Sebna na Bíblia. Significado e Versículos sobre Sebna
Escriba ou secretário de Ezequias (2 Reis 18.18). Em certo tempo era administrador do palácio, mas foi degradado, contribuindo Isaías para isso, pela sua despótica conduta e suas inclinações para a idolatria (2 Reis 18.26,37; 2 Reis 19.2; Isaías 22.15; Isaías 36.3,11,22; Isaías 37.2).
Significado do nome: Shebna: quem descansa a si mesmo; que agora é cativo
Sebna – Dicionário Bíblico de Easton
Jovem, terno, “tesoureiro” sobre a casa no reinado de Ezequias, isto é, controlador ou governador do palácio. Por causa de seu orgulho, foi expulso de seu cargo, e Eliaquim foi promovido em seu lugar (Isaías 22.15-25).
Ele parece ter sido o líder do partido que favorecia uma aliança com o Egito contra a Assíria. Conjectura-se que “Sebna, o escriba”, que foi um dos que o rei enviou para conferenciar com o embaixador assírio (2 Reis 18.18; 2 Reis 18.26; 2 Reis 18.37; 2 Reis 19.2; Isaías 36.3; Isaías 36.11; Isaías 36.22; Isaías 37.2), era uma pessoa diferente.
Sebna – Dicionário Bíblico de Schaff
O “tesoureiro”, ou prefeito do palácio de Ezequias, Isaías 22.15-25, homem de grande orgulho, mas cuja queda ignominiosa é profetizada pelo profeta.
O escriba ou secretário de Ezequias; pessoa diferente do anterior, embora com o mesmo nome. Isaías 36.3; 2 Reis 18.18; 2 Reis 18.37; 2 Reis 19.2.
Ele foi um dos embaixadores enviados a Rabsaqué.
Sebna – Enciclopédia Internacional da Bíblia Padrão
Sheb’-na (shebhna’; Sebna; mas shebhnah, em 2 Reis 18.18; 2 Reis 18.26; sentido incerto (2 Reis 18.18; 2 Reis 18.26; 2 Reis 18.37; 2 Reis 19.2 = Isaías 36.3; Isaías 36.11; Isaías 36.22; Isaías 37.2; Isaías 22.15)):
1. Posição em Isaías 22: Em Isaías 22.15, Sebna é chamado daquele “que está sobre a casa”, ou seja, sobre a casa real, aparentemente a do rei. Essa expressão é traduzida por “mordomo da casa” na Revised Version inglesa, em Gênesis 43.16; Gênesis 43.19; Gênesis 44.1, e ocorre também em Gênesis 39.4, como “administrador”; e em Gênesis 44.4.
É usada para um oficial do Reino do Norte em 1 Reis 16.9; 1 Reis 18.3; 2 Reis 10.5. Esse oficial é distinguido daquele “que estava sobre a cidade” em 2 Reis 10.5, e diz-se em 2 Reis 15.5 que, depois que seu pai Azarias foi ferido de lepra, “Jotão, filho do rei, estava sobre a casa, julgando o povo da terra”.
Além disso, Isaías 22.15 fala deste “cokhen”, expressão que deve se referir a Sebna, se a profecia realmente o tem em vista. Essa palavra é o particípio de um verbo que significa “ser de préstimo ou de serviço”, ou seja, “beneficiar”, como em Jó 15.3; Jó 22.2; Jó 34.9.
O particípio feminino é empregado a respeito de Abisague em 1 Reis 1.2; 1 Reis 1.4, onde a tradução inglesa King James, na margem, traz “cherisher”; o BDB o traduz por “servitor” ou “steward” em Isaías 22.15. A palavra ocorre também como glosa cananeia nas Cartas de Tell el-Amarna (Winckler, número 237,9).
O cokhen era evidentemente um alto oficial: Sebna tinha carros esplêndidos (Isaías 22.18), mas não se sabe ao certo qual era exatamente o cargo. A outra referência a Sebna, no título da profecia, levaria a concluir que ele designava aquele “que estava sobre a casa”, isto é, provavelmente o governador do palácio, ou o mordomo-mor.
A palavra cokhen seria, assim, um título geral; outros negam isso, sustentando que, se fosse esse o caso, ela ocorreria com mais frequência.
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2. Sebna em 2 Reis 18 e seguintes: Em 2 Reis 18.1-37 e segs. (paralelo a Isaías 36.1-22 e segs.) encontramos também um Sebna mencionado entre os oficiais de Ezequias.
Ali ele é chamado de copher, “escrivão” ou “secretário”, isto é, uma espécie de ministro de estado, ao passo que Eliaquim é aquele “que está sobre a casa”. Será então o Sebna de Isaías 22 o mesmo que esse oficial?
É claro que é possível que dois homens de mesmo nome tenham ocupado altos cargos por volta da mesma época. Encontramos um Joá (ben Asafe) como “cronista” no reinado de Ezequias (2 Reis 18.18) e um Joá (ben Joacaz) ocupando exatamente a mesma posição no reinado de Josias, um século depois (2 Crônicas 34.8).
Mas tal coincidência é rara. Se tivesse havido dois altos oficiais de estado com esse mesmo nome, é bem provável que de algum modo se tivesse distinguido um do outro.
Pensa-se que o nome de Sebna seja aramaico, o que apontaria para uma origem estrangeira, mas G. B. Gray, em “Isa”, ICC, 373 e segs., nega isso. Talvez possamos inferir com segurança que ele era um recém-chegado (parvenu), pelo fato de estar cavando para si um sepulcro em Jerusalém, aparentemente entre os da nobreza, ao passo que um natural da terra teria um sepulcro ancestral no país.
Contudo, em 2 Reis, Sebna é o escrivão, e não o governador do palácio. Como se explica isso?
A resposta está na profecia de Isaías.
3. Isaías 22.15 e seguintes: A profecia de Isaías 22.1-25 se divide em três seções. As palavras “contra (não “a”, como traz a Revised Version inglesa) Sebna, que está sobre a casa”, ou palácio, constituem propriamente o título da profecia, e deveriam, portanto, vir logo no início do versículo 15.
(1) Isaías 22.15-18 formam um todo único. Em Isaías 22.16, as palavras “cavando para si um sepulcro”, etc., deveriam vir logo antes do resto do versículo, como Isaías 22.16a, já que o restante da seção está na segunda pessoa.
Lemos, assim (Isaías 22.15-17): “Contra Sebna, que estava sobre a casa. Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Vai a este mordomo (conforme a margem da Revised Version inglesa) que está cavando para si um sepulcro nas alturas, abrindo para si uma morada na rocha, (e dize) Que fazes tu aqui, e quem tens tu aqui, que cavaste aqui para ti um sepulcro?
Eis que o SENHOR dos Exércitos… etc.” G. H. Box (Isaías) propõe ainda transpor algumas partes de Isaías 22.17 e segs. Sebna há de ser lançado como uma bola para “uma terra vasta e larga”, isto é, uma terra ampla e extensa.
Ele é tratado como uma desonra para a casa de seu senhor real. A linguagem do profeta é de invectiva pessoal, e cabe perguntar o que o teria deixado tão indignado.
Alguns (por exemplo, Dillmann, Delitzsch) sugerem que Sebna era o líder de um partido pró-egípcio, enquanto outros (por exemplo, Cheyne) creem que o partido era pró-assírio (compare Isaías 8.5-8a). A data exata da profecia só pode ser inferida.
(2) Isaías 22.19-23 contém uma profecia que declara que Eliaquim há de receber o posto de alguém, aparentemente o de Sebna, se esta seção for mesmo de Isaías; Isaías 22.23, porém, é considerada por muitos uma glosa. Esses versículos não têm um tom tão veemente quanto os anteriores.
Alguns sustentam que a seção não é de Isaías (Duhm, Marti). Ela pode, contudo, ser isaiânica, apenas de data posterior a Isaías 22.15 e segs., possivelmente com a intenção de modificar o pronunciamento anterior.
O governador do palácio há de perder seu cargo e ser sucedido por Eliaquim, que aparece ocupando esse posto em 2 Reis 18.1-37 e segs. Veja Eliaquim.
(3) Isaías 22.24 e segs. são acréscimos aos dois pronunciamentos, feitos por uma mão posterior; eles predizem a ruína de um oficial como Eliaquim, por causa de sua própria família.
4. Data da profecia: Não há nada a priori contra crer que essas três seções sejam inteiramente independentes umas das outras, mas parece haver alguma conexão entre (1) e (2), e novamente entre (2) e (3). Ora, a questão a ser resolvida é a da relação entre Isaías 22.15 e segs. e 2 Reis 18.1-37 e segs. = Isaías 36.1-22 e segs., onde são narrados os acontecimentos de 701 a.C. Temos os seguintes fatos:
(a) Sebna é escrivão em 701 a.C., e Eliaquim é o governador do palácio;
(b) Sebna é o governador do palácio em Isaías 22.15, e há de ser destituído;
(c) se Isaías 22.18-22 for de Isaías, Eliaquim haveria de suceder Sebna nesse posto.
Deixando de lado, por um momento, tudo exceto (a) e (b), a única solução até certo ponto satisfatória é que Isaías 22.15-18 deve ser datado antes de 701 a.C. Essa é a posição preferida por G. B. Gray, na obra já citada. E essa é a teoria mais satisfatória se levarmos em conta o item (2) acima.
A profecia contida em (1) ainda não se havia cumprido em 701 a.C., mas (2) já havia se cumprido; Sebna já não era mais o governador do palácio, mas ocupava o cargo de escrivão. O exílio ainda poderia estar reservado para ele.
Outra explicação é apresentada por K. Fullerton, em AJT, IX, 621-42 (1905), e criticada por E. König, em X, 675-86 (1906). Fullerton rejeita os versículos 24 e segs. como não sendo de Isaías, e sustenta que Isaías 22.15-18 foi proferido pelo profeta no início do reinado de Manassés, isto é, em data posterior a 2 Reis 18.1-37 e segs., “não tanto como uma profecia, uma simples predição, mas como uma tentativa de afastar Sebna do cargo…
É preciso admitir que Isaías provavelmente não teve êxito. O partido reacionário parece ter permanecido no controle durante o reinado de Manassés…
Felizmente, o significado moral de Isaías não depende do cumprimento desta ou daquela predição específica. Não estamos lidando com um oráculo ambulante, mas com um grande caráter e uma vida nobre” (p. 639).
Ele então infere, a partir dos massacres de Manassés (2 Reis 21.16), “que uma conspiração havia sido formada contra ele pelo partido profético, que se propunha a colocar Eliaquim no trono” (p. 640). Isaías, pensa ele, não “recorreria a medidas tão violentas”, de modo que o caráter de Isaías torna questionável se ele foi o autor de Isaías 22.20-23.
Essa parte seria então obra do partido profético, “que foi um passo além do que seu grande líder aprovaria”. Essa posição pressupõe demais:
(a) que os termos de Isaías 22.20-23 se referem a poder régio;
(b) que Eliaquim era de descendência davídica, a menos que se trate de um homem de origem não davídica visando ao trono, o que também seria algo inaudito em Judá; e (c) que houve tal conspiração no reinado de Manassés, da qual não temos prova alguma.
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