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Primeira Epístola de João na Bíblia. Significado e Versículos sobre Primeira Epístola de João

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Este livrodo N.T. tem mais a natureza de uma dissertação sobre a crença e deveres dos cristãos do que a de uma carta enviada a certa igreja. Não tem saudações ou quaisquer alusões pessoais. É uma ‘epístola universal’, visto que é dirigida à igreja em geral. A autoria é atribuída a João por alguns dos mais antigos escritores cristãos. A semelhança que se observa tanto nas idéias como na linguagem, entre o quarto Evangelho e a carta de que se trata, favorece essa crença. Com efeito, esta epístola tem todo o caráter de um suplemento e comentário do Evangelho. Cp., e.g.,1.4 com 16.24 – 2.3 com 14.15 – 2.8 com 13.34 – 2.11 com 12.35. A epístola parece, pelo que expõe, ter sido escrita por uma pessoa que viu Jesus e observou as Suas obras (1.1 a 4 e 4.14). Crê-se que foi escrita em Éfeso, mas não se sabe a DATA precisa. É muito provável que seja dos fins do século primeiro, atendendo aos erros que ali são condenados. o objeto da epistola está exposto pelo autor (5.13) – ele procura confirmar e reforçar o Evangelho, assegurando aos crentes que eles têm a vida eterna. Para conseguir o seu fim, entra o autor em controvérsia com os adversários. E, realmente, quase no início da vida da igreja, falsas doutrinas se haviam introduzido no seu seio. Havia quem pusesse em dúvida a divina dignidade de Jesus, negando que Ele fosse o Filho de Deus. Aos que assim falavam, chama o Apóstolo de enganadores e o anticristo (2.22 – 4.15 – 5.1). Havia outros que negavam a humanidade de Jesus, contradizendo, deste modo, a real comunicação social de Cristo com os homens (Hb 2.16 – 4.15, e a realidade da Sua morte e da Sua propiciação. A encarnação de Jesus era, na opinião desses, mera aparência, e a história da Sua vida não passava de um mito. o Apóstolo desfaz estas falsas idéias de modo enérgico (4.3), declara que ele próprio pôde tocar o corpo de Jesus (1.1), e alude em termos claros à água e ao sangue que jorravam do lado, que foi penetrado pela lança. Uma terceira corrente de idéias se manifestava, sustentando alguns que bastava adorar a Deus com o espírito, havendo indulgência para o corpo. o Apóstolo refuta esta doutrina imoral, pois declara que todo pecado é iniqüidade (3.4) – e que a comunhão com Deus purifica o cristão, e somente nesta pureza é que podemos ser reconhecidos como Seus filhos (2.5 – 3.8 a 10 – 4.13 – 5.11). os pontos de que trata a epístola abundam em ensinamentos positivos sob três aspectos: i. A epistola nos ensina qual a natureza da comunhão com Deus (1.3). Ele é luz (1.5), e amor: e a comunhão implica conformidade com os Seus atributos. Visto que Deus é luz, o homem deve ser purificado e remido (1.l a 2.2), e além disso deve ser santo (2.3 a 7). E como é amor, devemos amar-nos uns aos outros (2.10). Mas se Cristo for negado, todas estas bênçãos se perdem (2.22 a 24). ii. A epistola nos ensina qual a felicidade e os deveres de um filho de Deus. o nosso privilégio de cristãos é não somente a comunhão com Deus, mas a nossa adoção como filhos. Deus é justo, e por isso devem os Seus filhos ser também justos (2.29 a 3.3). Cristo veio para tirar o pecado do mundo, e Nele não há pecado – como Ele é, devemos nós ser (3.4 a 10). Ele deu a Sua vida por nós, e então deve o Seu amor ser o nosso modelo (3.11 a 18). Se tivermos o Espírito de Cristo, participaremos das outras bênçãos cristãs (3.19 a 24). ora, se Cristo for negado, quanto à Sua natureza humana em especial, essas bênçãos serão perdidas (3.19 a 4.6). iii. Deus não é somente luz: Deus é amor (4.7,8). o amor, parte essencial da Sua natureza, manifesta-se na missão e caráter de Seu Filho, e é condição necessária da filiação (4.21). Amar a Deus e ao próximo, a fé em Cristo, e uma confiança tal que nos conserve a paz são entre outros os resultados dessa revelação. ora, se verdadeiramente crermos que Deus dá a vida eterna, e que essa vida está em Seu Filho, seremos santos e felizes, seremos perdoados e santificados. Mas se rejeitarmos esta verdade, ou qualquer parte dela, ficaremos sem a esperança, e estaremos, como o mundo, em maldade (5.19).

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