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Autoridade na Bíblia. Significado e Versículos sobre Autoridade

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Autoridade

O conceito de autoridade raramente aparece no Antigo Testamento. É usado predominantemente no Novo Testamento, onde a palavra exousia funciona de pelo menos quatro maneiras.

Primeiro, autoridade é a liberdade para decidir ou um direito de agir sem impedimentos. Toda autoridade começa com Deus, pois não há autoridade exceto de Deus (Ro 13:1). Deus tem o direito de moldar o barro como deseja (Ro 9:21) e de estabelecer tempos e datas (Atos 1.7).

Deus deu a Paulo o direito de pregar o evangelho (1 Coríntios 9.18). Os crentes têm o direito de se tornarem filhos de Deus (João 1.12), e eles têm liberdade com respeito à lei (1 Coríntios 8.9). Embora a autoridade seja inútil sem o poder para torná-la efetiva, podemos fazer uma distinção sutil entre os dois conceitos.

Esse primeiro entendimento de autoridade, então, é distinto do poder e refere-se principalmente a um privilégio.

Segundo, o conceito de autoridade refere-se ao poder, habilidade ou capacidade de completar uma ação. Jesus foi dado a autoridade para perdoar pecados (Mateus 9.6-8) e expulsar espíritos (Marcos 6.7). Jesus deu a setenta e dois discípulos a autoridade para pisar em serpentes e escorpiões (Lucas 10.19).

Simão procurou poder para conceder o Espírito Santo (Atos 8.19). Satanás tem autoridade para funcionar dentro dos parâmetros estabelecidos por Deus (Atos 26.18).

Terceiro, a palavra “autoridade” é usada com referência a autoridade delegada na forma de um mandado, licença ou autorização para atuar. Perguntaram a Jesus sob que autorização ele ensinava (Mateus 21.23).

Ele foi concedido autoridade para seu ministério por Deus Pai (João 10.18). Saul foi enviado a Damasco para perseguir cristãos por mandato dos sacerdotes (Atos 26.12). Deus deu aos apóstolos licença para construir a igreja (2 Coríntios 10.8).

Quarto, por uma extensão natural do significado, exousia às vezes denota a esfera na qual a autoridade é exercida. Deus estabeleceu esferas de autoridade no mundo, como o governo civil. Jesus foi entregue ao poder oficial do governador (Lucas 20.20).

Quando Pilatos soube que Jesus estava sob a jurisdição ou autoridade de Herodes, o governador o enviou a Herodes (Lucas 23.7). Governantes e reis têm suas esferas de influência (Ro 13:1), assim como Satanás (Colossenses 1.13), mas Cristo foi colocado acima de todos os reinos de autoridade (Efésios 1.21).

Mais frequentemente exousia refere-se ao poder empregado por governantes ou outros em posições elevadas por virtude de seu cargo, como magistrados civis (Tito 3.1). Este uso de autoridade indica uma relação social entre pelo menos duas pessoas onde uma é a governante.

O subordinado na relação aceita as ordens do governante, não por constrangimento externo, mas pela convicção de que o governante tem o direito de dar ordens e que é dever do sujeito obedecer e reconhecer a autenticidade da posição e das ordens do governante.

De uma perspectiva teológica, o quarto uso de autoridade é mais significativo. A questão da autoridade é um problema fundamental enfrentado por cada pessoa, especialmente o crente. Sua importância não pode ser superestimada.

Cada pessoa tem uma autoridade na vida a qual ela se submete como subordinada, não por constrangimento, mas por convicção. Além disso, Deus criou os seres humanos para viverem sob sua autoridade. Quando escolhem viver sob uma regra diferente, a de si mesmos ou de um ídolo, eles pecam.

Isso é, em um resumo simples, o ensino de Gênesis 1.3. Essa parte das Escrituras ilustra a tendência humana, movida pelo orgulho, a buscar independência da autoridade externa e estabelecer a si mesmo como a autoridade final na vida.

Como, então, Deus exerce sua autoridade sobre a criação e suas criaturas? O testemunho das Escrituras é que Deus estabeleceu três esferas fundamentais de autoridade dentro das quais ele delega autoridade a indivíduos.

Essas esferas são o governo civil, o lar e a igreja. O crente é obrigado a obedecer aqueles que detêm autoridade nessas áreas. Os cidadãos devem se submeter às autoridades governamentais (1 Pedro 2.13-14).

As crianças devem obedecer aos pais (Efésios 6.1-2). Os crentes deveriam honrar autoridades espirituais como apóstolos que exigiam conformidade com base em sua comissão do Senhor. Existem exceções. Quando uma pessoa em autoridade viola a confiança concedida por Deus, a fonte de toda autoridade, o subordinado é livre, de fato mandatado, “obedecer a Deus antes que aos homens” (Atos 5.29).

O apóstolo Pedro fornece o exemplo mais claro do que é chamado de desobediência civil. Em sua epístola, ele encoraja os discípulos de Cristo a se submeterem às autoridades governamentais (1 Pedro 2.13).

Segundo Lucas, no entanto, quando as autoridades governamentais ordenaram a Pedro que cessasse a pregação, ele desobedeceu (Atos 5.29).

O problema enfrentado pelos cristãos contemporâneos é como Deus exerce sua autoridade no âmbito espiritual, ou seja, na igreja. No Antigo Testamento, a resposta era clara. Deus exercia sua autoridade através de profetas, sacerdotes e reis.

Na época de Cristo, os discípulos se submetiam ao senhorio de Deus Pai através da obediência a Jesus. Cristo, então, delegou autoridade aos apóstolos, que dirigiram os assuntos da igreja primitiva. Quando Cristo vier novamente, ele reinará de um novo trono na nova cidade.

Como Deus em Cristo exerce sua autoridade no período entre suas vindas?

A autoridade dos apóstolos foi transmitida através da tradição ou por consagração episcopal? A resposta evangélica a essa pergunta, descoberta na Reforma Protestante, é sola Scriptura. A teologia evangélica recorre à autoridade das Escrituras porque vê a Bíblia como a Palavra escrita de Deus, apontando além de si mesma para a autoridade absoluta, a Palavra viva e transcendente de Deus.

Deus exerce autoridade sobre a igreja através das Escrituras, que transmitem verdade autoritativa. A Bíblia emite diretivas definitivas. Ela oferece uma norma autoritária pela qual toda doutrina e princípios devem ser moldados tanto para os crentes individuais quanto para a igreja.

A Bíblia é um registro e explicação da revelação divina que é completa (suficiente) e compreensível (perspicaz); isto é, contém tudo o que a igreja precisa saber neste mundo para seu guia no caminho da salvação e serviço.

Sam Hamstra, Jr.

Bibliografia. B. Holmberg, Paul and Power: The Structure of Authority in the Primitive Church.

Elwell, Walter A. “Entrada para ‘Autoridade’”. “Dicionário de Teologia Evangélica”. 1997.

Autoridade na religião

I. Ideia Geral

1. De dois tipos

(1) Externa

(2) Interna

2. Necessidade universal de autoridade

3. Necessidade de um critério infalível de verdade

4. Natureza última da autoridade

5. É Deus

6. Diferentes ideias de Deus e diferentes visões de autoridade

7. Um problema de conhecimento para os cristãos

II. As referências bíblicas

1. No Antigo Testamento

2. No Novo Testamento

3. Elementos comuns em seu significado

III. Ensino bíblico

1. Ensino do Antigo Testamento

(1) Forma mais antiga patriarcal

(2) Autoridade tribal e pessoal

(3) Videntes e sacerdotes

(4) Reis e religião estabelecida

(5) Os grandes profetas

(6) O cânon e a tradição rabínica

2. Ensino do Novo Testamento

(1) Autoridade de Jesus Cristo (a) Seu ensino

(b) Suas obras

(c) Perdoando e julgando

(d) Vida e salvação

(e) Derivada de sua filiação

(f) Em seu estado ascendido

(g) Cristo e o Paráclito

(2) Autoridade dos discípulos

(a) Derivada de Cristo

(b) Autoridade de Paulo

(c) Autoridade de todos os crentes

(d) Autoridade sobre as nações

(3) Autoridade moral e pessoal da Igreja

(4) Autoridade da Bíblia

IV. História esquemática da doutrina eclesiástica da autoridade

1. Apelo à razão como Logos

2. Dogma ortodoxo

3. Escolasticismo

4. Absolutismo eclesiástico

5. Princípios da Reforma

6. Novo escolasticismo

7. A luz interior

8. De volta à experiência

9. Desconfiança da razão

10. Ceticismo cristão

V. Classificação das teorias

1. Externa

(1) Catolicismo incipiente

(2) Concílios gerais

(3) Romanismo

(4) Infalibilidade papal

(5) Inerrância das Escrituras

(6) Apelo anglicano à antiguidade

(7) Limitações da autoridade externa

(a) Não infalível

(b) Repousa sobre autoridade pessoal

(c) Nenhuma tradição apostólica existente

(d) Nenhum consenso dos pais

(e) Bíblia precisa de interpretação

(f) Autoridade necessariamente espiritual

2. Autoridade interna

Literatura

T. Rees

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