferenças, mas procura explicá-las com base na variabilidade da precisão nas fontes usadas por Lucas, considerando o discurso em Mileto como o mais histórico de todos.

Mas ele admite o uso de fontes por Lucas para esses endereços.

A teoria de invenção pura por Lucas é bastante desacreditada pelo apelo aos fatos. Por outro lado, diante da presença aparente do estilo de Lucas em alguns discursos, dificilmente se pode afirmar que ele fez relatos literais.

Além disso, o relato dos discursos de Jesus no Evangelho de Lucas (como nos outros evangelhos) mostra a mesma liberdade em dar a substância exata reprodução das palavras que é encontrada em Atos. Novamente, parece claro que alguns, se não todos, os relatos em Atos são condensados, meros esboços no caso de alguns dos discursos de Pedro.

Os antigos sabiam como fazer relatórios taquigráficos desses endereços. A tradição oral provavelmente estava ativa na preservação dos primeiros discursos de Pedro e até mesmo de Estêvão, embora Paulo mesmo tenha ouvido Estêvão.

Os discursos de Paulo mostram todos as marcas de uma testemunha ocular (Bethge, Die paulinischen Reden, etc. – 174). Para os discursos de Pedro, Lucas pode ter tido documentos, ou ele pode ter anotado a tradição oral corrente enquanto ele estava em Jerusalém e Cesaréia.

Pedro provavelmente falou em grego no dia de Pentecostes. Seus outros discursos podem ter sido em aramaico ou em grego. Mas a tradição oral certamente os transmitiria em grego, se também em aramaico.

Lucas ouviu Paulo falar em Mileto (Atos 20) e pode ter tomado notas na época. Da mesma forma, ele quase certamente ouviu o discurso de Paulo nas escadas da Torre de Antônia (Atos 22) e aquele perante Agripa (Atos 26).

Não há razão para pensar que ele estava ausente quando Paulo fez suas defesas perante Félix e Festo (Atos 24.25) Ele estava presente no navio quando Paulo falou (Atos 27), e em Roma quando ele se dirigiu aos judeus (Atos 28) Lucas não estava presente quando Paulo entregou seu sermão em Antioquia da Pisídia (Atos 13), ou em Listra (Atos 14), ou em Atenas (Atos 17) Mas esses discursos diferem tanto em tema e tratamento, e são tão essencialmente Paulinos que é natural pensar que Paulo mesmo deu a Lucas as notas que ele usou.

O sermão em Antioquia da Pisídia é provavelmente dado como uma amostra dos discursos missionários de Paulo. Contém o coração do evangelho de Paulo como aparece em suas epístolas. Ele enfatiza a morte e ressurreição de Jesus, remissão dos pecados por meio de Cristo, justificação pela fé. Às vezes se objeta que em Atenas o discurso mostra uma amplitude de visão e simpatia desconhecidas a Paulo, e que há um curioso tom Ático no estilo grego.

O sermão vai até onde Paulo pode (compare 1 Coríntios 9.22) em direção ao ponto de vista dos gregos (mas compare Colossenses e Efésios). No entanto, Paulo não sacrifica seu princípio da graça em Cristo.

Ele chamou os atenienses ao arrependimento, pregou o julgamento pelo pecado e anunciou a ressurreição de Jesus dentre os mortos. A paternidade de Deus e a fraternidade do homem aqui ensinada não significava que Deus zombava do pecado e poderia salvar todos os homens sem arrependimento e perdão dos pecados.

Chase (A Credibilidade de Atos) fornece uma coleção de endereços missionários de Paulo. A realidade histórica e o valor dos discursos em Atos podem ser ditos como reivindicados pela erudição moderna. Para uma discussão simpática e acadêmica de todos os endereços de Paulo, veja Jones, Paulo o Orador (1910).

O breve discurso de Tértulo (Atos 24) foi feito em público, assim como a declaração pública de Festo em Atos 26 A carta de Cláudio Lísias para Félix em Atos 23 era um documento público. Como Lucas obteve a conversa sobre Paulo entre Festo e Agripa em Atos 26 é mais difícil de conjecturar.

IX. Relação de Atos com as Epístolas.

Não há evidências reais de que Lucas tenha feito uso de alguma das epístolas de Paulo. Ele estava com Paulo em Roma quando Colossenses foi escrita (4:14), e pode, de fato, ter sido o amanuense de Paulo para esta epístola (e para Efésios e Filemom).

Algumas semelhanças com o estilo de Lucas foram apontadas. Mas Atos termina sem qualquer narrativa dos eventos em Roma durante os anos lá, de modo que essas epístolas não exerceram influência sobre a composição do livro.

Quanto aos dois grupos anteriores de epístolas de Paulo (1 e 2 Tessalonicenses – 1 e 2 Coríntios, Gálatas, Romanos) não há prova de que Lucas viu algum deles. A Epístola aos Romanos provavelmente estava acessível a Lucas enquanto em Roma, mas ele não parece tê-la usado.

Lucas evidentemente preferiu recorrer diretamente a Paulo para informações em vez de a suas epístolas.

Isso é tudo simples o suficiente se ele escreveu o livro ou fez seus dados enquanto Paulo estava vivo. Mas se Atos foi escrito muito tarde, seria estranho que o autor não tivesse feito uso de algumas das epístolas de Paulo.

O livro tem, portanto, a grande vantagem de cobrir parte do mesmo terreno discutido nas epístolas anteriores, mas de um ponto de vista completamente independente. As lacunas em nosso conhecimento de uma fonte muitas vezes são fornecidas incidentalmente, mas de forma mais satisfatória, pela outra.

As coincidências entre Atos e as epístolas de Paulo foram bem traçadas por Paley em seu Horae Paulinae, ainda um livro de grande valor. Knowling, em seu Testemunho das Epístolas (1892), fez um estudo mais recente do mesmo problema.

Mas pelo aparente conflito entre Gálatas 2.1-10 e Atos 15 a questão poderia ser encerrada neste ponto.

Argumenta-se por alguns que Atos, escritos muito tempo depois de Gálatas, ignora o relato da conferência de Jerusalém dada por Paulo. Sustenta-se que Paulo está correto em seu registro pessoal, e que Atos, portanto, é desprovido de historicidade.

Outros salvam o crédito de Atos argumentando que Paulo está se referindo a uma conferência privada anterior alguns anos antes da discussão pública registrada em Atos 15 Isso é, claro, possível em si mesmo, mas de forma alguma exigido pelas variações entre os dois relatórios.

A afirmação de Lightfoot nunca foi realmente superada, de que em Gálatas 2.1-10 Paulo apresenta o lado pessoal da conferência, não um relatório completo da reunião geral. O que Paulo está fazendo é mostrar aos gálatas como ele está no mesmo nível dos apóstolos de Jerusalém, e como sua autoridade e independência foram reconhecidas por eles.

Este aspecto da questão surgiu na conferência privada. Paulo não está em Gálatas 2.1-10 expondo sua vitória sobre os judaizantes em nome da liberdade gentílica. Mas em Atos 15 é precisamente essa luta pela liberdade gentílica que está em discussão.

As relações de Paulo com os apóstolos de Jerusalém não são o ponto em questão, embora seja claro em Atos que eles concordam. Em Gálatas também a vitória de Paulo pela liberdade gentílica é evidente. De fato, em Atos 15 é mencionado duas vezes que os apóstolos e anciãos se reuniram (15:4,6), e duas vezes nos é dito que Paulo e Barnabé se dirigiram a eles (15:4,12). É, portanto, natural supor que essa conferência privada narrada por Paulo em Gálatas ocorreu entre 2:5 – Atos 6

Lucas pode não ter visto a Epístola aos Gálatas, e pode não ter ouvido de Paulo a história da conferência privada, embora ele soubesse das duas reuniões públicas. Se ele sabia da reunião privada, ele achou que não era pertinente à sua narração.

Claro, não há contradição entre Paulo subir por revelação e pelo compromisso da igreja em Antioquia. Em Gálatas 2.1 temos a segunda visita (Gálatas 1.18) a Jerusalém após sua conversão mencionada por Paulo, enquanto que em Atos 15 é a terceira em Atos (9.2 – Atos 11.29 – Atos 15.2).

Mas não havia razão particular para Paulo mencionar a visita em Atos 11.30, que não diz respeito à sua relação com os apóstolos em Jerusalém. De fato, apenas os “anciãos” são mencionados nessa ocasião.

A mesma independência entre Atos e Gálatas ocorre em Gálatas 1.17-24, e Atos 9.26-30. Em Atos não há alusão à visita à Arábia, assim como não há menção da conferência privada em Atos 15 Da mesma forma, em Atos 15.35-39 não há menção do forte desacordo entre Paulo e Pedro em Antioquia registrado em Gálatas 2.11.

Paulo menciona isso apenas para provar sua própria autoridade e independência como apóstolo. Lucas não tinha motivo para registrar o incidente, se ele estava familiarizado com o assunto. Esses exemplos ilustram bem como, quando Atos e as epístolas variam, eles realmente se complementam.

X. Cronologia de Atos.

Aqui enfrentamos uma das questões mais complexas na crítica do Novo Testamento. Em geral, escritores antigos não eram tão cuidadosos quanto os modernos em dar datas precisas para eventos históricos. De fato, não era fácil fazer isso devido à ausência de um método uniforme de contagem do tempo.

Lucas, no entanto, relaciona sua narrativa a eventos externos em vários pontos. Em seu Evangelho, ele ligou o nascimento de Jesus com os nomes de Augusto como imperador e de Quirínio como governador da Síria (Lucas 2.1), e a entrada de João Batista em seu ministério com os nomes dos principais governantes romanos e judeus da época (Lucas 3.1) Da mesma forma, em Atos, ele não nos deixa sem várias notas de tempos.

Ele não dá, de fato, a data da Ascensão ou da Crucificação, embora coloque a Ascensão quarenta dias após a Ressurreição (Atos 1.3), e o grande Dia de Pentecostes viria então dez dias depois, “não muitos dias depois” (Atos 1.5)

Mas os outros eventos nos capítulos iniciais de Atos não têm um arranjo cronológico claro. A carreira de Estêvão é localizada apenas “naqueles dias” (6:1). O início da perseguição geral sob Saulo é localizado no próprio dia da morte de Estêvão (8:1), mas o ano nem sequer é insinuado.

A conversão de Saulo vem provavelmente em sua ordem cronológica em Atos 9 mas o ano novamente não é dado. Não temos nenhuma dica sobre a idade de Saulo em sua conversão. Da mesma forma, a relação do trabalho de Pedro em Cesareia (10) com a pregação aos gregos em Antioquia (11) não é esclarecida, embora provavelmente nesta ordem. É somente quando chegamos a Atos 12 que alcançamos um evento cuja data é razoavelmente certa.

Este é a morte de Herodes Agripa I em 44 d. C. Mas mesmo assim, Lucas não correlaciona a vida de Paulo com esse incidente. Ramsay (São Paulo o Viajante – Atos 49) coloca a perseguição e morte de Tiago em 44, e a visita de Barnabé e Saulo a Jerusalém em 46.

Cerca de 44, então, podemos considerar que Saulo veio para Antioquia de Tarso.

Os “quatorze anos” em Gálatas 2.1, como já mostrado, provavelmente apontam para a visita em Atos 15 alguns anos depois. Mas Saulo havia estado em Tarso por alguns anos e passou cerca de três anos na Arábia e Damasco após sua conversão (Gálatas 1.18).

Além disso, não é possível ir. Não sabemos a idade de Saulo em 44 d. C. ou o ano de sua conversão. Ele provavelmente nasceu por volta de 1 d. C. Mas se localizarmos Paulo em Antioquia com Barnabé em 44 d.

C., podemos fazer algum progresso. Aqui Paulo passou um ano (Atos 11.26). A visita a Jerusalém em Atos 11 a primeira viagem missionária em 13 – Atos 14 a conferência em Jerusalém em 15, a segunda viagem missionária em 16-18, a terceira viagem missionária e retorno a Jerusalém em 18-21, a prisão em Jerusalém e dois anos em Cesareia em 21-26, tudo vem entre 44 d.

C. e a revocação de Félix e a vinda de Festo. Costumava-se aceitar que Festo chegou em 60 d. C.

Wieseler calculou isso a partir de Josefo e foi seguido por Lightfoot. Mas Eusébio, em sua “Crônica”, colocou esse evento no segundo ano de Nero. Isso seria 56, a menos que Eusébio tenha uma maneira especial de contar esses anos.

O Sr. C. H Turner (art. “Cronologia” em HDB) descobre que Eusébio conta o ano de reinado de um imperador a

XI. Valor Histórico de Atos.

Era uma vez moda desacreditar Atos como um livro sem valor real como história. A escola de Tubingen considerava Atos como “um romance controverso tardio, cujo único valor histórico era lançar luz sobre o pensamento do período que o produziu”.

Ainda há alguns escritores que consideram Atos como um eirenicon tardio entre as partes de Pedro e Paulo, ou como um panfleto partidário a favor de Paulo. Paralelos fantasiosos são encontrados entre o tratamento de Lucas tanto de Pedro quanto de Paulo.

Mas essa questão parece bastante forçada. Pedro é a figura principal nos primeiros capítulos, como Paulo é na segunda metade do livro, mas as correspondências não são notavelmente marcantes.

Existe em algumas mentes um preconceito contra o livro por causa dos milagres registrados como eventos genuínos por Lucas. Mas o próprio Paulo afirmou ter operado milagres (2 Coríntios 12.12). Não é científico descartar antecipadamente um livro porque narra milagres.

Ramsay conta sua experiência em relação à confiabilidade de Atos: “Comecei com uma mente desfavorável a ele, pois a engenhosidade e aparente completude da teoria de Tubingen me convenceram por um tempo.” Foi pela verificação real de Atos em pontos onde podia ser testado por inscrições, epístolas de Paulo ou escritores não cristãos contemporâneos que “foi gradualmente impresso em mim que em vários detalhes a narrativa mostrava uma verdade maravilhosa.” Ele conclui “colocando este grande escritor no alto pedestal que lhe pertence”.

McGiffert foi compelido pela evidência geográfica e histórica a abandonar em parte a crítica mais antiga. Ele também admitiu que Atos “é mais confiável do que os críticos anteriores permitiam”. Schmiedel ainda argumenta que o escritor de Atos é inexato porque não possuía informações completas.

Mas, no geral, Atos teve uma vindicação triunfante na crítica moderna. Julicher admite “um núcleo genuíno sobrecarregado com acréscimos lendários”. A honestidade moral de Lucas, sua fidelidade à verdade, é claramente mostrada tanto em seu Evangelho quanto em Atos.

Este, afinal, é o principal traço do verdadeiro historiador. Lucas escreve como um homem de propósito sério e é o único escritor do Novo Testamento que menciona seu uso cuidadoso de seus materiais (Lucas 1.1-4).

Sua atitude e gasto são os do historiador. Ele revela habilidade artística, é verdade, mas não para o descrédito de seu registro. Ele não dá uma crônica nua, mas escreve uma história real, uma interpretação dos eventos registrados.

Ele tinha recursos adequados em termos de materiais e dotação e fez uso consciente e habilidoso de sua oportunidade. Não é necessário aqui detalhar todos os pontos em que Lucas foi reivindicado. Os mais óbvios são os seguintes:

O uso de “proconsul” em vez de “propretor” em Atos 13.7 é um exemplo marcante. Curiosamente, Chipre não foi uma província senatorial por muito tempo. Uma inscrição foi encontrada em Chipre “no proconsulado de Paulo”.

O `primeiro homem’ de Antioquia na Pisídia é como o (13:50) “Primeiro Dez”, um título que “era dado (como aqui) apenas a um conselho de magistrados em cidades gregas do Oriente”. O “sacerdote de Júpiter” em Listra (14:13) está de acordo com os fatos conhecidos do culto lá.

Assim temos Perge na Panfília (13:13), Antioquia na Pisídia (13:14), Listra e Derbe na Licaônia (14:6), mas não Icônio (14:1). Em Filipos, Lucas nota que os magistrados são chamados estrategos ou pretores (Atos 16.20) e são acompanhados por lictores ou rhabdouchoi (Atos 16.35).

Em Tessalônica, os governantes são “politarcas” (Atos 17.6), um título encontrado em nenhum outro lugar, mas agora descoberto em uma inscrição de Tessalônica. Ele fala corretamente do Tribunal de Areópago em Atenas (Atos 17.19) e do procônsul na Acaia (Atos 18.12).

Ainda que Atenas fosse uma cidade livre, o Tribunal de Areópago na época eram os verdadeiros governantes. Acaia às vezes estava associada à Macedônia, embora neste momento fosse uma província senatorial separada.

Em Éfeso, Lucas conhece os “Asiarcas” (Atos 19.31), “os presidentes do `Conselho Comum’ da província em cidades onde havia um templo de Roma e do Imperador; eles supervisionavam o culto do Imperador” (Maclean).

Observe também o fato de que Éfeso é “guardiã do templo da grande Diana” (Atos 19.35). Então observe o escrivão da cidade (Atos 19.35) e a assembleia (Atos 19.39). Note também o título de Félix, “governador” ou procurador (Atos 24.1), Agripa o rei (25:13), Júlio o centurião e a banda augustana (Atos 27.1).

Atos 27 é uma maravilha de interesse e precisão para todos que desejam saber detalhes da navegação antiga. O título “Primeiro Homem da Ilha” (Atos 28.7) agora é encontrado em uma moeda de Malta. Estes não são de forma alguma todos os assuntos de interesse, mas serão suficientes.

Na maioria dos itens dados acima, a veracidade de Lucas foi uma vez desafiada, mas agora ele foi triunfantemente reivindicado.

A força dessa reivindicação é melhor apreciada quando se lembra da natureza incidental dos itens mencionados. Eles vêm de distritos amplamente dispersos e são justamente os pontos onde em regiões estranhas é tão fácil cometer erros.

Se o espaço permitisse, o assunto poderia ser apresentado com mais detalhes e com mais justiça ao valor de Lucas como historiador. É verdade que nas partes anteriores de Atos não somos capazes de encontrar tantas corroborações geográficas e históricas.

Mas a natureza do material não exigia a menção de tantos lugares e pessoas. Na última parte, Lucas não hesita em registrar eventos milagrosos também. Seu caráter como historiador é firmemente estabelecido pelas passagens onde o contato externo foi encontrado.

Não podemos recusar-lhe um bom nome no resto do livro, embora o valor das fontes utilizadas certamente tenha um papel importante. Tem sido argumentado que Lucas falha como historiador na dupla menção de Quirínio em Lucas 2.2 e Atos 5.37.

Mas Ramsay mostrou como o novo conhecimento do sistema de censo de Augusto derivado dos papiros do Egito está prestes a esclarecer essa dificuldade. A precisão geral de Lucas pelo menos exige suspensão de julgamento, e na questão de Teudas e Judas, o Galileu (Atos 5), Lucas em comparação com Josefo supera seu rival.

Harnack dá de maneira usual meticulosa uma série de exemplos de “inexatidão e discrepância” Mas a grande maioria deles são meramente exemplos de independência na narração (compare Atos 9 com 22 – Atos 26 onde temos três relatos da conversão de Paulo).

Harnack de fato não colocou uma vez um alto valor em Lucas como historiador como ele faz agora. Portanto, é ainda mais significativo ler o seguinte na obra de Harnack The Ac of the Apostles: “O livro agora foi restaurado à posição de crédito que é seu devido direito.

Não só, tomado como um todo, é uma obra genuinamente histórica, mas até mesmo na maioria de seus detalhes é confiável ….. Julgado de quase todos os possíveis pontos de vista da crítica histórica, é uma obra sólida, respeitável e em muitos aspectos extraordinária.” Isso, na minha opinião, é uma subestimação dos fatos, mas é uma conclusão notável sobre a confiabilidade de Lucas quando se considera a distância que Harnack percorreu.

De qualquer forma, o preconceito contra Lucas está rapidamente desaparecendo. O julgamento do futuro é previsto por Ramsay, que classifica Lucas como um historiador de primeira ordem.

XII. Propósito do Livro.

Muito debate foi dado ao objetivo de Lucas em Atos. A teoria de Baur era que este livro foi escrito para dar uma visão conciliatória do conflito entre Pedro e Paulo, e que um paralelismo minucioso existe em Atos entre esses dois heróis.

Esta teoria de tendência uma vez dominou o campo crítico, mas não leva em conta todos os fatos, e falha em explicar o livro como um todo. Pedro e Paulo são os heróis do livro como indiscutivelmente foram as duas principais personalidades na história apostólica (compare Wendt, Apostelgeschichte).

Há algum paralelismo entre as carreiras dos dois homens (compare a adoração oferecida a Pedro em Cesaréia em Atos 10.25, e aquela a Paulo em 14:11; veja também o castigo de Ananias e Safira e aquele de Elimas).

Mas Knowling bem responde que curiosamente nenhum uso é feito da morte de ambos Pedro e Paulo em Roma, possivelmente ao mesmo tempo. Se Atos foi escrito tarde, esse assunto estaria aberto ao conhecimento do escritor.

Não há de fato nenhum esforço real por parte de Lucas para pintar Paulo como Pedro ou Pedro como Paulo. As poucas semelhanças em incidentes são meramente paralelos históricos naturais. Outros viram em Atos um forte propósito de conciliar a opinião gentílica na apresentação uniformemente favorável dos governadores romanos e oficiais militares a Paulo, enquanto os judeus são representados como os verdadeiros agressores contra o Cristianismo (compare a atitude de Josefo em relação a Roma).

Aqui novamente o fato é incontestável. Mas a outra explicação é mais natural, ou seja, que Lucas destaca esse aspecto da questão porque era a verdade. Pode ser verdade que Lucas tenha em mente um terceiro livro (Atos 1.1), uma inferência possível embora de forma alguma necessária de “primeiro tratado”.

Foi um clímax levar a narrativa a Roma com Paulo, mas é um pouco forçado encontrar tudo isso em Atos 1.8. Roma não era “a parte mais baixa da terra”, sendo a Espanha mais próxima disso. Nem Paulo levou o evangelho a Roma.

Além disso, fazer da chegada de Paulo em Roma o objetivo na mente de Cristo é um propósito demasiadamente restritivo. O propósito de ir a Roma dominou a mente de Paulo por vários anos (Atos 19.21), mas Paulo não aparece na primeira parte do livro.

E Paulo desejava seguir de Roma para a Espanha (Romanos 15.24). Provavelmente é verdade que Lucas pretende anunciar seu propósito em Atos 1.1-8. Também é preciso ter em mente Lucas 1.1-4. Existem várias maneiras de escrever história.

Lucas escolhe o método biográfico em Atos. Assim, ele concebe que pode melhor expor a tarefa tremenda de interpretar os primeiros trinta anos da história apostólica. É em torno de pessoas, duas grandes figuras (Pedro e Paulo), que a narrativa é focada.

Pedro é mais proeminente em Atos 1.12, Paulo em 13-28. Ainda assim, a conversão de Paulo é contada em Atos 9 e Pedro reaparece em Atos 15 Mas essas grandes personagens não estão sozinhas. João Apóstolo está certamente com Pedro nos capítulos iniciais.

Os outros apóstolos também são mencionados pelo nome (Atos 1.13) e várias vezes nos primeiros doze capítulos (e em Atos 15). Mas depois de Atos 15 eles saem da narrativa, pois Lucas segue as fortunas de Paulo.

As outras principais figuras secundárias em Atos são Estêvão, Filipe, Barnabé, Tiago, Apolo, todos helenistas exceto Tiago. Os personagens menores são numerosos (João, Marcos, Silas, Timóteo, Áquila e Priscila, Aristarco, etc.).

Na maioria dos casos, Lucas dá uma imagem distinta dessas personagens incidentais. Em particular, ele destaca homens como Gálio, Cláudio, Lísias, Félix, Festo, Herodes, Agripa I e II, Júlio. A concepção de Lucas da história apostólica é que é o trabalho de Jesus ainda continuado pelo Espírito Santo (Atos 1.1).

Cristo escolheu os apóstolos, ordenou-lhes que esperassem por poder do alto, encheu-os com o Espírito Santo e então os enviou na missão de conquista mundial. Em Atos, Lucas registra a espera, a vinda do Espírito Santo, o plantio de uma igreja poderosa em Jerusalém e a expansão do evangelho para Samaria e por todo o Império Romano.

Ele dirige o livro a Teófilo como seu patrono, claramente um cristão gentio, como havia feito com seu evangelho. O livro é destinado à iluminação dos cristãos em geral sobre as origens históricas do Cristianismo. É de fato a primeira história da igreja. É realmente os Atos do Espírito Santo conforme realizado através desses homens. É uma narração inspiradora.

Lucas não tinha dúvida alguma sobre o futuro de um evangelho com tal história e com tais heróis da fé como Pedro e Paulo.

Atos dos Apóstolos – 8.12 – Enciclopédia Internacional da Bíblia Padrão

Atos dos Apóstolos – 8.12

VIII. Os Discursos em Atos.

Essa questão é importante o suficiente para receber um tratamento separado. Os numerosos discursos relatados em Atos são composições livres de Lucas feitas sob encomenda à maneira de Tucídides? São relatos literais de anotações feitas na época e copiadas literalmente na narrativa?

São relatos substanciais incorporados com mais ou menos liberdade e marcas do próprio estilo de Lucas? Em teoria, qualquer um desses métodos era possível. O exemplo de Tucídides, Xenofonte, Lívio e Josefo mostra que historiadores antigos não hesitavam em inventar discursos dos quais nenhum relato estava disponível.

Há aqueles que acusam Lucas de fazer exatamente isso em Atos. A questão só pode ser resolvida por meio de um apelo aos fatos, na medida em que podem ser determinados. Não se pode negar que até certo ponto a mão de Lucas é aparente nos discursos relatados por ele em Atos.

Mas esse fato não deve ser levado longe demais. Não é verdade que os discursos são todos iguais em estilo.

É possível distinguir muito claramente os discursos de Pedro daqueles de Paulo. Isso é verdade, mas também somos capazes de comparar os discursos de ambos, Paulo e Pedro, com suas epístolas. Não é provável que Lucas tenha visto essas epístolas, como será mostrado em breve. É atribuir uma habilidade literária notável a Lucas supor que ele compôs discursos “Petrinos” e “Paulinos” com tanto sucesso que eles harmonizam lindamente com os ensinamentos e estilo geral de cada um desses apóstolos.

O discurso de Estêvão também difere nitidamente dos de Pedro e Paulo, embora não possamos comparar este relato com qualquer trabalho original de Estêvão em si. Outra coisa também é verdadeira, particularmente sobre os sermões de Paulo.

Eles são maravilhosamente adequados ao tempo, lugar e público. Todos têm um sabor Paulino distinto, e ainda assim uma diferença no colorido local que corresponde, em certa medida, às variações no estilo das epístolas de Paulo.

O professor Percy Gardner (Os Discursos de Paulo em Atos, em Ensaios Bíblicos de Cambridge – 1909) reconhece essas diferenças, mas procura explicá-las com base na variabilidade da precisão nas fontes usadas por Lucas, considerando o discurso em Mileto como o mais histórico de todos.

Mas ele admite o uso de fontes por Lucas para esses endereços.

A teoria de invenção pura por Lucas é bastante desacreditada pelo apelo aos fatos. Por outro lado, diante da presença aparente do estilo de Lucas em alguns discursos, dificilmente se pode afirmar que ele fez relatos literais.

Além disso, o relato dos discursos de Jesus no Evangelho de Lucas (como nos outros evangelhos) mostra a mesma liberdade em dar a substância exata reprodução das palavras que é encontrada em Atos. Novamente, parece claro que alguns, se não todos, os relatos em Atos são condensados, meros esboços no caso de alguns dos discursos de Pedro.

Os antigos sabiam como fazer relatórios taquigráficos desses endereços. A tradição oral provavelmente estava ativa na preservação dos primeiros discursos de Pedro e até mesmo de Estêvão, embora Paulo mesmo tenha ouvido Estêvão.

Os discursos de Paulo mostram todos as marcas de uma testemunha ocular (Bethge, Die paulinischen Reden, etc. – 174). Para os discursos de Pedro, Lucas pode ter tido documentos, ou ele pode ter anotado a tradição oral corrente enquanto ele estava em Jerusalém e Cesaréia.

Pedro provavelmente falou em grego no dia de Pentecostes. Seus outros discursos podem ter sido em aramaico ou em grego. Mas a tradição oral certamente os transmitiria em grego, se também em aramaico.

Lucas ouviu Paulo falar em Mileto (Atos 20) e pode ter tomado notas na época. Da mesma forma, ele quase certamente ouviu o discurso de Paulo nas escadas da Torre de Antônia (Atos 22) e aquele perante Agripa (Atos 26).

Não há razão para pensar que ele estava ausente quando Paulo fez suas defesas perante Félix e Festo (Atos 24.25) Ele estava presente no navio quando Paulo falou (Atos 27), e em Roma quando ele se dirigiu aos judeus (Atos 28) Lucas não estava presente quando Paulo entregou seu sermão em Antioquia da Pisídia (Atos 13), ou em Listra (Atos 14), ou em Atenas (Atos 17) Mas esses discursos diferem tanto em tema e tratamento, e são tão essencialmente Paulinos que é natural pensar que Paulo mesmo deu a Lucas as notas que ele usou.

O sermão em Antioquia da Pisídia é provavelmente dado como uma amostra dos discursos missionários de Paulo. Contém o coração do evangelho de Paulo como aparece em suas epístolas. Ele enfatiza a morte e ressurreição de Jesus, remissão dos pecados por meio de Cristo, justificação pela fé. Às vezes se objeta que em Atenas o discurso mostra uma amplitude de visão e simpatia desconhecidas a Paulo, e que há um curioso tom Ático no estilo grego.

O sermão vai até onde Paulo pode (compare 1 Coríntios 9.22) em direção ao ponto de vista dos gregos (mas compare Colossenses e Efésios). No entanto, Paulo não sacrifica seu princípio da graça em Cristo.

Ele chamou os atenienses ao arrependimento, pregou o julgamento pelo pecado e anunciou a ressurreição de Jesus dentre os mortos. A paternidade de Deus e a fraternidade do homem aqui ensinada não significava que Deus zombava do pecado e poderia salvar todos os homens sem arrependimento e perdão dos pecados.

Chase (A Credibilidade de Atos) fornece uma coleção de endereços missionários de Paulo. A realidade histórica e o valor dos discursos em Atos podem ser ditos como reivindicados pela erudição moderna. Para uma discussão simpática e acadêmica de todos os endereços de Paulo, veja Jones, Paulo o Orador (1910).

O breve discurso de Tértulo (Atos 24) foi feito em público, assim como a declaração pública de Festo em Atos 26 A carta de Cláudio Lísias para Félix em Atos 23 era um documento público. Como Lucas obteve a conversa sobre Paulo entre Festo e Agripa em Atos 26 é mais difícil de conjecturar.

IX. Relação de Atos com as Epístolas.

Não há evidências reais de que Lucas tenha feito uso de alguma das epístolas de Paulo. Ele estava com Paulo em Roma quando Colossenses foi escrita (4:14), e pode, de fato, ter sido o amanuense de Paulo para esta epístola (e para Efésios e Filemom).

Algumas semelhanças com o estilo de Lucas foram apontadas. Mas Atos termina sem qualquer narrativa dos eventos em Roma durante os anos lá, de modo que essas epístolas não exerceram influência sobre a composição do livro.

Quanto aos dois grupos anteriores de epístolas de Paulo (1 e 2 Tessalonicenses – 1 e 2 Coríntios, Gálatas, Romanos) não há prova de que Lucas viu algum deles. A Epístola aos Romanos provavelmente estava acessível a Lucas enquanto em Roma, mas ele não parece tê-la usado.

Lucas evidentemente preferiu recorrer diretamente a Paulo para informações em vez de a suas epístolas.

Isso é tudo simples o suficiente se ele escreveu o livro ou fez seus dados enquanto Paulo estava vivo. Mas se Atos foi escrito muito tarde, seria estranho que o autor não tivesse feito uso de algumas das epístolas de Paulo.

O livro tem, portanto, a grande vantagem de cobrir parte do mesmo terreno discutido nas epístolas anteriores, mas de um ponto de vista completamente independente. As lacunas em nosso conhecimento de uma fonte muitas vezes são fornecidas incidentalmente, mas de forma mais satisfatória, pela outra.

As coincidências entre Atos e as epístolas de Paulo foram bem traçadas por Paley em seu Horae Paulinae, ainda um livro de grande valor. Knowling, em seu Testemunho das Epístolas (1892), fez um estudo mais recente do mesmo problema.

Mas pelo aparente conflito entre Gálatas 2.1-10 e Atos 15 a questão poderia ser encerrada neste ponto.

Argumenta-se por alguns que Atos, escritos muito tempo depois de Gálatas, ignora o relato da conferência de Jerusalém dada por Paulo. Sustenta-se que Paulo está correto em seu registro pessoal, e que Atos, portanto, é desprovido de historicidade.

Outros salvam o crédito de Atos argumentando que Paulo está se referindo a uma conferência privada anterior alguns anos antes da discussão pública registrada em Atos 15 Isso é, claro, possível em si mesmo, mas de forma alguma exigido pelas variações entre os dois relatórios.

A afirmação de Lightfoot nunca foi realmente superada, de que em Gálatas 2.1-10 Paulo apresenta o lado pessoal da conferência, não um relatório completo da reunião geral. O que Paulo está fazendo é mostrar aos gálatas como ele está no mesmo nível dos apóstolos de Jerusalém, e como sua autoridade e independência foram reconhecidas por eles.

Este aspecto da questão surgiu na conferência privada. Paulo não está em Gálatas 2.1-10 expondo sua vitória sobre os judaizantes em nome da liberdade gentílica. Mas em Atos 15 é precisamente essa luta pela liberdade gentílica que está em discussão.

As relações de Paulo com os apóstolos de Jerusalém não são o ponto em questão, embora seja claro em Atos que eles concordam. Em Gálatas também a vitória de Paulo pela liberdade gentílica é evidente. De fato, em Atos 15 é mencionado duas vezes que os apóstolos e anciãos se reuniram (15:4,6), e duas vezes nos é dito que Paulo e Barnabé se dirigiram a eles (15:4,12). É, portanto, natural supor que essa conferência privada narrada por Paulo em Gálatas ocorreu entre 2:5 – Atos 6

Lucas pode não ter visto a Epístola aos Gálatas, e pode não ter ouvido de Paulo a história da conferência privada, embora ele soubesse das duas reuniões públicas. Se ele sabia da reunião privada, ele achou que não era pertinente à sua narração.

Claro, não há contradição entre Paulo subir por revelação e pelo compromisso da igreja em Antioquia. Em Gálatas 2.1 temos a segunda visita (Gálatas 1.18) a Jerusalém após sua conversão mencionada por Paulo, enquanto que em Atos 15 é a terceira em Atos (9.2 – Atos 11.29 – Atos 15.2).

Mas não havia razão particular para Paulo mencionar a visita em Atos 11.30, que não diz respeito à sua relação com os apóstolos em Jerusalém. De fato, apenas os “anciãos” são mencionados nessa ocasião.

A mesma independência entre Atos e Gálatas ocorre em Gálatas 1.17-24, e Atos 9.26-30. Em Atos não há alusão à visita à Arábia, assim como não há menção da conferência privada em Atos 15 Da mesma forma, em Atos 15.35-39 não há menção do forte desacordo entre Paulo e Pedro em Antioquia registrado em Gálatas 2.11.

Paulo menciona isso apenas para provar sua própria autoridade e independência como apóstolo. Lucas não tinha motivo para registrar o incidente, se ele estava familiarizado com o assunto. Esses exemplos ilustram bem como, quando Atos e as epístolas variam, eles realmente se complementam.

X. Cronologia de Atos.

Aqui enfrentamos uma das questões mais complexas na crítica do Novo Testamento. Em geral, escritores antigos não eram tão cuidadosos quanto os modernos em dar datas precisas para eventos históricos. De fato, não era fácil fazer isso devido à ausência de um método uniforme de contagem do tempo.

Lucas, no entanto, relaciona sua narrativa a eventos externos em vários pontos. Em seu Evangelho, ele ligou o nascimento de Jesus com os nomes de Augusto como imperador e de Quirínio como governador da Síria (Lucas 2.1), e a entrada de João Batista em seu ministério com os nomes dos principais governantes romanos e judeus da época (Lucas 3.1) Da mesma forma, em Atos, ele não nos deixa sem várias notas de tempos.

Ele não dá, de fato, a data da Ascensão ou da Crucificação, embora coloque a Ascensão quarenta dias após a Ressurreição (Atos 1.3), e o grande Dia de Pentecostes viria então dez dias depois, “não muitos dias depois” (Atos 1.5)

Mas os outros eventos nos capítulos iniciais de Atos não têm um arranjo cronológico claro. A carreira de Estêvão é localizada apenas “naqueles dias” (6:1). O início da perseguição geral sob Saulo é localizado no próprio dia da morte de Estêvão (8:1), mas o ano nem sequer é insinuado.

A conversão de Saulo vem provavelmente em sua ordem cronológica em Atos 9 mas o ano novamente não é dado. Não temos nenhuma dica sobre a idade de Saulo em sua conversão. Da mesma forma, a relação do trabalho de Pedro em Cesareia (10) com a pregação aos gregos em Antioquia (11) não é esclarecida, embora provavelmente nesta ordem. É somente quando chegamos a Atos 12 que alcançamos um evento cuja data é razoavelmente certa.

Este é a morte de Herodes Agripa I em 44 d. C. Mas mesmo assim, Lucas não correlaciona a vida de Paulo com esse incidente. Ramsay (São Paulo o Viajante – Atos 49) coloca a perseguição e morte de Tiago em 44, e a visita de Barnabé e Saulo a Jerusalém em 46.

Cerca de 44, então, podemos considerar que Saulo veio para Antioquia de Tarso.

Os “quatorze anos” em Gálatas 2.1, como já mostrado, provavelmente apontam para a visita em Atos 15 alguns anos depois. Mas Saulo havia estado em Tarso por alguns anos e passou cerca de três anos na Arábia e Damasco após sua conversão (Gálatas 1.18).

Além disso, não é possível ir. Não sabemos a idade de Saulo em 44 d. C. ou o ano de sua conversão. Ele provavelmente nasceu por volta de 1 d. C. Mas se localizarmos Paulo em Antioquia com Barnabé em 44 d.

C., podemos fazer algum progresso. Aqui Paulo passou um ano (Atos 11.26). A visita a Jerusalém em Atos 11 a primeira viagem missionária em 13 – Atos 14 a conferência em Jerusalém em 15, a segunda viagem missionária em 16-18, a terceira viagem missionária e retorno a Jerusalém em 18-21, a prisão em Jerusalém e dois anos em Cesareia em 21-26, tudo vem entre 44 d.

C. e a revocação de Félix e a vinda de Festo. Costumava-se aceitar que Festo chegou em 60 d. C.

Wieseler calculou isso a partir de Josefo e foi seguido por Lightfoot. Mas Eusébio, em sua “Crônica”, colocou esse evento no segundo ano de Nero. Isso seria 56, a menos que Eusébio tenha uma maneira especial de contar esses anos.

O Sr. C. H Turner (art. “Cronologia” em HDB) descobre que Eusébio conta o ano de reinado de um imperador a

XI. Valor Histórico de Atos.

Era uma vez moda desacreditar Atos como um livro sem valor real como história. A escola de Tubingen considerava Atos como “um romance controverso tardio, cujo único valor histórico era lançar luz sobre o pensamento do período que o produziu”.

Ainda há alguns escritores que consideram Atos como um eirenicon tardio entre as partes de Pedro e Paulo, ou como um panfleto partidário a favor de Paulo. Paralelos fantasiosos são encontrados entre o tratamento de Lucas tanto de Pedro quanto de Paulo.

Mas essa questão parece bastante forçada. Pedro é a figura principal nos primeiros capítulos, como Paulo é na segunda metade do livro, mas as correspondências não são notavelmente marcantes.

Existe em algumas mentes um preconceito contra o livro por causa dos milagres registrados como eventos genuínos por Lucas. Mas o próprio Paulo afirmou ter operado milagres (2 Coríntios 12.12). Não é científico descartar antecipadamente um livro porque narra milagres.

Ramsay conta sua experiência em relação à confiabilidade de Atos: “Comecei com uma mente desfavorável a ele, pois a engenhosidade e aparente completude da teoria de Tubingen me convenceram por um tempo.” Foi pela verificação real de Atos em pontos onde podia ser testado por inscrições, epístolas de Paulo ou escritores não cristãos contemporâneos que “foi gradualmente impresso em mim que em vários detalhes a narrativa mostrava uma verdade maravilhosa.” Ele conclui “colocando este grande escritor no alto pedestal que lhe pertence”.

McGiffert foi compelido pela evidência geográfica e histórica a abandonar em parte a crítica mais antiga. Ele também admitiu que Atos “é mais confiável do que os críticos anteriores permitiam”. Schmiedel ainda argumenta que o escritor de Atos é inexato porque não possuía informações completas.

Mas, no geral, Atos teve uma vindicação triunfante na crítica moderna. Julicher admite “um núcleo genuíno sobrecarregado com acréscimos lendários”. A honestidade moral de Lucas, sua fidelidade à verdade, é claramente mostrada tanto em seu Evangelho quanto em Atos.

Este, afinal, é o principal traço do verdadeiro historiador. Lucas escreve como um homem de propósito sério e é o único escritor do Novo Testamento que menciona seu uso cuidadoso de seus materiais (Lucas 1.1-4).

Sua atitude e gasto são os do historiador. Ele revela habilidade artística, é verdade, mas não para o descrédito de seu registro. Ele não dá uma crônica nua, mas escreve uma história real, uma interpretação dos eventos registrados.

Ele tinha recursos adequados em termos de materiais e dotação e fez uso consciente e habilidoso de sua oportunidade. Não é necessário aqui detalhar todos os pontos em que Lucas foi reivindicado. Os mais óbvios são os seguintes:

O uso de “proconsul” em vez de “propretor” em Atos 13.7 é um exemplo marcante. Curiosamente, Chipre não foi uma província senatorial por muito tempo. Uma inscrição foi encontrada em Chipre “no proconsulado de Paulo”.

O `primeiro homem’ de Antioquia na Pisídia é como o (13:50) “Primeiro Dez”, um título que “era dado (como aqui) apenas a um conselho de magistrados em cidades gregas do Oriente”. O “sacerdote de Júpiter” em Listra (14:13) está de acordo com os fatos conhecidos do culto lá.

Assim temos Perge na Panfília (13:13), Antioquia na Pisídia (13:14), Listra e Derbe na Licaônia (14:6), mas não Icônio (14:1). Em Filipos, Lucas nota que os magistrados são chamados estrategos ou pretores (Atos 16.20) e são acompanhados por lictores ou rhabdouchoi (Atos 16.35).

Em Tessalônica, os governantes são “politarcas” (Atos 17.6), um título encontrado em nenhum outro lugar, mas agora descoberto em uma inscrição de Tessalônica. Ele fala corretamente do Tribunal de Areópago em Atenas (Atos 17.19) e do procônsul na Acaia (Atos 18.12).

Ainda que Atenas fosse uma cidade livre, o Tribunal de Areópago na época eram os verdadeiros governantes. Acaia às vezes estava associada à Macedônia, embora neste momento fosse uma província senatorial separada.

Em Éfeso, Lucas conhece os “Asiarcas” (Atos 19.31), “os presidentes do `Conselho Comum’ da província em cidades onde havia um templo de Roma e do Imperador; eles supervisionavam o culto do Imperador” (Maclean).

Observe também o fato de que Éfeso é “guardiã do templo da grande Diana” (Atos 19.35). Então observe o escrivão da cidade (Atos 19.35) e a assembleia (Atos 19.39). Note também o título de Félix, “governador” ou procurador (Atos 24.1), Agripa o rei (25:13), Júlio o centurião e a banda augustana (Atos 27.1).

Atos 27 é uma maravilha de interesse e precisão para todos que desejam saber detalhes da navegação antiga. O título “Primeiro Homem da Ilha” (Atos 28.7) agora é encontrado em uma moeda de Malta. Estes não são de forma alguma todos os assuntos de interesse, mas serão suficientes.

Na maioria dos itens dados acima, a veracidade de Lucas foi uma vez desafiada, mas agora ele foi triunfantemente reivindicado.

A força dessa reivindicação é melhor apreciada quando se lembra da natureza incidental dos itens mencionados. Eles vêm de distritos amplamente dispersos e são justamente os pontos onde em regiões estranhas é tão fácil cometer erros.

Se o espaço permitisse, o assunto poderia ser apresentado com mais detalhes e com mais justiça ao valor de Lucas como historiador. É verdade que nas partes anteriores de Atos não somos capazes de encontrar tantas corroborações geográficas e históricas.

Mas a natureza do material não exigia a menção de tantos lugares e pessoas. Na última parte, Lucas não hesita em registrar eventos milagrosos também. Seu caráter como historiador é firmemente estabelecido pelas passagens onde o contato externo foi encontrado.

Não podemos recusar-lhe um bom nome no resto do livro, embora o valor das fontes utilizadas certamente tenha um papel importante. Tem sido argumentado que Lucas falha como historiador na dupla menção de Quirínio em Lucas 2.2 e Atos 5.37.

Mas Ramsay mostrou como o novo conhecimento do sistema de censo de Augusto derivado dos papiros do Egito está prestes a esclarecer essa dificuldade. A precisão geral de Lucas pelo menos exige suspensão de julgamento, e na questão de Teudas e Judas, o Galileu (Atos 5), Lucas em comparação com Josefo supera seu rival.

Harnack dá de maneira usual meticulosa uma série de exemplos de “inexatidão e discrepância” Mas a grande maioria deles são meramente exemplos de independência na narração (compare Atos 9 com 22 – Atos 26 onde temos três relatos da conversão de Paulo).

Harnack de fato não colocou uma vez um alto valor em Lucas como historiador como ele faz agora. Portanto, é ainda mais significativo ler o seguinte na obra de Harnack The Ac of the Apostles: “O livro agora foi restaurado à posição de crédito que é seu devido direito.

Não só, tomado como um todo, é uma obra genuinamente histórica, mas até mesmo na maioria de seus detalhes é confiável ….. Julgado de quase todos os possíveis pontos de vista da crítica histórica, é uma obra sólida, respeitável e em muitos aspectos extraordinária.” Isso, na minha opinião, é uma subestimação dos fatos, mas é uma conclusão notável sobre a confiabilidade de Lucas quando se considera a distância que Harnack percorreu.

De qualquer forma, o preconceito contra Lucas está rapidamente desaparecendo. O julgamento do futuro é previsto por Ramsay, que classifica Lucas como um historiador de primeira ordem.

XII. Propósito do Livro.

Muito debate foi dado ao objetivo de Lucas em Atos. A teoria de Baur era que este livro foi escrito para dar uma visão conciliatória do conflito entre Pedro e Paulo, e que um paralelismo minucioso existe em Atos entre esses dois heróis.

Esta teoria de tendência uma vez dominou o campo crítico, mas não leva em conta todos os fatos, e falha em explicar o livro como um todo. Pedro e Paulo são os heróis do livro como indiscutivelmente foram as duas principais personalidades na história apostólica (compare Wendt, Apostelgeschichte).

Há algum paralelismo entre as carreiras dos dois homens (compare a adoração oferecida a Pedro em Cesaréia em Atos 10.25, e aquela a Paulo em 14:11; veja também o castigo de Ananias e Safira e aquele de Elimas).

Mas Knowling bem responde que curiosamente nenhum uso é feito da morte de ambos Pedro e Paulo em Roma, possivelmente ao mesmo tempo. Se Atos foi escrito tarde, esse assunto estaria aberto ao conhecimento do escritor.

Não há de fato nenhum esforço real por parte de Lucas para pintar Paulo como Pedro ou Pedro como Paulo. As poucas semelhanças em incidentes são meramente paralelos históricos naturais. Outros viram em Atos um forte propósito de conciliar a opinião gentílica na apresentação uniformemente favorável dos governadores romanos e oficiais militares a Paulo, enquanto os judeus são representados como os verdadeiros agressores contra o Cristianismo (compare a atitude de Josefo em relação a Roma).

Aqui novamente o fato é incontestável. Mas a outra explicação é mais natural, ou seja, que Lucas destaca esse aspecto da questão porque era a verdade. Pode ser verdade que Lucas tenha em mente um terceiro livro (Atos 1.1), uma inferência possível embora de forma alguma necessária de “primeiro tratado”.

Foi um clímax levar a narrativa a Roma com Paulo, mas é um pouco forçado encontrar tudo isso em Atos 1.8. Roma não era “a parte mais baixa da terra”, sendo a Espanha mais próxima disso. Nem Paulo levou o evangelho a Roma.

Além disso, fazer da chegada de Paulo em Roma o objetivo na mente de Cristo é um propósito demasiadamente restritivo. O propósito de ir a Roma dominou a mente de Paulo por vários anos (Atos 19.21), mas Paulo não aparece na primeira parte do livro.

E Paulo desejava seguir de Roma para a Espanha (Romanos 15.24). Provavelmente é verdade que Lucas pretende anunciar seu propósito em Atos 1.1-8. Também é preciso ter em mente Lucas 1.1-4. Existem várias maneiras de escrever história.

Lucas escolhe o método biográfico em Atos. Assim, ele concebe que pode melhor expor a tarefa tremenda de interpretar os primeiros trinta anos da história apostólica. É em torno de pessoas, duas grandes figuras (Pedro e Paulo), que a narrativa é focada.

Pedro é mais proeminente em Atos 1.12, Paulo em 13-28. Ainda assim, a conversão de Paulo é contada em Atos 9 e Pedro reaparece em Atos 15 Mas essas grandes personagens não estão sozinhas. João Apóstolo está certamente com Pedro nos capítulos iniciais.

Os outros apóstolos também são mencionados pelo nome (Atos 1.13) e várias vezes nos primeiros doze capítulos (e em Atos 15). Mas depois de Atos 15 eles saem da narrativa, pois Lucas segue as fortunas de Paulo.

As outras principais figuras secundárias em Atos são Estêvão, Filipe, Barnabé, Tiago, Apolo, todos helenistas exceto Tiago. Os personagens menores são numerosos (João, Marcos, Silas, Timóteo, Áquila e Priscila, Aristarco, etc.).

Na maioria dos casos, Lucas dá uma imagem distinta dessas personagens incidentais. Em particular, ele destaca homens como Gálio, Cláudio, Lísias, Félix, Festo, Herodes, Agripa I e II, Júlio. A concepção de Lucas da história apostólica é que é o trabalho de Jesus ainda continuado pelo Espírito Santo (Atos 1.1).

Cristo escolheu os apóstolos, ordenou-lhes que esperassem por poder do alto, encheu-os com o Espírito Santo e então os enviou na missão de conquista mundial. Em Atos, Lucas registra a espera, a vinda do Espírito Santo, o plantio de uma igreja poderosa em Jerusalém e a expansão do evangelho para Samaria e por todo o Império Romano.

Ele dirige o livro a Teófilo como seu patrono, claramente um cristão gentio, como havia feito com seu evangelho. O livro é destinado à iluminação dos cristãos em geral sobre as origens históricas do Cristianismo. É de fato a primeira história da igreja. É realmente os Atos do Espírito Santo conforme realizado através desses homens. É uma narração inspiradora.

Lucas não tinha dúvida alguma sobre o futuro de um evangelho com tal história e com tais heróis da fé como Pedro e Paulo.

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