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Adoração na Bíblia. Significado e Versículos sobre Adoração

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Há duas palavras no A. T. Significando adoração: uma delas, em certos lugares, tem o sentido de fazer ‘reverência’, ‘inclinar-se’ (Daniel 2.46Daniel 3.5) – a outra usa-se a respeito do culto prestado ao Senhor e a outros deuses ou objetos de reverência (Gênesis 24.2Gênesis 48 etc. – Êxodo 34.14Deuteronômio 4.19,etc.) – e também a respeito do ‘príncipe do exército do Senhor’ (Josué 6.14).

No N. T. A palavra mais freqüentemente empregada significava, na sua origem, beijar a mão de alguém, como sinal de consideração, fazendo-se uma inclinação respeitosa. É usada com as seguintes significações: adoração a Deus (Mateus 4.10) – reverência para com Jesus Cristo (Marcos 5.6) – e culto idólatra (Atos 7.43 – cf. Apocalipse 9.20Apocalipse 14.9Apocalipse 22.8).

Adoração – Dicionário Bíblico de Smith

Adoração.

Os atos e posturas pelos quais os hebreus expressavam adoração têm grande semelhança com aqueles ainda em uso entre as nações orientais. Levantar-se e subitamente prostrar o corpo era o método mais simples; mas, de modo geral, a prostração era conduzida de maneira mais formal, a pessoa caía sobre o joelho e então gradualmente inclinava o corpo até que a testa tocasse o chão.

Tal prostração era usual na adoração a Jeová, (Gênesis 17.3; Salmos 95.6) era o modo formal de receber visitantes, (Gênesis 18.2) de prestar homenagem a alguém de posição superior, (2 Samuel 14.4) e de mostrar respeito a iguais. (1 Reis 2.19) Era acompanhada por atos como um beijo, (Êxodo 18.7) segurar os joelhos ou pés da pessoa a quem a adoração era prestada, (Mateus 28.9) e beijar o chão onde ele estava. (Salmos 72.9; Miquéias 7.17) Adoração semelhante era prestada a ídolos, (1 Reis 19.18) às vezes, no entanto, o ato consistia simplesmente em beijar a mão em direção ao objeto de reverência, (João 31.27) e em beijar a própria estátua. (Oséias 13.2)

Smith, William, Dr. “Entrada para ‘Adoração’”. “Dicionário da Bíblia de Smith”. 1901.

Adoração – Enciclopédia Internacional da Bíblia Padrão

Adoração

A palavra “adoração”, embora nunca ocorra nas versões em inglês da Bíblia, representa aspectos do culto que são muito proeminentes na Bíblia.

I. Etimologia.

A palavra é derivada do latim adorare = (1) “falar com”, (2) “implorar”, “suplicar”, (3) “prestar homenagem”, “cultuar”; do latim, os (oris), boca. Alguns supõem que a raiz os aponta para a prática romana de aplicar a mão à boca, ou seja, beijar a mão para (uma pessoa ou coisa), como um sinal de homenagem.

II. Significado.

Adoração é uma admiração intensa culminando em reverência e culto, juntamente com os atos e atitudes externas que acompanham tal reverência. Assim, inclui tanto os sentimentos subjetivos ou emoções da alma, na presença de algum objeto ou pessoa superior, quanto as expressões físicas apropriadas desses sentimentos em atos externos de homenagem ou de culto.

No sentido mais amplo, inclui reverência a seres além de Deus, especialmente a monarcas, que em países orientais eram considerados com sentimentos de temor. Mas encontra sua mais alta expressão na religião.

Adoração é talvez o tipo mais elevado de culto, envolvendo a contemplação reverente e extasiada das perfeições e prerrogativas Divinas, o reconhecimento delas em palavras de louvor, juntamente com os símbolos visíveis e posturas que expressam a atitude adoradora da criatura na presença de seu Criador. É a expressão da realização mística da alma da presença de Deus em Sua grandeza transcendente, santidade e bondade amorosa.

Como forma de oração, a adoração se distingue de outras formas, como petição, agradecimento, confissão e intercessão.

III. Posturas Externas.

No Antigo Testamento e no Novo Testamento, estas são semelhantes às que prevaleciam em todos os países orientais, como amplamente ilustrado pelos monumentos do Egito e da Assíria, e pelos costumes ainda em uso entre as nações do Oriente.

As principais atitudes referidas na Bíblia são as seguintes:

1. Prostração: Entre os orientais, especialmente persas, a prostração (ou seja, cair sobre os joelhos, depois inclinar gradualmente o corpo, até que a testa toque o chão) era comum como expressão de profunda reverência e humildade diante de um superior ou benfeitor.

Era praticada no culto de Yahweh (Gênesis 17.3; Números 16.45; Mateus 26.39, Jesus em Getsêmani; Apocalipse 1.17), e de ídolos (2 Reis 5.18; Daniel 3.5,6), mas não era de modo algum restrita a exercícios religiosos.

Era o método formal de suplicar ou prestar obediência a um superior (por exemplo, 1 Samuel 25.23; 2 Reis 4.37; Ester 8.3; Marcos 5.22; João 11.32).

2. Ajoelhar: Um substituto para a prostração era ajoelhar-se, uma atitude comum no culto, frequentemente mencionada no Antigo Testamento e no Novo Testamento (por exemplo, 1 Reis 8.54; Esdras 9.5; Salmos 95.6; Isaías 45.23; Lucas 22.41, Cristo em Getsêmani; Atos 7.60; Efésios 3.14).

A mesma atitude às vezes era adotada ao prestar homenagem a um semelhante, como em 2 Reis 1.13. “Sentar” como uma atitude de oração (apenas em 2 Samuel 7.18 paralelo a 1 Crônicas 17.16) provavelmente era uma forma de ajoelhar-se, como na adoração muçulmana.

3. Ficar de Pé: Esta era a postura mais usual na oração, como aquela dos judeus modernos na adoração pública. Abraão “ficou diante de Yahweh (Yahweh)” quando ele intercedeu por Sodoma (Gênesis 18.22). Compare 1 Samuel 1.26.

O fariseu na parábola “ficou e orou” (Lucas 18.11), e os hipócritas são ditos “orar de pé nas sinagogas e nos cantos das ruas” (Mateus 6.5 na versão King James).

4. As Mãos: As posturas acima eram acompanhadas por várias atitudes das mãos, que eram ou levantadas em direção ao céu (Salmos 63.4; 1 Timóteo 2.8), ou estendidas (Êxodo 9.29; Esdras 9.5; Isaías 1.15), ou ambas (1 Reis 8.54).

5. Beijo de Adoração: A prática pagã de beijar as mãos aos corpos celestes como sinal de adoração é referida em João 31.27, e de beijar o ídolo em 1 Reis 19.18; Oséias 13.2. O beijo de homenagem é mencionado em Salmos 2.12, se o texto ali estiver correto.

Beijar as mãos ao objeto de adoração era costumeiro entre os romanos (Plínio xxviii.5). A palavra do Novo Testamento para “culto” (proskuneo) literalmente significa beijar (a mão) para (alguém).

IV. Objetos de Adoração.

O único objeto adequado de adoração é o Ser Supremo. Apenas aquele que é a soma de todas as perfeições pode satisfazer plenamente os instintos de reverência do homem e elicitar a completa homenagem de sua alma.

1. Semelhantes: Contudo, como já sugerido, os inícios rudimentares da adoração religiosa são encontrados no respeito pago a seres criados considerados como possuindo reivindicações e poderes superiores, especialmente a reis e governantes.

Como exemplos podemos mencionar a mulher de Tecoa caindo com o rosto em terra para prestar obediência ao rei Davi (2 Samuel 14.4), e os servos do rei inclinando-se para prestar reverência a Haman (Ester 3.2).

Compare Rute 2.10; 1 Samuel 20.41; 2 Samuel 12 Samuel 14.22.

2. Objetos Materiais: Em um plano superior, como envolvendo algum reconhecimento da divindade, está a homenagem paga a objetos augustos e misteriosos na Natureza, ou a fenômenos no mundo físico que se supunha ter algum significado divino.

Dar reverência aos próprios objetos materiais é condenado como idolatria em todo o Antigo Testamento. Um exemplo é o caso da adoração “do exército do céu” (os corpos celestes) às vezes praticada pelos Hebreus (2 Reis 17:1 – Reis 21.3,5).

Assim, Jó protesta que nunca foi falso a Deus ao beijar as mãos ao sol e à lua em sinal de adoração (João 31.26-28). Temos referência no Antigo Testamento a atos de homenagem prestados a um ídolo ou uma imagem, como cair diante dele (Isaías 44.15,17,19; Daniel 3.7), ou beijá-lo (1 Reis 19.18; Oséias 13.2).

Todas essas práticas são condenadas em termos intransigentes. Mas quando as coisas materiais produzem uma atitude reverencial, não para si mesmas, mas para a Divindade cuja presença elas simbolizam, então são vistas como auxílios legítimos à devoção; por exemplo, o fogo como manifestação da presença Divina é descrito como causando ao espectador realizar atos de reverência (por exemplo, Êxodo 3.2,5; Levítico 9.24; 1 Reis 18.38 f).

Nestes casos, era Yahweh mesmo que era adorado, não o fogo que O revelava. Os escritores sagrados são movidos à adoração religiosa pela contemplação das glórias da Natureza. Para eles, “os céus declaram a glória de Deus, e o firmamento mostra a obra de suas mãos.” (Compare especialmente os “Salmos da natureza” Salmos – Salmos 19 2 – Salmos 104)

3. Anjos: Em um plano ainda mais alto está a adoração praticada na presença de agentes sobrenaturais da vontade Divina. Quando um anjo de Deus aparecia, os homens caíam instintivamente diante dele em reverência e temor (por exemplo, Gênesis 18Gênesis 19.1; Números 22.31; Juízes 13.20; Lucas 24.4,5).

Isso não era adorar a criatura em vez do Criador, pois o anjo era considerado, não como um indivíduo distrativo com uma existência e caráter próprios, mas como uma teofania, uma auto-manifestação de Deus.

4. A Divindade: A forma mais elevada de adoração é aquela que é dirigida imediatamente a Deus mesmo, Seus atributos reais e excelências espirituais sendo tão apreendidos pela alma que ela é preenchida com êxtase e louvor, e é movida a prestar-Lhe reverência.

Um exemplo clássico é a visão que iniciou Isaías em seu ofício profético, quando ele estava tão possuído pela soberania e sublimidade de Deus que ficou cheio de admiração e auto-humilhação (Isaías 6.1-5).

No Antigo Testamento, a literatura de adoração atinge seu ponto máximo nos Salmos (compare especialmente o grupo Salmos 95.100), onde a majestade inefável, poder e santidade de Deus são apresentados em tons elevados.

No Novo Testamento, a adoração da Divindade encontra sua expressão mais extasiada no Apocalipse, onde a visão de Deus provoca um coro de louvor dirigido ao Deus três vezes santo (4:8-1 – Salmos 7.11,12), com quem é associado o Cordeiro-Redentor.

5. Jesus Cristo: Até que ponto Jesus é considerado no Novo Testamento como um objeto de adoração, visto que a adoração só convém a Deus? Durante a vida terrena de nosso Senhor, Ele foi frequentemente objeto de culto (Mateus 2.1Mateus 8.2Mateus 9.18Mateus 14.33Mateus 15.25Mateus 20.20Mateus 28.9,17; Marcos 5.6; João 9.38).

Alguma ambiguidade, no entanto, pertence à palavra grega proskunein, pois, embora seja a palavra usual para “cultuar” Deus (por exemplo, João 4.24), em alguns contextos significa não mais do que prestar homenagem a uma pessoa de posto superior por meio de joelhos ou prostração, assim como o servo impiedoso é dito ter `caído e adorado’ seu mestre o rei (Mateus 18.26), e como Josefo fala dos sumos sacerdotes judeus como proskunoumenoi (BJ, IV, v – Mateus 2).

Por outro lado, certamente implica uma consciência, por parte daqueles que prestaram esse respeito a Jesus, e do próprio Jesus, de uma superioridade muito excepcional em Sua pessoa, pois a mesma homenagem foi recusada por Pedro, quando oferecida a ele por Cornélio, com base no fato de que ele também era um homem (Atos 10.25), e até pelo anjo diante de quem João se prostrou, com base no fato de que somente Deus deveria ser “adorado” (Apocalipse 22.8,9).

Contudo, Jesus nunca repudiou tais sinais de respeito. Mas, independentemente dos “dias de Sua carne”, não há dúvida de que após a ascensão, Cristo tornou-se para a igreja o objeto de adoração como Divino, e a homenagem prestada a Ele era indistinguível em caráter daquela prestada a Deus.

Isso é comprovado não apenas por passagens isoladas, mas ainda mais pelo tom geral dos Atos e epístolas em relação a Ele. Essa adoração alcança sua expressão máxima em Apocalipse 5.9-14, onde o Cordeiro-Redentor que compartilha o trono de Deus é o assunto de uma explosão de louvor adorador por parte dos exércitos angelicais.

Em Apocalipse 4.8-11, o hino de adoração é dirigido ao Senhor Deus Todo-Poderoso, o Criador; aqui é dirigido ao Cordeiro com base em Sua obra redentora. Em Apocalipse, a adoração daquele “que está sentado no trono” e a do “Cordeiro” fluem juntas em um fluxo de louvor extático (compare Apocalipse 7.9-11).

D. Miall Edwards

Orr, James, M.A., D.D. Editor Geral. “Entrada para ‘ADORATION’”. “Enciclopédia Bíblica Padrão Internacional”. 1915.

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