Início Dicionário África

África – Enciclopédia Internacional da Bíblia Padrão

África

O nome deste território, como um continente, não ocorre na Bíblia, e só foi conhecido em tempos posteriores como um dos quadrantes do mundo, sob o nome de Líbia – aquela parte oposta à costa da Grécia e a oeste do Egito.

1. África Conforme Conhecida pelos Antigos:

Naturalmente a maior parte da África conhecida pelos hebreus era o próprio Egito, mas a Líbia é considerada como sendo referida sob os nomes de Lehabim e Lubim (Ludim) (Gênesis 10.13; 2 Crônicas 12.3) – palavras que indicam, como muitas vezes com os semitas, não o país em si, mas seus habitantes.

Outras partes da África conhecidas pelos hebreus eram Cuxe ou Etiópia, e Pute, cujos habitantes eles consideravam pertencer ao estoque Hamítico. Canaã, também cusita e portanto hamítica, naturalmente não pertencia ao continente africano, mostrando que as divisões do mundo então conhecido em “quadrantes” (Europa, Ásia, África) não tinham acontecido quando a Tabela das Nações (Gênesis 10.1) foi elaborada – de fato, essas divisões aparentemente não foram consideradas até muitos séculos depois.

Os Casluins e os Naftuins (Gênesis 10.13,14) eram, com toda probabilidade, povos africanos, embora sua posição seja geralmente considerada incerta. Para os hebreus, ao que tudo indica, o ponto mais ao sul da África era Cuxe ou Etiópia, chamada pelos assírios e babilônios de Kusu e Meluá (Meroé), que incluía o distrito atualmente conhecido como Sudão, ou região Negra.

Os filhos de Cuxe, e também aqueles de seu primogênito, Sabá, eram todas tribos árabes, nominalmente sob o domínio de Mizraim ou Egito, e por isso classificados com os descendentes de Ham.

2. Os Cuxitas e os Negros:

Assim, pode-se ver que os distritos negros eram praticamente desconhecidos para os antigos hebreus, embora homens e mulheres da raça negra devessem ter entrado em seu campo de visão. Parece duvidoso, portanto, que haja, na Bíblia, qualquer referência a essa raça, coletivamente ou individualmente, a palavra Cuxita representando, não Negro, mas Etíope.

Este termo é aplicado à (primeira) esposa de Moisés (Números 12.1), e provavelmente será geralmente admitido que o grande legislador hebreu não teria se casado com uma mulher negra. O eunuco etíope convertido por Filipe, o evangelista (Atos 8.26), era um oficial de Meroé, e um homem educado, pois podia ler o Antigo Testamento na versão grega (Septuaginta).

O comércio deve ter revelado aos hebreus a localização dos vários povos da África com quem entraram em contato, e adquiriram um conhecimento pessoal do Egito quando as 12 tribos estavam em cativeiro lá.

Durante este período, pode-se supor, eles viram de tempos em tempos visitantes do Sul – pessoas que não são mencionadas nos livros sagrados do Antigo Testamento porque os hebreus, como nação, nunca entraram em contato com eles.

Além do Egito, a história da parte da África conhecida pelos hebreus foi cheia de altos e baixos, pois veio sucessivamente sob civilizações egípcia, fenícia, grega e romana. Que ela não foi invadida, ou mesmo influenciada, pelas tribos bárbaras do Sul, deve-se ao fato de que o trecho mediterrâneo está isolado da parte central (e sul) desse continente pelo Saara.

3. Tradição Hebraica:

No Talmude, relata-se que Alexandre penetrou na África em jumentos líbios para encontrar uma raça de mulheres, com quem teve conversa, e de quem, como ele depois confessou, sendo um tolo, aprendeu sabedoria – uma lenda que sugere alguma possível tradição das Amazonas de Daomé.

Mas mesmo no Talmude, é principalmente a porção mais próxima (Nordeste) da África que é referida, os africanos, que tinham a reputação de serem chatos de pés, sendo associados aos cananeus.

T. G. Pinches

Orr, James, M.A., D.D. Editor Geral. “Entrada para ‘ÁFRICA’”. “Enciclopédia Bíblica Internacional Padrão”. 1915.

Faça um comentário